Aprendam mandarim!

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Há cerca de uma semana e meia, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, presidida por Pedro Proença, assinou um contrato com a empresa chinesa Ledman para o patrocínio da nossa Segunda Liga. Após a notícia, ligaram-me muitos amigos e vários meios de comunicação a relembrar a minha ‘famosa’ conferência de imprensa do chinês.

Queriam saber a minha opinião sobre este acordo e fui congratulado por muitas pessoas que me chamaram " visionário". É que os chineses, por uma razão ou outra, já estão hoje no futebol de muitos países. Respondi a todos que não era um visionário. O verdadeiro visionário foi o presidente Luciano Gaucci, que contratou, em 1998, o melhor jogador japonês para a Serie A.

Naquele ano, estava no Japão a jogar o meu último ano como profissional. Os adeptos nipónicos são diferentes de nós. Vivem não só os clubes como também seguem para todo o lado os seus ídolos, mesmo quando mudam de clube. Luciano Gaucci percebeu, afinal, que podia fazer uma grande jogada de marketing.

O Perugia, que era o seu clube, gastou 4 milhões de euros na contratação do Nakata. A operação parecia cara para um clube pequeno, mas transformou-se mesmo num ‘negócio da China’ para Gaucci.

No seu primeiro jogo na Serie A, mais de 5 mil japoneses voaram de propósito até Itália para vê-lo em ação e, nos restantes encontros, a média de nipónicos presentes rondou os 3 mil. O fenómeno Nakata nunca mais parou. Foram imediatamente encomendadas 70 mil camisolas e, na internet, Nakata também era um fenómeno. Tinha 200 mil visitas diárias no seu site, tornando-se depois fundamental no negócio dos direitos de televisão para o Japão.

Um ano e meio depois de chegar a Itália, não foi surpresa para ninguém quando a Roma pagou quase 22 milhões de euros pelo seu passe. Na época 2000/01, os romanos conquistaram o scudetto e Nakata, mesmo na condição de suplente, contribuiu para o título. Mas foi muito mais importante para o sucesso da Roma a nível de marketing e merchandising. Por exemplo, o clube italiano abriu muitas lojas por todo o Japão e, no final desse ano, o negócio Nakata mudou novamente de cidade. Desta vez para Parma, por quase 29 milhões de euros, naquela que constituiu a transferência mais cara de sempre deste clube.

Nakata era muito bom jogador, mas, em termos meramente futebolísticos, não valia aquelas cifras astronómicas. O ‘pacote’ de todo aquele negócio é que, isso sim, valia aquelas cifras e muito mais. Depois, ainda jogou no Bolonha, Fiorentina e Bolton, onde terminou a carreira com 29 anos.

Foi ele o primeiro futebolista a utilizar o marketing em grande escala e a abrir as portas da Europa para os seus compatriotas, como são hoje Nagatomo, Keisuke Honda, Shinji Kagawa, Atsuto Uchida, entre muitos outros, como também aos sul-coreanos, desde o ex-jogador do Manchester United, Park Ji-Sung, a Heung-min Son, que custou, no verão, passado 30 milhões de euros ao Tottenham. Todos eles têm de estar agradecidos a Nakata por chegarem ao futebol europeu.

Quando falei no melhor jogador chinês da atualidade, pensei que se o Japão e a Coreia do Sul apostassem forte no futebol, o grande gigante asiático, mais tarde ou mais cedo, também entraria em força no futebol. É o que está acontecer na China, poucos anos depois daquela ‘famosa’ conferência de imprensa. Tem, aliás, passado todos os limites do imaginável, como pudemos comprovar neste mercado de inverno, com as contratações de Ramires (Chelsea) por 32 milhões de euros, Jackson Martínez (Atlético Madrid ) por 45 milhões, e Alex Teixeira (Shakhtar Donetsk) por 50 milhões.

Dentro de talvez seis, sete ou dez anos, vamos acabar por ver a liga chinesa ao fim de semana e tudo por uma simples razão: vão lá estar os melhores jogadores do Planeta. Por este motivo, há algum tempo que comecei a dar um simples conselho a todos os miúdos que conheço bem e que querem ser treinadores de futebol : "Aprendam mandarim!!!"

Caldeirada da semana

Caos em Valência

Depois da humilhante derrota do Valencia, por 7-0, na primeira mão das meias-finais da Taça do Rei, na passada quarta-feira, contra o Barcelona, o plantel foi recebido já de madrugada por 200 adeptos furiosos pela péssima imagem que a equipa deixou em Camp Nou. Os jogadores chés ouviram tudo e mais alguma coisa. Foi uma noite horrível. E não é fácil uma equipa levantar-se animicamente, depois de uma derrota tão humilhante. Este Valencia está a cinco pontos da descida e a situação poderá ainda ficar mais negra se não vencerem hoje o Betis.

Nós lá fora

André Gomes

Depois da humilhação dos 7-0 e dos insultos que receberam dos seus adeptos quando chegaram a Valência, os jogadores chés, na manhã seguinte, tiveram treino e o filme da noite anterior continuou. O único que parou o carro e deu a cara perante os adeptos furiosos foi um menino português de 22 anos. Se já tinha admiração por André Gomes, hoje essa admiração triplicou. Grande campeão dentro e fora de campo!

Álbum de recordações

Marselha-PSG

O Marselha, clube onde tive o grande prazer e privilégio de jogar, recebe hoje o líder Paris Saint-Germain. Jogar um clássico no estádio Velódrome é uma autêntica loucura e recordo-me do grande jogo que fizemos em 93. Naquela altura, vencemos, por 1-0, com golo do ponta-de-lança Boksic, de cabeça, através de uma grande assistência minha. O croata era um jogador incrível, um autêntico craque, que mais tarde jogou na Lazio, Juventus e Middlesbourgh, na Premier League, onde terminou a carreira. O meu desejo é que o Marselha consiga uma vitória e assim possa continuar com a recuperação incrível que está a fazer rumo aos lugares euro

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