Don Wanda entrou no meu coração

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No último dia da vida de um estádio que estará eternamente no meu coração escrevi estas linhas: "Se me pedirem para definir o Estádio Vicente Calderón em oito palavras, as escolhidas serão estas: Especial, Respeito, Medo, Alívio, Emoção, Paixão, Amor e Único. Um dia depois de chegar a Madrid levaram-me para conhecê-lo. Apesar dos meus 21 anos, já tinha jogado em muitos estádios carismáticos, mas quando cheguei ao centro do campo e olhei para as bancadas vazias a primeira frase que me saiu foi: ‘Este estádio é muito especial.’ O respeito que senti por aquele estádio gigante do futebol mundial foi enorme desde o primeiro dia em que o pisei.

Nos primeiros meses com a camisola rojiblanca, o medo que sentia antes de cada jogo no Calderón era tremendo. O medo cénico é um pesadelo, mas com o tempo o medo desapareceu e chegou o alívio. A partir daí, a cada jogo que ali jogava sentia uma sensação maravilhosa e era um privilégio poder jogar de 15 em 15 dias no mítico Calderón, porque a emoção que sentia e vivia durante os 90 minutos era única e espetacular. A paixão que existe dentro do Calderón em cada jogo é de tal maneira contagiante que com o tempo começas a viver não só os jogos mas também a defender as cores rojiblancas com uma paixão fora dos limites.

Eu sempre chamei carinhosamente ao mítico Calderón ‘Don Vicentini’. Naquela relva, e com a bola nos pés, passei momentos únicos que recordarei eternamente, mas naquele 19 de janeiro de 1997 não estava equipado e foi de mais. Jogava-se um dérbi madrileno entre o Atlético e o Real. Nesse dia, o presidente Jesús Gil y Gil deu-me a insígnia de ouro e brilhantes (distinção máxima do clube) no centro do campo, dez minutos antes do início do jogo. Ia vestido de fato e gravata mas foi um dos dias mais felizes de minha vida. O carinho e o amor que senti naquele dia é muito difícil de explicar com palavras… Aquela noite foi única para mim e para a minha família dentro do mítico estádio e único ‘Don Vicentini’. Hoje, dia 21 de maio de 2017, o Atlético joga em casa contra o Athletic Bilbao. Antes do jogo, os 19 troféus que os colchoneros ganharam nos últimos 50 anos entraram em campo um a um, levados por dois jogadores que ganharam o título correspondente. Eu desfilarei com a Taça do Rei de 1992 e vou ter os sentimentos à flor da pele. Parece surreal que hoje seja a despedida deste mítico estádio. E ter que dizer quando a sair pela porta 6 ‘Até sempre, Don Vicentini’".

Quando, em setembro, foi inaugurado o novo estádio Wanda Metropolitano fui convidado pelo clube. Mas na minha mente ainda estava muito presente o Calderón. Mais do que divertir-me durante o jogo iria estar triste e decidi ficar em casa. Durante os meses seguintes, por motivos profissionais, só tive oportunidade de ir ao Wanda duas ou três vezes, mas acabei por não ir pelo o mesmo motivo: o Don Vicentini continuava na minha mente.

Mas o destino é incrível e juntou as duas equipas do meu coração, Sporting e Atlético Madrid, nos quartos-de-final da Liga Europa. Por muito Calderón que ainda estivesse na minha cabeça, na quinta-feira não tinha qualquer desculpa. Fui conhecer o Wanda por dentro e por fora e penso que é um dos melhores estádios do Mundo. A UEFA fez-me embaixador desta eliminatória e o Atlético Madrid quis homenagear-me. Antes do jogo entrei dentro do campo com os cachecóis das duas equipas e vivi um dos dias mais felizes da minha vida.

O Don Vicentini vai estar sempre no meu coração e sei que nunca jogarei no Wanda Metropolitano, mas bastou pisar aquela relva por primeira vez, de fato e gravata e com dois cachecóis no meu ombro, para o Don Wanda ser muito especial para mim e ficar também como o Don Vicentini no meu coração eternamente.

Caldeirada da semana - Cristiano Ronaldo

Grande caldeirada que montou o Bicho na imprensa nacional e internacional com o que fez em Turim. Em Portugal: "Obra de arte encanta o Mundo" [‘Correio da Manhã’]; "Ronaldo destroça a Juventus com golo de PlayStation" [‘Jornal de Notícias’]; "Real sofreu mas Ronaldo voltou a não dar hipóteses a Buffon" [‘Público’]; "Ronaldo de outro mundo [‘Diário de Notícias’] ; "Obra de arte de Ronaldo encanta o Mundo" [‘i’]; "És o maior!" [‘A Bola’]; "Do outro mundo!" [Record]; "Monumental" [‘O Jogo’]. Pelo mundo: "O golo" [‘Marca’]; "De que planeta vieste?" [‘As’]; "Ontem CR7, amanhã Messi" [‘Mundo Deportivo’]; "De outro planeta" [‘L’Équipe’]; "Obra de arte" [‘Corriere dello Sport’]; "CRWOW!" [‘La Gazzeta dello Sport’]; "Outro planeta" [‘TuttoSport’]; e eu digo: "Sem Palavras."

Nós lá fora - Cristiano Ronaldo

Itália foi campeã do Mundo quatro vezes e, por experiência própria, porque joguei no país, sei como o povo italiano ama e entende muito de futebol. Muito poucas vezes na história do calcio, para não dizer nenhuma, aconteceu algo como o que se passou na terça-feira em Turim. A Juventus é um dos melhores clubes do Mundo, e o italiano com mais adeptos. Para estes aplaudirem de pé um jogador rival num jogo dos quartos-de-final da Champions tinha de ser por algo surreal que nunca tivessem visto. Assim foi. Com o seu deus Buffon na baliza, de certeza que o único golo de um rival que alguma vez aplaudiram no seu estádio foi aquele pontapé de bicicleta tecnicamente perfeito e no 10.º andar do CR7. Impressionante, Bicho!

Álbum de recordações - Cristiano Ronaldo

O filme ‘Fuga para a vitória’ marcou-me por vários motivos, especialmente pelo jogo entre os prisioneiros aliados que estavam num campo de prisão nazi – e um deles era o grande e mítico Pelé – e a seleção da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Devia de ter 16 ou 17 anos quando vi o filme pela primeira vez e o incrível golo de bicicleta que faz o Rei Pelé naquele jogo deixou-me de boca aberta. Para fazer aquela obra de arte devia ter ensaiado e tentado muitas vezes, porque dificilmente se pode fazer um golo tão difícil à primeira tentativa. Na terça-feira recordei este golo do fenómeno brasileiro no filme mítico, porque o CR7 conseguiu fazer algo parecido ou ainda mais perfeito nos quartos-de-final da Champions contra a Juventus, à primeira tentativa e sem ensaios. Que génio!!

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