As injustiças da FIFA
Durante os Jogos Olímpicos, o Planeta pára para ver os melhores atletas de cada modalidade. Mas no futebol, infelizmente, não marcam presença os melhores jogadores sub-23 de cada seleção. Os Jogos Olímpicos são, de facto, um momento muito especial para o Mundo inteiro... menos para a FIFA.
Quando, no dia 14 de julho, o selecionador nacional, Rui Jorge, explicou o motivo para ainda só se conhecerem 17 dos 18 convocados para o Rio de Janeiro, senti a tristeza e a impotência do grande profissional que é. Num momento que tinha de ser feliz para ele, porque o futebol português voltava a participar nos Jogos Olímpicos, tudo se transformou num autêntico pesadelo, como ele próprio fez questão de salientar: "Tem sido surreal fazer esta convocatória. Tem sido muito difícil e este é mais um exemplo. Há cerca de 40 minutos, recebemos um telefonema que nos retirou um dos 18 jogadores que tínhamos como confirmados. Não deu tempo para escolher um novo, pelo que preferimos agir assim", referiu, na altura, explicando o porquê de só 17 elementos constarem da lista. Inacreditável!
Dos 35 pré-convocados, apenas 11 foram incluídos na chamada final e o pior é que, mesmo depois de alargada a lista, ainda viu ser-lhe negada a cedência de mais oito jogadores, o que perfaz nada menos de 30 recusas!
Este sentimento de impotência não afetava só o selecionador português. Por exemplo, o presidente do Comité Olímpico da Argentina, um país que vive o futebol com uma paixão fora do normal, proferia estas declarações: "É uma vergonha que um país medalha de ouro, em 2004 e 2008, não possa convocar os seus melhores jogadores. A seleção argentina devia ter a melhor representação e por agora só temos nove jogadores." Sintomático...
Quando a FIFA anunciou em setembro de 2015 que os clubes não tinham obrigação de libertar os seus jogadores para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, porque o evento não era data-FIFA, fiquei espantado e revoltado, especialmente com a hipocrisia contida no segundo parágrafo do comunicado emitido por aquele organismo: "A FIFA está a pedir o apoio dos clubes para permitir que os jogadores que forem convocados para as suas seleções nacionais possam viver a oportunidade de ser parte da experiência olímpica." Enfim, uma vergonha de pedido. Eles melhor que ninguém sabem que os clubes não são uma organização de solidariedade e que não iriam ceder os seus melhores jogadores.
O comunicado constituiu uma autêntica falta de respeito para com os treinadores, que tinham alcançado a qualificação com um esforço enorme, e para muitos jogadores, cujos sonhos seriam destruídos face à proibição dos seus clubes.
Não tenho dúvidas que muitos deles falaram com os presidentes e imploraram que os libertassem, tal como eu fiz muitas vezes quando jogava no Atlético Madrid. Cada vez que jogava a Seleção, era uma luta terrível com o presidente Gil y Gil. Na altura, não havia datas-FIFA e este foi sempre um dos grandes motivos das inúmeras guerras que mantive com ele. "Português, nem penses em sair daqui. Não quero saber do teu país para nada porque sou eu que te pago, não é a Federação Portuguesa!" dizia ele. Ao que eu respondia: "O meu país é sagrado. Nunca deixei de dar o máximo no Atlético por causa da Seleção. Não me pode fazer isto."
Eram discussões enormes que muitas vezes acabavam nas primeiras páginas dos jornais. Umas vezes ganhava eu a guerra, outras ele, obrigando-me assim a ficar em Madrid a ver o jogo de Portugal pela televisão. Nessas ocasiões, sentia-me revoltado e angustiado por não poder estar em campo.
Muitos dos craques que deveriam estar no Brasil vão sentir esta sensação horrível. Resta-lhes assistir aos jogos pela TV, porque, para a FIFA, primeiro está o negócio. Os seus campeonatos do Mundo de sub-20 e sub-21 são, por outro lado, muito mais importantes do que os Jogos Olímpicos. Não tenho dúvidas que, mais tarde ou mais cedo, vai haver um forte sindicato de jogadores a nível mundial e que aí as injustiças da FIFA terminarão!
Caldeirada da semana
Já chega, sr. Blatter
O ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, depois de todos os escândalos em que esteve envolvido e da pena de suspensão por vários anos que lhe foi aplicada, veio agora defender-se. Diz o ex-dirigente que está em choque e garante que não é corrupto... Já chega, sr. Blatter!
Nós lá fora
Professor Moniz Pereira
Foi com grande tristeza que recebi a notícia do professor Moniz Pereira. O ‘Senhor Atletismo’ foi o primeiro treinador português a levar-nos à conquista de medalhas olímpicas. Será sempre reconhecido como um dos grandes. Revolucionou o desporto português, levando-o além-fronteiras. A partir destas linhas, quero apresentar os meus sentimentos à família deste grande Senhor!
Álbum de recordações
Supertaça
Joga-se hoje, em Aveiro, a Supertaça, que irá colocar frente a frente o Benfica e o Sporting de Braga. É o primeiro encontro a ‘sério’ da temporada. Tive a felicidade de disputar esta competição mais do que uma vez e não só em Portugal. Trata-se de um momento em que a ansiedade pela chegada da nova época atinge o seu máximo. Conseguir ganhar este primeiro título, em agosto, dá uma confiança tremenda para o início do campeonato. Que esta noite seja um grande jogo de futebol e que ganhe o melhor!
