Arranca a Liga da transparência

Adicione como fonte preferencial no Google

Assim que os técnicos chegaram à minha casa em Yokahama para instalar a parabólica, a primeira frase que disse à tradutora japonesa foi: "Maki diz-lhes se é possível apanharem a RTP e a TVE Internacional, mas especialmente o canal dos Estados Unidos que dá em direto os jogos da NFL (Liga de Futebol Americano)." Estávamos em 1998, as primeiras antenas parabólicas que apareceram no mercado foi no final dos anos 80 e como estava no Japão, um país pioneiro em tecnologia, tinha esperança que, apesar de estar na outra ponta do Mundo, no meu tempo livre ia ver a televisão portuguesa e espanhola diariamente e também continuava a ver semanalmente um desporto que amava. Porque cinco anos antes, em 1993, quando cheguei a Marselha, e escolhi a casa onde ia viver, fiz o mesmo pedido dos canais que queria aos técnicos franceses das parabólicas, mas não tive sorte.

Enquanto a Maki falava com eles, eu olhava atentamente e tentava perceber pelos suas reações faciais se o que estava a pedir era algo impossível.

No tempo em que estive em França todos os canais eram em francês, não era fácil, mas aproveitava e fazia um esforço para aprender o idioma. Mas ter que ver todos os dias a televisão japonesa seria uma tortura total e foi um alívio para mim quando ela me disse: "Sem problemas Paulo, eles instalam os canais da Península Ibérica e também o americano para que possas ver a NFL."

Apaixonei-me pelo futebol americano no primeiro jogo que vi, tinha 17 anos, e foi na primeira vez que fui aos Estados Unidos numa digressão com a primeira equipa do Sporting, em 1983. E a paixão por este desporto maravilhoso dura até hoje. Quando estava no Atlético Madrid, na minha primeira etapa no clube, entre 1987 e 1993, lutávamos pelo título com os dois tubarões Real Madrid e Barcelona, e quando perdia um jogo por um erro arbitral sempre dizia que esta vergonha só podia acabar – e ser tudo muito mais transparente – quando a liga ou a federação espanhola fizessem algo parecido a esta regra da NFL: "Jogadas controversas são revistas por imagens de TV, sob as seguintes condições:

cada treinador tem o direito a pedir duas revisões por jogo. Para sinalizar o pedido, ele atira um lenço vermelho para o campo, antes da próxima jogada começar.

O arbitro tem então 1 minuto para rever o lance – num monitor que passa as mesmas imagens da transmissão pela TV – podendo reverter a marcação inicial, desde que as imagens não deixem qualquer dúvida quanto ao erro na decisão. Caso o árbitro conclua que a decisão inicial estava correta, o treinador que solicitou a revisão perde o direito a 1 ‘timeout’ (cada treinador pode pedir um minuto de pausa para organizar a sua equipa em 6 ocasiões, 3 na primeira parte e outras 3 na segunda, o que é muito importante, especialmente na parte final da partida).

Dentro dos 2 minutos finais do jogo e antes do intervalo, os treinadores não podem atirar o lenço vermelho, e qualquer lance duvidoso é revisto por pedido de uma comissão de arbitragem que acompanha a partida".

Recordo-me desta história porque estamos em 2017, já passaram muitos anos depois daquelas guerras que tinha quando era o capitão dos colchoneros, mas finalmente vamos ver algo parecido num campeonato de futebol e não em Espanha, mas sim em Portugal. Com o vídeo-árbitro, vai continuar a haver polémicas em alguns lances, como por exemplo nos cartões, nos penáltis duvidosos que por muitas repetições que veja o VAR pode decidir para um lado ou outro e vai ser sempre criticado, mas por outro lado nenhuma equipa vai ganhar, empatar ou perder uma partida com um fora-de-jogo a favor ou contra. Aí acabou o erro humano

Hoje é dia 6 de agosto de 2017 e é um dia histórico para a liga do nosso país. Esta tarde, nas Aves, começa o primeiro campeonato da transparência total do futebol português.

CALDEIRADA DA SEMANA - Neymilhões

Só podia mesmo ser o Neymar! Tenho pelo menos 222 milhões de motivos para que ele seja a caldeirada da semana, mas vou resumir em três: o primeiro é que ninguém imaginaria que algum dia se iria pagar essa loucura por um jogador de futebol. O segundo motivo, foi o que aconteceu com a liga de futebol espanhola, que rejeitou o cheque com o pagamento da cláusula. E o terceiro, e provavelmente o mais surrealista deste circo, o Barcelona e os seus adeptos culés ficaram tristes com 222 milhões de euros no banco!

NÓS LÁ FORA - Cristiano vs Rajoy

No passado dia 31, o CR7 foi prestar declarações ao tribunal de Pozuelo de Alarcon (Madrid), em relação à sua acusação de fraude fiscal. Uma acusação injusta, num caso em que sempre acreditei na sua inocência. Mas casualmente (tal vez até demasiado casual), poucos dias antes, a 26 de julho o primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, também foi ao tribunal como testemunha de um dos maiores casos de corrupção política da história do país, e que afeta diretamente o seu partido político. Mas a nível de expectação mediática, o ‘bicho’ ganhou por goleada ao político espanhol.

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES - AC Milan e Marselha de volta

Tive um grande orgulho em jogar no AC Milan e no Olympique de Marselha, que hoje voltam a ter projetos importantes depois de vários anos afastados da ribalta. A equipa francesa já comprou no passado mercado de inverno a estrela Dimitri Payet, e fez bons reforços como o defesa Rami, que veio de Sevilha. Já o gigante Milan está a construir uma superequipa para voltar à elite do futebol, com o nosso André Silva a liderar, Bonucci a mandar na defesa e outros craques como Lucas Biglia e Çalhanoglu. Não tenho dúvidas que as duas equipas vão lutar por tudo nesta nova etapa!

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade