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Paulo Futre
Paulo Futre

Força Presidente

Sempre disse que Pinto da Costa e Aurélio Pereira foram os meus pais desportivos em épocas diferentes da minha vida. Tenho grande admiração e sinto enorme carinho pelos dois e estarei agradecido eternamente por tudo o que fizeram por mim. Assim, depois de uma semana duríssima para Pinto da Costa, hoje não poderia escrever sobre outra coisa. A grande maioria dos jogadores que (como eu) tiveram o privilégio de trabalhar com ele estão indignados pelo que aconteceu. Por exemplo, o meu colega de equipa Jaime Magalhães – que era um autêntico craque e foi importantíssimo na conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987 – fez estas declarações depois de saber o que tinha acontecido na casa do presidente: "Infelizmente, há sempre pessoas que se exaltam, mas essas têm uma memória muito curta. Tirando estes últimos anos, tudo o que aconteceu para trás foi muito bom, repleto de vitórias. As pessoas não se podem esquecer das grandes vitórias do FC Porto. Estamos a atravessar um mau momento, as pessoas estão chateadas, mas não é por atos de vandalismo que se vai voltar ao bom caminho."

Estou completamente de acordo com o Jaime. É lamentável o que uns estúpidos fizeram, mas pessoalmente fiquei mais indignado ao ler frases como esta: "Em 34 anos de mandato, nunca Pinto da Costa foi tão assobiado no Dragão como esta segunda-feira, após a derrota frente ao Tondela. Mais do que a equipa, os lenços brancos tiveram por alvo principal o presidente, até agora quase intocável para os adeptos."

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Por tudo o que fez pelo FC Porto ao longo dos anos não tenho dúvidas de que aquele momento foi o dia mais triste da vida do presidente. Quando ele, na quinta-feira, em entrevista ao Porto Canal, disse "senti a contestação no FC Porto-Tondela e compreendo-a. Foi o dia, como adepto, em dezenas de anos, em que me senti mais envergonhado com uma exibição do FC Porto. Junto-me a todos os que contestaram no jogo", senti que – se pudesse – também diria que tinha acontecido uma das maiores injustiças dentro de um estádio de futebol.

Posso entender que os adeptos estejam tristes e dececionados por não ganharem o campeonato há três anos, mas nunca poderei entender as injustiças contra o melhor presidente da história do futebol. E para aqueles que estavam no Estádio do Dragão na segunda-feira (e todos os outros que têm a memória curta) vejam a história do vosso clube antes e depois do génio. O FC Porto foi fundado em 28-9-1893 e quando Pinto da Costa assumiu a presidência, em 1982, o clube só tinha ganho sete campeonatos, quatro Taças e uma Supertaça. Tudo somado, em 89 anos, o Porto só tinha 12 títulos no futebol. Em abril de 2016, 34 anos depois de chegar à presidência, o clube ganhou mais 58 títulos, ou seja, duas Champions, duas Taças UEFA, duas Intercontinentais, uma Supertaça Europeia, 20 campeonatos, 12 Taças e 19 Supertaças. Incrível!

No dia 27 de Maio de 1987, em Viena, levantámos a Taça. A primeira Champions do FC Porto. A minha geração foi o início de todo o ciclo vitorioso do clube e essa equipa de 1987 deixou a fasquia muito alta. Hoje não fico admirado que os jogadores do FC Porto sejam assobiados quando jogam mal, mas nunca compreendo quando os apupos são direcionados ao homem que fez do FC Porto um dos melhores clubes do Mundo.

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Por último, em 1999/00, 2000/01 e 2001/02 o Porto também esteve três anos sem ganhar, a situação também começava a ser crítica como a atual e em 2004 foi campeão da Europa. Se há algum presidente deste planeta que pode transformar uma situação péssima em excelente em tão pouco tempo ... é Pinto da Costa. Foi o primeiro a dizer que iríamos ser campeões da Europa se eliminássemos o Brondby nos ‘quartos’. Naquela noite sonhei pela primeira vez que íamos ganhar a Champions e assim foi. E se hoje, aos 78 anos e depois de tudo o que ganhou, continua mais quatro anos à frente do clube é porque tem outro grande sonho por cumprir e esse só pode ser um: ser campeão da Europa novamente. Se conseguiu duas vezes contra todos os prognósticos porque não uma terceira? Seria excelente. Força presidente!

CALDEIRADA DA SEMANA

Pesadelo em Madrid

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Se houve um clube feliz aquando do sorteio da Champions, sem dúvida que foi o Real Madrid. Todos os merengues pensaram que o Wolfsburg era um rival fácil e que já estariam nas meias-finais, mas este Real é uma caixa de surpresas, capaz do melhor e do pior. Ninguém podia imaginar que, após o Real ganhar o clássico em Camp Nou, a primeira mão da eliminatória acabasse em derrota na Alemanha (0-2). Ficaram contra as cordas e a um passo da eliminação da única prova que lhes poderá salvar a época. Se forem afastados será um pesadelo diário para os jogadores até que termine a temporada. Uma grande caldeirada.

NÓS LÁ FORA

Cristiano

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Na semana passada, a Espanha parou para ver o clássico entre o Barcelona e Real Madrid. Apesar da diferença entre as equipas na classificação, no clássico estão sempre muitas coisas em jogo. Por exemplo, o Real procurava recuperar o orgulho depois da humilhante derrota por 4-0 no jogo da primeira volta, enquanto que se o Barcelona ganhasse ficaria com 13 pontos de avanço para o eterno rival... ainda em abril. Também importante era saber quem seria o protagonista entre os dois melhores jogadores do Mundo e esta batalha ganhou o Cristiano. O ‘bicho’ fez o 2-1 aos 85’ e voltou a calar o Camp Nou. Grande campeão!

ALBÚM DE RECORDAÇÕES

Grande Quinito

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Um dos treinadores que fez mais furor em Portugal nos anos oitenta foi o Quinito. As suas ideias, mentalidade e caráter estavam muito à frente da época. Todos os jovens queriam ser treinados por ele, mas eu não tive essa sorte. Quando chegou ao FC Porto, em 1988, já tinha saído para Espanha e não tive outra oportunidade de ser treinado pelo romântico do futebol nacional. As frases do grande Quinito ficaram sempre na memória e muitas delas são históricas. Há duas semanas foi um dos homenageados pela Associação Nacional de Treinadores e o seu discurso emotivo também ficará na memória de todos. Muita força amigo.

Por Paulo Futre
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