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Nos últimos dias aconteceram duas coisas anormais no futebol e ambas foram em Portugal. Na terça-feira, no Estádio do Dragão, assistimos a algo muito difícil de acontecer a um líder de qualquer campeonato a nível mundial. Não é normal ver adeptos a assobiarem a sua equipa e a acenarem com lenços brancos quando estão em primeiro lugar no Natal. E para os adeptos portistas (uma massa associativa que conheço muito bem) castigarem e contestarem daquela maneira a sua equipa, não foi pela derrota com o Marítimo para a Taça da Liga, pois essa é uma competição mais que secundária para este grande clube, mas sim pela falta de confiança que existe no seu treinador. Lopetegui cometeu vários erros graves e inventou em momentos-chave, como por exemplo nos dois últimos jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões, que acabaram por afastar a equipa dos oitavos-de-final.
Ontem, se queria voltar a ganhar a confiança dos fantásticos adeptos portistas, não podia voltar a inventar. Não o fez, manteve a equipa no habitual 4x3x3, com os jogadores no lugar habitual. Mas voltou a perder e agora veremos se mantém a confiança da nação portista.
Outro tema anormal começou a 15 de dezembro, quando o Benfica jogou na Madeira a partida que tinha em atraso contra o União. Empataram 0-0 e, naquele momento, as águias ficaram a sete pontos do líder, que era na altura o Sporting, e a cinco do segundo classificado, o FC Porto. Os homens de Rui Vitória tiveram uma noite para esquecer e recordo-me da deceção e tristeza dos meus amigos benfiquistas após a partida. E tinham razão. O União tinha perdido na jornada anterior em Paços de Ferreira por 6-0, um resultado que animicamente afeta qualquer equipa. Era assim quase impossível prever que o Benfica pudesse perder pontos contra a equipa treinada por Norton de Matos. As frases que mais ouvi naquela noite foram "Já fomos", "Hoje dissemos adeus ao campeonato", "É impossível recuperar sete pontos mais o confronto direto após o 3-0 com o Sporting na Luz".
Naquela terça-feira negra a desilusão no mundo benfiquista era total. Estar a esta distância quase inalcançável dos dois máximos rivais antes do Natal era uma situação completamente anormal para um clube ganhador como é o Benfica, mas o futebol é incrível e, apenas cinco dias depois, este estado de ânimo pessimista mudou completamente. No sábado seguinte, o Sporting jogou na Madeira, também contra o União, e contra todos os prognósticos perdeu o jogo e a liderança. A frase que mais ouvi da boca dos mesmos amigos benfiquistas foi: "Na próxima jornada, se ganharmos em Guimarães e houver empate no clássico, ficamos a depender só de nós para ganhar o campeonato."
Era preciso fazer uma pesquisa detalhada para ver a história de todos os campeonatos portugueses, mas sinceramente penso que muito poucas vezes (para não dizer nenhuma) aconteceu uma situação assim. Uma equipa que estava a sete pontos, e ainda com desvantagem no confronto direto do primeiro e a cinco pontos do segundo, ver-se duas jornadas depois apenas a depender de si própria.
O Benfica acabou por fazer a sua parte e a vitória do Sporting no clássico fez com que os três primeiros estejam separados por apenas quatro pontos. Todos podem sonhar com o título. É isso que faz o futebol maravilhoso e torna ainda mais apetecível o ano de 2016 para o campeonato português.
GRANDE CALDEIRADA
Não ao Real Madrid
O diário desportivo 'Sport', de Barcelona, deu esta notícia há vários dias: "José Mourinho não tem a intenção de encarar uma segunda etapa como treinador do Real Madrid. Assim o transmitiu a Florentino Pérez nos últimos dias. O técnico português autodescartou-se da curta lista de alternativas para substituir Rafa Benítez, alegando motivos familiares." Como este jornal é anti-Real Madrid, não sei se é verdade, mas deu-me tanto gozo ler esta notícia que nem liguei ao Jorge Mendes para saber se era verdade. Mas se há alguém que pode dizer que não ao Real Madrid, essa pessoa é o Zé. Para a mentalidade arrogante dos adeptos merengues esta notícia foi uma autêntica caldeirada.
NÓS LÁ FORA
O rei do golo
A entrega de prémios da Bola de Ouro 2015 será no dia 11 de janeiro e os três nomeados são Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. Ao que tudo indica, pelos títulos que o Barcelona conquistou esta época será um dos 'culés' a vencer esta edição do melhor jogador do Mundo. O Cristiano não ganhou títulos mas com os dois golos que fez no último jogo contra a Real Sociedad acabou o ano de 2015 com 57 golos. É obra, são números incríveis de Bola e Bota de Ouro e que fazem dele mais uma vez o Rei do Golo. Grande campeão!
ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
Clássico
Ontem, em Alvalade, foi dia de grande clássico do futebol português. Tive o grande privilégio de jogar nestes dois grande clubes e tenho um carinho muito especial por ambos. O Sporting foi o meu pai e a minha mãe no futebol. Ali passei a minha infância e adolescência e vivi momentos inesquecíveis. No FC Porto foi outra etapa maravilhosa da minha carreira. Três anos de êxitos e de sonhos, como foi o título europeu de 1987. Ontem, assim que o árbitro apitou para o início do jogo, pensei nos muitos clássicos que joguei com ambas as camisolas. Desde o primeiro, que foi uma final de iniciados em Leiria, percebi logo que um clássico entre o Sporting e o Porto era sempre especial.
Por Paulo Futre