Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

É preciso mudar rápido as regras do sorteio

O campeonato português tem seis jogos que fazem parar o país. E quando se realizam estes dérbis e clássicos entre Benfica, Sporting e FC Porto também são de grande interesse na imprensa desportiva de meio Mundo. Mais que um jogo de futebol é um espetáculo único que devia ser tratado de uma maneira muito especial por parte de todos aqueles que controlam o nosso futebol. A meu ver, na realização do calendário, estes jogos grandes – que infelizmente são apenas seis por época – só deveriam ser sorteados para depois da 3.ª jornada por várias razões: por exemplo, na minha opinião, acho que o dérbi de ontem no Estádio da Luz entre o Benfica e o Sporting, um jogo de máxima importância para os dois clubes ,para os seus adeptos como também para a maioria dos portugueses, nunca se deveria jogar antes do fecho do mercado, porque há jogadores de ambas as equipas que vão jogar com a ansiedade e incerteza de não saberem se amanhã estarão em outro clube, num país diferente. Mentalmente, e digo-o por experiência própria, isto nunca é fácil.

Por outro lado, os jogadores que foram contratados para reforçar as suas equipas em julho necessitam do seu tempo de adaptação ao país, cidade e companheiros para estarem no seu melhor nível. E também tempo para saberem o que significa e a importância de um dérbi ou um clássico do futebol português.

E ainda há aqueles que foram contratados recentemente – e outros que podem chegar até ao fecho do mercado, que será no dia 31 de agosto às 24 horas – e por isso não podem jogar e ajudar os seus companheiros num dérbi. Ficam logo a perder um dos seis grandes jogos que sonhavam jogar...

Estas grandes partidas, pela sua importância e impacto mediático, seja a nível nacional ou internacional, têm de ser jogadas com os plantéis fechados. E isso só pode acontecer depois de o mercado fechar. Todos os treinadores profissionais, durante o mês de agosto, vivem com uma grande ansiedade, porque sabem que com o mercado aberto tudo pode acontecer. Rezam todos os dias para que nenhum dos seus craques seja vendido e que possam chegar à equipa grandes reforços. Esta intranquilidade só desaparece quando fecha o mercado de transferências. Mas, para os treinadores dos grandes clubes em Portugal, no momento do sorteio do calendário, verem que toca jogar um clássico ou um dérbi a 26 de agosto, como o de ontem, com o mercado ainda aberto, mais que ansiedade, para eles deve ser um pesadelo, que se prolonga por semanas. Nunca fui treinador, mas disputei muitos dérbis e clássicos em todos os países onde joguei, especialmente em Portugal e Espanha, e quando era o sorteio do calendário ficava furioso quando estes grandes jogos surgiam logo nas primeiras jornadas, porque detestava as temperaturas altas, e ter de jogar um jogo desta importância com muito calor, para mim era horrível.

Quando era capitão do Atlético de Madrid e via que nos tocava no sorteio o Barcelona ou o Real Madrid logo em agosto, a minha preocupação pela responsabilidade que tinha dentro da equipa aumentava enormemente, porque à parte de não saber que companheiros podiam sair e que reforços chegariam, com o presidente Jesus Gil y Gil, se um treinador fizesse uma má pré-época e perdesse mais amigáveis do que o normal, corria o risco de ser demitido antes de começar o campeonato... como chegou a acontecer.


Por todas estas razões e muitas mais, só espero e desejo que os homens fortes que tomam as grandes decisões do futebol português mudem as regras do calendário, seguindo os exemplos de Inglaterra e Itália, e que nunca mais se jogue um dérbi ou um clássico antes de o mercado de transferências estar fechado.

A frustração de Mourinho

Quando vi esta notícia: "Segundo escreve, esta sexta-feira, o jornal britânico ‘Mirror’, este terá deixado um desabafo junto do seu círculo mais próximo: ‘Em qualquer outro trabalho, em qualquer outro clube, já me tinha demitido’", não sabia se a notícia era verdadeira ou falsa, mas onde não tinha qualquer dúvida é na enorme frustração que deve estar a viver José Mourinho. E tem toda a razão para estar assim, porque talvez esta época 2018/19 seja aquela em que o Manchester United se reforçou menos em toda a sua história.

Jorge Jesus

Se para um jogador estrangeiro que chega a um novo país é importante começar bem, para um treinador é muito mais. Se as coisas não começam bem, os jogadores têm normalmente mais do que uma oportunidade para mudar a situação a seu favor. Um treinador, seja em Portugal, no Japão ou na Arábia, se perde dois jogos seguidos começa a ser criticado, aparece a desconfiança de todo o Mundo e passa de bestial a besta num abrir e fechar de olhos. E muitos são demitidos. Assim é a vida dos treinadores, e o meu querido amigo Jorge Jesus é um deles, e fiquei muito feliz com o seu primeiro título à frente do Al Hilal. Parabéns Jorginho!

Chegar, ver e vencer

André Silva, no passado domingo, fez o seu primeiro jogo com a camisola do Sevilha, e foi mesmo a estreia de sonho. O jovem português marcou três golos e a sua equipa ganhou em Madrid, ao Rayo Vallecano, por 4-1. Como se não bastasse, o André também fez uma estreia histórica. O último jogador a estrear-se na Liga espanhola com três golos foi o génio Romário. Quando o miúdo fez o terceiro, recordei que antes de todas as estreias que fiz no estrangeiro sonhava em fazer algo assim, mas as estreias não eram o meu forte. Parabéns André por este feito espetacular e muita força campeão!

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