Grande injustiça

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Joguei em cinco países no estranheiro: Espanha, França, Itália, Inglaterra e Japão. Por experiência própria, sei o difícil que pode ser a adaptação nos primeiros dias, semanas e meses para qualquer profissional de futebol ao país, à cidade e à equipa. Em alguns destes países por onde passei, os primeiros tempos foram duros, como aconteceu, por exemplo, em Espanha.

A minha estreia no estrangeiro num jogo oficial deu-se com a camisola do Atlético de Madrid no mítico Vicente Calderón contra o Sabadel. Foi um pesadelo.

Três meses antes tinha jogado a final da Champions, que foi transmitida para meio Mundo. Tinha 21 anos e a pressão mediática podia assustar-me... Mas não! Fiz um jogo espetacular e o FC Porto tornou-se campeão europeu, ao derrotar o Bayern Munique.

No dia da minha estreia pelo Atlético de Madrid, a bola parecia que me queimava os pés e fui uma sombra de mim mesmo. Realizei um dos piores jogos da minha carreira. Terminada a partida, não ouvi nem li a frase pela qual ansiava: "grande contratação fez o Atlético de Madrid com o Futre". Pior que isto foram os olhares de desconfiança dos meus companheiros, quando olhavam para mim dentro do balneário : "És tão bom como dizem ou és um flop?", pareciam querer dizer.

Incrivelmente, das seis equipas que representei no estrangeiro, foi no Atlético de Madrid que atingi maior sucesso. Para muitos colchoneros sou considerado o melhor jogador da história do clube.

Mas, se para um extremo como era o meu caso, médio ou defesa a adaptação é complicada, para um ponta-de-lança, que vive muito mais do golo, os problemas são ainda maiores. Quando não se consegue marcar, principalmente em jogos oficiais, as críticas começam a surgir, tanto na imprensa como pelos próprios adeptos. Com os ‘homens-golo’ a paciência é praticamente nula.

Recordo-me da minha adaptação ao futebol espanhol, porque o Benfica disputou até agora dois jogos oficiais e alguns amigos benfiquistas, sportinguistas e portistas já crucificaram Ferreyra. O argentino, depois de atuar os primeiros minutos com a águia ao peito, já é consierado um flop por alguns deles. Impressionante!

Durante a minha carreira, cheguei a criticar alguns companheiros que atuavam como pontas-de-lança. Mas só o fiz, depois de muitos meses ao serviço do clube, por não fazerem um golo nem ao arco -íris, como dizem em Espanha.

Como profissional e como adepto, sempre tive paciência com os goleadores. Depois do que aconteceu com Radamel Falcão no Atlético de Madrid, muito mais paciência passei a ter com os pontas-de -lança estrangeiros que chegam a um novo país. Recordo-me das críticas duras e cruéis que fizeram ao colombiano nos primeiros cinco meses como colchonero. Para muitos destes críticos, Falcão era um autêntico desastre e a sua contratação tinha sido um autêntico fiasco.

E a pior crítica que um profissional de futebol pode ouvir são os assobios dos seus próprios adeptos. O Tigre ouviu várias vezes aquele terrível som das bancadas do Estádio Vicente Calderón. Radamel viveu um autêntico pesadelo naqueles primeiros cinco meses com a camisola colchonera.

Aquele que era um grande fiasco e um desastre total, tornou-se, pouco tempo depois, no melhor 9 do Mundo. E está hoje entre os melhores pontas-de-lança da história do Atlético de Madrid. Por todas estas razões, as duas palavras que sempre digo em casos semelhantes aos de Facundo Ferreyra são muito simples: grande injustiça!

CALDEIRADA DA SEMANA -- A vingança

A transferência mais polémica neste mercado de verão foi a do Malcom do Bordéus para o Barcelona, depois de a Roma, horas antes, ter anunciado o acordo com o clube francês. "Estávamos a trabalhar na operação Fuzato, que é um dos nossos jogadores, e a Roma fechou o negócio com outro agente. O clube portou-se muito mal connosco e resolvemos ter o mesmo comportamento para com eles. A sua atitude foi péssima e decidimos junto do Malcom que o seu destino não seria a Roma. Até no negócio de Malcom a Roma meteu outros agentes na operaçao" disse Cornacini, empresário do brasileiro. Mais do que uma caldeirada, foi uma autêntica vingança.

NÓS LÁ FORA -- José, Nuno e Marco

A Premier League arrancou e Portugal volta a estar muito bem representado neste campeonato que, para muitos, é o melhor do Mundo, com três técnicos. E logo, ontem, na primeira jornada, houve um duelo entre o Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo, e o Everton, de Marco Silva, que acabou com um empate a dois golos. Já o mestre José Mourinho estreou-se com o seu Manchester United, na sexta-feira, com vitória frente ao Leicester, de Adrien Silva e Ricardo Pereira. Desejo aos três místers portugueses todos os êxitos do Mundo nesta época 2018/19!

ÁLBUM DE RECORDAÇÔES -- Ele e mais dez

Acaba de fazer 34 anos, que ouvi esta frase, por telefone, de um génio chamado Pinto da Costa: "Paulinho, aí não te querem, mas aqui no FC Porto serás tu e mais dez". Tinha 18 anos, era a primeira vez que ouvia a sua voz e também a primeira vez que me surpreendia. E esta semana Pep Guardiola, depois de o seu Manchester City ganhar a Supertaça inglesa ao Chelsea, disse esta frase: "A exibição do Bernardo Silva, hoje, foi fenomenal. Neste momento é ele e mais 10." E lá recordei aquela frase do génio Pinto da Costa!

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