A muralha ruiu... mas pouco

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Acordei com uma tremenda ansiedade e mais ansioso fiquei ao ver o excelente e espetacular jogo entre Argentina e França, o primeiro dois oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Houve de tudo: emoção, grandes golos, como os apontados por Dí Maria ou Pavard – este com um movimento técnico do outro Mundo. Todavia, fiquei mesmo foi estupefacto com Mbappé. Na minha opinião, será o eleito para substituir Cristiano Ronaldo e Messi nos próximos tempos. Técnica, força, velocidade... Tem tudo!

Aquela arrancada, que culmina com o golo de penálti de Griezmann, começa ainda antes do meio-campo e ele ainda chega com força à grande área da Argentina. É mais um extra-terreste do futebol. O Rojo é fortíssimo fisicamente, mas nem ele aguentou... Depois, na 2.ª parte, coloca de novo a França em vantagem e ainda consegue ‘matar’ o encontro num lance de ataque rápido muito bem finalizado. Já sobre a Argentina, apenas dizer que a sua eliminação não deixa de ser uma boa notícia para o próprio Ronaldo, que apesar de também não ter passado esta fase do Campeonato do Mundo pode ficar praticamente com a sexta Bola de Ouro na sua mão.

E convém sublinhar que com nova conquista ultrapassa Messi na hierarquia dos jogadores com mais troféus. Um verdadeiro campeão!

A meia hora do início do jogo entre Portugal e Uruguai sentia-me muito otimista, mas igualmente nervoso. Antes de começar o encontro, olho para os dois onzes e não deixo de ter um respeito enorme pela equipa do Uruguai. É um país pequeno, com pouco mais de 3 milhões de habitantes, mas consegue sempre ter bons jogadores. Se me perguntassem qual a melhor dupla de centrais do Campeonato do Mundo, responderia a do Uruguai. Godín e Giménez são fortíssimos e a verdade é que, até ao jogo com a nossa Seleção, a equipa ainda não tinha sofrido qualquer golo. Impressionante! Em relação aos avançados, sem dúvida que também colocaria a dupla Suárez e Cavani entre as melhores do Mundial.

Aos 6 minutos de jogo fez logo estragos, numa grande jogada. É o cruzamento de Suárez que encontra Cavani, com este a fazer o golo, não se sabe bem se com a cabeça ou a cara. Foi um autêntico balde de água fria. Ainda assim, a nossa Seleção não entrou em pânico: continuou com bola, fez recuar a equipa do Uruguai, mas a verdade é que sem criar grandes ocasiões, já que era difícil entrar perto da área. Também encontrou uma equipa muito experiente, com defesas-centrais que jogam assim no At. Madrid. Já o Uruguai teve apenas mais uma ocasião por Suárez, num livre ao qual Rui Patrício se opôs bem. Apesar do resultado fiquei com fé na reviravolta, pois tínhamos artilharia suficiente no banco para mudar o rumo dos acontecimentos. André Silva, Gelson, Bruno Fernandes, Quaresma, Manuel Fernandes. Opções não faltavam!

Na segunda-parte não podíamos começar melhor, pois conseguimos derrubar a muralha. No fundo, fizemos o mais difícil. Mas, no melhor momento da Seleção, Cavani apareceu solto – ainda não sei como – a fazer o golo. Tratou-se de um erro coletivo da equipa. A partir daí estivemos sempre perto do golo, sempre a tentar o empate.

Fernando Santos mexeu bem na equipa mas, ainda assim, tenho de dizer que esperava a entrada de Gelson na partida, mas agora é sempre mais fácil falar. Com Quaresma na ala e André mais junto de Ronaldo voltámos a ter oportunidades para chegar ao 2-2 e forçar o prolongamento, mas lamentavelmente não conseguimos marcar.

A derrota com o Uruguai e a consequente eliminação é uma pena, mas a Seleção Nacional sai com dignidade do Campeonato do Mundo da Rússia. Todos esperávamos mais, mas também temos de dar mérito ao adversário, uma equipa muito experiente com uma defesa incrível e com dois jogadores geniais na frente.

Caldeirada da semana -- Alemanha

Parece surreal, mas a Alemanha, a grande favorita, foi eliminada do Mundial e ficou em último no seu grupo, com duas derrotas, frente a México e Coreia do Sul. Mais do que uma caldeirada, foi um escândalo. Gary Lineker inventou uma frase que ficou na história: "O futebol é um jogo simples, 22 homens disputam uma bola durante 90 minutos e, no final, os alemães ganham sempre". Depois da eliminação dos alemães, o antigo internacional inglês fez, contudo, uma ‘pequena’ alteração: "O futebol é um jogo simples, 22 homens disputam uma bola durante 90 minutos e, no final, os alemães já não ganham sempre!" Genial.

Nós lá fora -- João Cancelo

O João Cancelo, depois de ser transferido do Benfica para o Valencia e de ser emprestado pelos ches ao Inter Milão, no último mercado de inverno, assinou contrato com um tubarão da Europa, como é a Juventus. Os italianos vão pagar 40,4 milhões de euros, em três anos, pelo o lateral-direito português. Mais uma demonstração que os clubes em Portugal devem investir na formação. O talento deve funcionar como uma mina para os clubes e, por tabela, para a Seleção portuguesa. Parabéns João Cancelo e muita força para este novo e espetacular desafio que tens pela frente.

Álbum de recordações -- Carlos Queiroz

Eu sabia que quando o Carlos Queiroz deixou a Seleção portuguesa, após o Mundial’2010, na África do Sul, houve problemas com vários dos nossos craques. Mas pensava que estas feridas já estavam mais do que cicatrizadas. Estava enganado. Como português, detestei ver toda polémica que houve depois do Portugal-Irão entre o Carlos e vários jogadores lusos. Em todo o caso, quero dar os parabéns ao meu selecionador dos anos 90, Carlos Queiroz, pelo excelente Campeonato do Mundo que fez com a seleção iraniana.

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