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Paulo Futre
Paulo Futre

Enquanto a matemática for possível...

Nos três anos em que estive no FC Porto fui campeão da Europa e duas vezes da Liga portuguesa. Estava habituado a ganhar e aquele Porto nunca perderia um campeonato se tivesse cinco ou mais pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Em Portugal estas recuperações eram praticamente impossíveis de acontecer.

Quando cheguei ao Atlético Madrid, em 1987, vi que na liga espanhola era normal haver reviravoltas incríveis na classificação, mas mesmo assim pensava que nunca viveria uma situação assim. Estava enganado...

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Na temporada 1991/92, quando a vitória ainda valia dois pontos, o campeonato espanhol foi uma loucura e infelizmente eu estava lá e era um dos atores principais. O meu Atlético Madrid, na sexta jornada, era líder e o Barcelona estava a sete pontos de nós. Seis jogos depois, na décima segunda jornada, o Real Madrid passou para a frente do campeonato e tinha o Barcelona a oito pontos. Esta liga foi brutal até á última jornada e terminou com os culés em primeiro lugar, com 55 pontos. O Real ficou com 54 e nós com 53. Foi muito duro para mim e todos os colchoneros perder daquela maneira o campeonato. Se é muito difícil recuperar uma diferença de sete ou oito pontos, com a vitória a três pontos para um rival, recuperar esta diferença aos dois rivais pelo título com dois pontos por vitória era praticamente impossível. O Barcelona conseguiu este pequeno milagre, e por outro lado a frase vazia e obrigatória que todos os treinadores e jogadores diziam (e dizem) – "enquanto matematicamente for possível lutaremos pelo título" – começou a ter sentido para mim.

Mas, historicamente, estas reviravoltas sempre aconteceram em Espanha. Por exemplo, neste século, em 2003/04, o Real Madrid, na vigésima sexta jornada, tinha uma vantagem de oito pontos sobre o segundo classificado e acabou por perder a liga para o Valencia. Essa época foi muito negra para os merengues, pois o Barcelona chegou a levar 18 pontos de diferença do Real e acabou por ficar em segundo lugar.

Em 2002/03, a Real Sociedad fez um grande campeonato, ficou em segundo lugar, mas merecia o título. Os bascos foram líderes da liga durante muitas jornadas, chegaram a levar oito pontos de vantagem sobre o Real Madrid, mas os merengues foram recuperando pouco a pouco e acabaram por ganhar o campeonato na última jornada.

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Na vigésima nona jornada, na época passada, o Barcelona tinha uma vantagem de oito pontos sobre o segundo, que era o Atlético Madrid. O terceiro classificado era o Real Madrid e estava a 12 pontos. Faltavam nove jogos para terminar o campeonato e com uma diferença tão grande era impossível que o Barcelona não ganhasse a liga. Mas nos seguintes quatro jogos o Barça perdeu 11 pontos. Acabou por ser campeão, mas não ganhou para o susto.

Recordo-me destas reviravoltas, porque parece que o futebol português vai pelo mesmo caminho, o que é espetacular para a Liga portuguesa.

Quando o Benfica ganhou o campeonato no ano passado, todos dizíamos que tinham de passar mais 15 ou 20 anos para que uma equipa conseguisse recuperar sete pontos de vantagem como aconteceu em 1999/2000 e 2015/16, mas estávamos enganados.

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Este ano, o Sporting (depois de empatar com o Nacional), na nona jornada, ficou a sete pontos do líder e hoje, quatro jogos depois, pode recuperar esta vantagem. Por outro lado, o FC Porto – antes da jornada anterior – estava a sete pontos do líder e o futuro era negro, mas se ganha hoje ao Feirense e o Benfica não vence o Sporting... os dragões, duas jornadas depois, podem depender só deles para a conquista do título. Inacreditável! Acho que a frase "enquanto matematicamente for possível lutaremos pelo título" finalmente começa a fazer sentido também em Portugal.

Caldeirada da semana - Valencia

O grande objetivo desta época para a equipa dos portugueses Nani e João Cancelo era ficar entre os quatro primeiros e estar na fase de grupos da Champions no próximo ano. Mas a temporada tem sido um autêntico pesadelo e, antes desta jornada, o Valencia era o quarto último da classificação com 12 pontos. Quando um plantel está feito para estar nos primeiros lugares e segue, em dezembro, perto do inferno da 2.ª Divisão, pela pressão que existe muitas destas equipas não conseguem sair do buraco e descem. Na sexta-feira, o Prandelli meteu ainda mais pressão aos jogadores com esta frase: "Quem não tenha vontade de sofrer pelo Valencia, vai para a rua". Ontem... voltaram a perder!

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Nós lá fora - Fernando Santos

Depois de ter conseguido ser campeão da Europa, com a Seleção das quinas, no Euro’2016 em França, seria uma enorme injustiça se o nosso selecionador nacional não estivesse nomeado para melhor treinador do Mundo. Dia 9 de janeiro será a decisão final e o nosso grande míster Fernando Santos estará no pódio juntamente com o Zidane e Ranieri. Parabéns e muita sorte, Sr. Engenheiro.

Álbum de recordações - Benfica-Sporting

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Em todos os países onde joguei, cada dérbi (e também clássico) era quase sempre chamado de jogo do século. Hoje, no Estádio da Luz, joga-se o Benfica-Sporting e o país vai parar. Esta tarde, a partir das 18 horas , vai-se jogar o dérbi do século, até ao próximo. Que seja um grande jogo, com muitos golos e que ganhe o melhor.

Por Paulo Futre
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