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Como qualquer amante do futebol, todos os fins de semana estou atento à grande maioria dos campeonatos que se disputam pela Europa. E não só. Sigo também, quase diariamente, o trabalho que os nossos treinadores estão a desenvolver por esse mundo fora e, como bom português, desejo sempre que triunfem, a não ser que defrontem equipas nacionais. Como esses campeonatos estão a entrar nos momentos cruciais, importa, agora, fazer um balanço do desempenho desses técnicos.
André Villas-Boas está na terceira época ao serviço do Zenit. No campeonato, as coisas não lhe estão a sair na perfeição. Encontra-se a 7 pontos do líder, embora faltem ainda 12 jornadas. Na Champions , há ainda a disputar a segunda mão da eliminatória com o Benfica.
Marco Silva, no Olympiacos, tem feito uma época histórica. Já é normal o monstro grego ser campeão, mas desta vez dispõe de uma vantagem pontual enorme e o título pode ser conquistado hoje mesmo. Além disso, bateu uma série de recordes, pelo que ficará na história da liga grega. Nas competições europeias, ao invés, foi eliminado da Liga Europa, depois de não se ter qualificado na fase de grupos da Champions, onde realizou uma campanha incrível.
Leonardo Jardim continua igual a ele próprio. Um campeão. Desde que chegou ao Monaco tem perdido grandes jogadores. Ficou com um plantel constituído, na sua maioria, por jovens, mas ainda assim consegue ser o campeão dos clubes ‘normais’ de França. O Paris Saint-Germain é de outro Planeta... Nas competições europeias, os monegascos não conseguiram passar um grupo dificílimo, com Anderlecht e Tottenham, equipas que têm estado imparáveis na Liga Europa.
Vítor Pereira, no Fenerbahçe, não começou bem, ao ser eliminado no playoff para a fase de grupos da Champions League. Mas o técnico português deu a volta e está a lutar por duas competições. Colocou a equipa nos ‘oitavos’ da Liga Europa, onde jogará com o Sp. Braga. No campeonato, se ganhar o dérbi contra o clube de Quaresma, dará um passo de gigante para a conquista da liga.
Paulo Sousa voltou ao calcio, onde teve êxito como jogador. O técnico da Fiorentina, pelo seu passado na Juventus, um dos grandes rivais da equipa viola, não foi nada bem recebido pelos adeptos de Florença, mas, como grande campeão que é, em pouco tempo conquistou-os. Apesar de afastado da Liga Europa, está na luta pelo scudetto, no 3.º lugar (à entrada para esta jornada), e joga amanhã mais do que três pontos contra o 2.º, que é o Nápoles. Se ganhar poderá entrar na luta pelo titulo.
O meu grande amigo Carlos Carvalhal é já um grande ídolo para os adeptos do Sheffield Wednesday. Está no 6.º posto do Championship, um campeonato dos mais competitivos da Europa. Promete lutar por um lugar na próxima edição da Premier League. Seria fantástico para mim, enquanto português e grande amigo do Carlos, vê-lo na grande competição inglesa a jogar contra Man. City, Man. United ou Chelsea.
Rui Almeida, por outro lado, poderá não ser um nome tão conhecido. Tem 46 anos, foi durante vários anos adjunto do grande professor Jesualdo Ferreira, e está este ano no Red Star FC, da segunda liga francesa. Dispõe do terceiro orçamento mais baixo do campeonato, mas tem feito um trabalho incrível. Está na luta pela promoção, competindo com os orçamentos claramente superiores do Metz ou do Lens. É certamente um treinador a seguir com atenção.
Por fim, temos José Morais. O português, que durante anos trabalhou com o meu grande amigo José Mourinho, assinou pelo Antalyaspor, mas acabou por ter um problema de saúde que o prejudicou. Mais do que desejar que ganhe jogos, queria também, através destas linhas, desejar-lhe as melhoras e que comece rapidamente a fazer o que mais sabe e gosta na vida, levando o clube turco a grandes vitórias.
Esta é mais uma prova de que temos grandes treinadores portugueses no estrangeiro a abrir portas para que outros possam mais tarde emigrar. Resta-me desejar-lhes toda a sorte do mundo para a etapa final da época. Força amigos!
Caldeirada da semana -- Gianni Infantino
As eleições da FIFA chegaram finalmente na sexta-feira. Ganhou o ítalo-suíço Gianni Infantino. O ex-secretário-geral da UEFA foi eleito para um mandato que terminará em 2019. A sua missão é limpar o nome do futebol de tantos escândalos de corrupção que existiram durante anos e anos na era Blatter. Mas, depois de ouvir as polémicas declarações do Maradona, dizendo que o novo presidente é um traidor, fico em sobressalto. O génio argentino tem acertado quase sempre. Só espero que, desta feita, ele esteja errado e que acabem de vez estas autênticas caldeiradas.
Nós lá fora -- Paulo Fonseca
O jogo entre o Sp. Braga e o Sion, da passada quinta-feira, foi impróprio para cardíacos. Passar uma eliminatoria tão importante como esta é sempre maravilhoso e, do ponto de vista anímico, todo o plantel fica mais forte. Já disse mais do que uma vez que este Braga fascina-me pelo futebol ofensivo e dinâmico que tem praticado. Paulo Fonseca está a fazer um trabalho incrível, colocando com todo o mérito a equipa entre as 16 equipas melhores da Liga Europa. Muitos parabéns ao Paulo e aos seus craques pela passagem aos oitavos-de-final!
Álbum de recordações
Dérbi madrileno
Desde que me retirei, em 1998, que os únicos momentos em que me entra um nervosismo por todo o corpo, e em que dava tudo para voltar a calçar as botas e saltar para dentro do campo, é quando joga a seleção portuguesa, nas grandes competições ,ou quando o meu Atlético de Madrid defronta o Real. Ontem, foi um desses dias para mim. Os colchoneros jogaram no Estádio Santiago Bernabéu contra os merengues. Com um empate diriam ambos definitivamente adeus ao campeonato e quem ganhasse podia continuar a sonhar com o milagre... Felizmente foi um dia grande para todos os colchoneros e continuamos na luta pelo título!