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Paulo Futre
Paulo Futre

Eu jogo com Cristiano e Messi

A primeira vez que vi jogar Diego Armando Maradona foi no Mundial de 1982, em Espanha. Tinha 16 anos e o impacto das suas genialidades em mim (e nos meus amigos de infância) foi brutal. Neste mesmo verão, o Barcelona contratou o Diego e recordo -me que naquela altura só existia a RTP e o futebol internacional – no programa ‘Domingo Desportivo’ – passava muito tarde. Mas, claro, só ia para a cama depois de ver o resumo do Barça e as jogadas do Maradona. Como era esquerdino como o génio argentino tentava imitá-lo. Dois amigos começaram-me a chamar Mara, de ‘Maradona’, algo que dura até hoje. Sentia orgulho tremendo nesta alcunha porque ele era único! A brincar, muitas vezes lhes disse que um dia jogaria na mesma equipa do Maradona…

Cinco anos depois daquele Mundial, em 1987, o astro argentino era o melhor jogador do Mundo da atualidade e para muitos já era considerado o maior de todos os tempos.

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Em maio daquele ano fui campeão europeu pelo FC Porto, fiz um grande jogo na final e assinei no mês seguinte com o Atlético Madrid. Comecei a sonhar que iria ser convocado para Londres.

Naquela altura ainda havia a seleção do Mundo onde estavam os melhores jogadores do Planeta e a 8 de agosto de 1987 era o centenário da Federação Inglesa e o jogo de comemoração seria entre a Inglaterra e a seleção do Mundo no mítico Estádio de Wembley.

Duas ou três semanas antes do jogo o delegado do Atlético entra no balneário e diz-me: "Estás convocado para Londres", fiquei paralisado pela felicidade que senti. Não só por estar entre os melhores, mas por ir jogar na mesma equipa do maior.

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Conheci-o no hotel na véspera do jogo. Tinha 21 anos e foi um momento de máxima felicidade, onde não consegui disfarçar o meu nervosismo. Quando o cumprimentei a minha mão tremia descaradamente.

O treinador deu o onze titular no balneário duas horas antes da partida. Quando chegou aos dois últimos disse: "E com o número 10 Maradona e com o 11 o Futre." Naquele momento era a pessoa mais feliz do Mundo e se pudesse parava o tempo. O jogo deu em direto para Portugal e imaginava o quanto orgulhosos estavam os meus amigos e a frase que diziam: "O Mara está a jogar na mesma equipa que o Maradona, inacreditável."

O Diego jogou em muitos clubes e ao longo da carreira deve ter jogado com mais de 300 jogadores. Todos nós ainda temos um orgulho tremendo em dizer: "Joguei com o Diego Armando Maradona na mesma equipa", mas no fundo somos muitos.

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Recordo-me desta história porque hoje há só nove privilegiados que podem dizer uma frase parecida (joguei na mesma equipa com o Messi e o Cristiano Ronal"). E um deles é português e nasceu em Grijó.

Jogar com um deles é incrível, mas jogar com os dois é o máximo dos máximos. Ambos foram e são os melhores jogadores do Mundo nos últimos anos e para muitos já são os melhores de sempre. Para uns, o Messi já é o melhor de todos os tempos e para outros tantos é o Cristiano o número 1 da história. Jogar na mesma equipa e partilhar o balneário com estes dois génios tem de ser algo impressionante para o ego profissional e pessoal. Os nove privilegiados que conseguiram a proeza são estes:

Gonzalo Higuaín, Garay, Gago e Di María partilharam o balneário com Cristiano Ronaldo no Real Madrid e com o Messi na seleção da Argentina.

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Carlos Tévez e Gabriel Heinze jogaram com o Messi na seleção argentina e com o Cristiano Ronaldo no Manchester United.

Gerard Piqué jogou com Cristiano também no Manchester United e com Messi joga, no Barcelona, desde 2009.

O grande Deco viu-os nascer e acompanhou toda a sua evolução. Foi durante seis anos colega do Cristiano na Seleção e quatro do Messi no Barça.

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O último a sentir esta felicidade extrema em partilhar balneário e jogar com estes dois extraterrestres foi o André Gomes. Este menino tem um mérito tremendo porque com 23 anos já pode dizer a frase que todos os profissionais de futebol da atualidade sonhavam dizer : "Joguei e jogo com o Cristiano e Messi na mesma equipa." Grande Campeão!

CALDEIRADA DA SEMANA - Gerard Piqué

O central culé, quando pode, dá sempre uma bicada ao Real Madrid . Esta semana, antes do sorteio da Champions,um fã através do Twitter fez-lhe esta pergunta: "Tens alguma preferência para o sorteio ?"

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Piqué, com um tom irónico, saiu-se com esta: "Gostava de um grupo fácil e apanhar nos ‘oitavos’ o terceiro classificado de Itália, nos ‘quartos’ o oitavo da Alemanha e nas meias-finais o quarto de Inglaterra." Por outras palavras voltou a repetir a sorte que teve o Real Madrid nos sorteios do ano passado (Roma, Wolfsburgo e Manchester City).

A história entre Piqué e o Real Madrid é interminável...

NÓS LÁ FORA - FC PORTO

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Esta semana foi excelente para o Futebol Clube do Porto.

Na terça-feira os craques de Nuno Espírito Santo fizeram um jogo espetacular e conseguiram o tão desejado apuramento para a fase de grupos da Champions contra uma equipa fortíssima como é a Roma. Foi um grande dia não só para o FC Porto mas também para o futebol português. E na quinta-feira as boas notícias continuaram com o sorteio. Só uma catástrofe evitará que os azuis e brancos estejam nos oitavos-de-final nesta edição 2016/17.

Parabéns ao FC Porto, por mais uma vez estar entre os melhores clubes da Europa.

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ÁLBUM DE RECORDAÇÕES - MAXI PEREIRA

Podem passar anos e anos, mas cada vez que um jogador sofre uma entrada dura, fico todo arrepiado, porque vem-me à memória o grande pesadelo que passei enquanto profissional de futebol.

Tinha 27 anos quando sofri a lesão horrível no joelho ao qual fui operado e nunca mais fui o jogador que era. Por esta razão, na passada terça-feira, quando vi o Maxi Pereira a sair em maca recuei mais uma vez no tempo e recordei aquele terrível dia de 1993.

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Desde estas linhas quero desejar-lhe as melhoras e que o Maxi volte rapidamente a jogar.

Força Maxi!

Por Paulo Futre
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