Como lateral o meu nível era de Distrital

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O único penálti que fiz durante toda a minha carreira foi no meu segundo ano em Alvalade com a equipa principal do Sporting. Era a terceira jornada da época 1983/84, jogávamos contra o Boavista e entrei no início da segunda parte. Recordo-me que o resultado estava 0-0 e rebentei com tudo, fiz a minha primeira assistência como profissional e logo para o meu querido Manuel Fernandes. Mas, já perto do final e com o jogo resolvido, armei-me em defesa e tentei desarmar um boavisteiro dentro da nossa área e fiz penálti. Tinha 17 anos e era um extremo, que não sabia e detestava defender. Nos 15 anos seguintes até ao dia que me retirei acho que nunca mais pisei a área para defender, seja para o que fosse. Como defesa-esquerdo não jogaria nem na Distrital. O meu nível como lateral nunca seria suficiente. Por essa razão tenho uma grande admiração pelos jogadores que fizeram a formação e chegaram ao futebol profissional como extremos e, depois, se tornaram grandes laterais. Alguns até chegaram a internacionais, o que tem ainda mais mérito, como por exemplo Fábio Coentrão e Eliseu. Mas se tenho que destacar um, sem dúvida alguma que seria Juanfran, do Atlético Madrid, pela missão impossível que tinha pela frente.

A semana passada, três dias depois de ele ter feito um golo em Eibar para a Taça do Rei, no meu espaço ‘Los toques de Futre’ no jornal ‘Marca’ escrevi isto sobre ele: "Neste mês de janeiro, fez seis anos que Juanfran assinou pelo Atlético, seis anos de uma história maravilhosa e digna de estar num livro para todos os amantes do futebol. Simão, nas quatro temporadas que esteve no clube, deu um rendimento brutal. Os seus golos, muitos deles de falta, e as suas assistências foram cruciais para que os colchoneros chegassem às finais da Liga Europa e da Supertaça Europeia em maio e agosto de 2010, ganhando ambos os troféus. O meu compatriota foi um autêntico líder dentro do balneário e era o terceiro capitão da equipa, quando abandonou o clube em dezembro de 2010. Simão foi um exemplo, dentro e fora do campo, e fez história no Atlético. Quando o português assinou pelo Besiktas, muitos adeptos colchoneros – como é meu caso – pensávamos na vida difícil do seu substituto. Simão já estava entre os melhores extremos-direitos da história do clube, era um ídolo e uma referência para todos. O Atlético, forçosamente, tinha de contratar outro jogador para o seu o lugar. E o extremo que chegasse naquele mercado de inverno estava praticamente condenado ao fracasso desde o primeiro dia.

Juanfran, a 12 de janeiro de 2011, assinou pelo Atlético e era o extremo que tinha esta missão superdifícil, de estar ao mesmo nível de Simão e fazer com que os adeptos esquecessem rapidamente o luso. Mas até mesmo para um guerreiro, ganhador e campeão como é Juanfran, esta missão era impossível. O primeiro ano foi horrível para o alicantino. Nem com Quique Flores, nem com Gregorio Manzano, teve muitas oportunidades e nunca se consolidou como indiscutível. Durante estes meses ouviu muitas críticas cruéis da imprensa e muitos assobios dos próprios adeptos. Na altura, falava-se que podia ser emprestado ou vendido. Mas, com a chegada do grande Cholo Simeone, tudo mudou e começou a era do grande Juanfran.

De extremo puro a lateral-direito, de um suplente sem confiança, assobiado e contestado a um jogador imprescindível e adorado, de um extremo de qualidade a um dos melhores laterais-direitos do Mundo. Nesta posição fez dois Europeus e um Mundial com a Espanha e no Euro’2012 da Polónia e Ucrânia converteu-se no único jogador rojiblanco com o título de campeão continental com a seleção espanhola. Juanfran falhou como extremo, mas hoje já está na história do Atlético como um dos melhores laterais-direitos de sempre do clube. Mas a coisa não se fica por aí, pois parece que Juanfran se quer vingar de todos os que há seis anos criticaram a sua contratação e o consideraram um fiasco. Por agora, em três partidas na sua velha posição, o alicantino marcou três golos, o último há 10 dias na Taça do Rei em Eibar. Com Juanfran não há impossíveis. Seis anos impressionantes e de grande campeão."

Este genial exemplo de Juanfran tem de ser o espelho para onde os jovens extremos devem olhar, porque podem ser muito melhores como laterais. Depois de ver o que está afazer Juanfran, até o meu nível como lateral melhorava se jogasse agora!

Caldeirada da semana - Zozulya

Mais que uma caldeirada, é um autêntico escândalo o que aconteceu esta semana no futebol espanhol. O jogador ucraniano Zozulya foi emprestado pelo Bétis ao Rayo Vallecano. Os ‘Bukaneros’ – claque radical do Rayo Vallecano – , logo no primeiro dia em o jogador ia treinar, foram à cidade desportiva e começaram a insultar o ucraniano de neonazi, dizendo que Vallecas não era um lugar para nazis. O jogador teve de abandonar as instalações pela traseiras, já com a polícia de choque presente. "Verificámos que o jogador não pertencia a nenhuma organização paramilitar", mas "o Rayo e o Betis decidiram que, de momento, Zozulya não esteja em Madrid connosco", disse o presidente rayista. Mas o problema não acaba aí: Zozulya já não pode jogar no Betis por estar inscrito pelo Rayo. E no início da época jogou no Dnipro, pelo que também não pode jogar em nenhum outro campeonato. Que escândalo e vergonha!

Nós lá fora - Cristiano Ronaldo

"Paulo Futre afirmou nesta quarta-feira à Rádio Catalunha que não percebe os assobios dos adeptos do Real Madrid a Cristiano Ronaldo: ‘Não entendo. Muitas vezes, no Bernabéu, dois e dois não são quatro, são cinco’, afirmou, cáustico. O antigo futebolista garante que tal seria impossível em Barcelona com Messi. "A situação de Ronaldo é raríssima, creio que os adeptos são injustos. É uma ‘afición’ fria como sabemos, pouco agradecida. É impossível que se possa passar algo assim com Messi."

A maioria da imprensa escrita, em Espanha e Portugal (na web ou no jornal de quinta-feira), meteu estas minhas declarações. Hoje é domingo e reforço o que disse: que vergonha de adeptos tem o CR7!

Álbum de recordações - João Mário

Historicamente, o campeonato das quatro grandes ligas mais difícil para fazer golos é o italiano. Nos dois anos e meio em que estive em Itália passei mais tempo em hospitais – devido às três operações – que dentro do campo, e a frase e a palavra que mais ouvi na minha aventura transalpina foi "como está o joelho". Dentro do balneário, nos treinos e jogos foi a palavra ‘defender’. Nos 16 jogos que fiz meio coxo marquei cinco golos e as críticas foram incríveis. O ‘catenaccio’ faz parte da cultura italiana e a imprensa e os adeptos valorizam muito quem faz golos. O João Mário, nos dois últimos jogos, fez o golo que deu a vitória ao Inter em Pescara e na semana passada voltou a marcar, então ao Palermo. Parabéns campeão e que este momento goleador siga por muito tempo.

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