Há mais 24 horas de sofrimento

Adicione como fonte preferencial no Google

"Não tem sido fácil, mas já estou habituado. Esta semana nunca mais acaba…" A frase foi proferida por Jorge Jesus, no início da semana, e deixava transparecer a preocupação e a ansiedade que mercado de transferências sempre provoca. É um sentimento partilhado, aliás, pela grande maioria dos treinadores.

A última semana para o fecho das inscrições é de uma tensão tremenda e um autêntico pesadelo para todos os ‘místers’, muito por força dos rumores que os jogadores ouvem a todas as horas e que podem desestabilizá-los. Eu, por exemplo, nunca me adaptei a isso. Joguei em seis países diferentes e, quando o mercado estava aberto, ao saber que a minha vida podia mudar a qualquer altura, sentia uma grande ansiedade. Até ao fecho das inscrições vivia a dúvida de não saber se iria ou não mudar de país. Esta indecisão sobre o que poderia acontecer, no dia seguinte ou na próxima semana, afetava não só a minha concentração e estabilidade, como também a de toda a minha família.Não era fácil. Esta intranquilidade só desaparecia quando o mercado fechava.

O segundo grande motivo de preocupação, especialmente para os treinadores, é que chegue um clube nos últimos dias, ou mesmo minutos, antes do encerramento do mercado, e pague a cláusula pelo seu melhor jogador.

Um bom exemplo disso aconteceu nos últimos minutos antes de fechar o mercado, em agosto de 1997. Naquele verão, o Desportivo da Corunha tinha declarado o seu jogador Rivaldo como intransferível. Era a altura do ‘grande Depor’ do presidente César Lendoiro. Na época anterior, tinham ficado em terceiro lugar no campeonato e sonhavam ganhar a liga.

A clásula do craque brasileiro era de 4. 000 milhões de pesetas (cerca de 24 milhões de euros). Uma cifra altíssima para aqueles tempos. O mercado fechava a 15 de agosto e, quase ao cair do pano, o Barcelona, presidido por Josep Lluís Núñez, e dirigido por Louis van Gaal, depositou na Liga Profissional de Futebol a quantia da cláusula.

A jogada não foi muito limpa por parte dos ‘culés’, mas o futebol também é isto. O presidente Lendoiro, furioso, denunciou o clube catalão. O Deportivo ficou com todo aquele dinheiro mas... sem tempo para contratar outro craque.

Foi uma noite negra para os galegos, pois ficaram sem a sua grande estrela e o sonho de ganhar o campeonato acabou ali mesmo. Nessa temporada, terminaram em 12.º lugar e Rivaldo ficou a ser odiado para toda a vida por todos os adeptos do Corunha. O treinador de então era Carlos Alberto Silva e só aguentou seis jornadas até ser despedido. Como se costuma dizer, quem não tem ovos não consegue fazer omeletas... É a vida dos treinadores de futebol.

Ficar sem os melhores, ou mesmo o melhor jogador, nos últimos dias para o fecho do mercado é um desastre total para qualquer equipa. É precisamente por este motivo que os treinadores vivem numa tensão constante sempre que o mercado de transferências está aberto. Hoje, é dia 31 de janeiro e o mercado deveria encerrar às 23 horas, 59 minutos e 59 segundos. Mas, infelizmente, o calendário indica-nos um domingo, pelo que toda esta tensão só terminará no dia seguinte. Há mais 24 horas de sofrimento e de tortura para todos os treinadores.

Caldeirada da semana

Guardiola e os seus jogadores

A revista ‘Kicker’ revelou durante esta semana que Josep Guardiola começou a perder força no balneário a partir do momento em que anunciou antecipadamente a sua saída no final desta temporada. Segundo aquela publicação, o treinador catalão chegou mesmo a enviar aos jogadores um e-mail, no qual exigia maior disciplina, o que criou neles algum mau-estar. A Champions League, que é o grande objetivo de Guardiola, está à porta. Se esta notícia for verdadeira, e se realmente ele está a perder força no balneário, o treinador catalão poderá enfrentar uma autêntica ‘caldeirada’ até ao final época.

Nós lá fora

Um Monaco português

No passado domingo, a equipa treinada por Leonardo Jardim, e onde jogam os portugueses Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, João Moutinho, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa, venceu, por 4-0, o sempre difícil Toulouse. Três dos golos foram marcados por portugueses. Bernardo Silva, Fábio Coentrão e, por fim, Hélder Costa fizeram o gosto ao pé e confirmaram mais uma vez a qualidade portuguesa que existe lá fora. Parabéns craques!

Álbum de recordações

Sensação incrível

Disputou-se ontem um dos grandes clássicos espanhóis, com Atlético de Madrid a jogar em Camp Nou frente ao Barcelona. Recordei-me das muitas vezes que atuei ali. O estádio dos ‘culés’ era um dos meus preferidos. Durante a minha etapa pelo Atlético de Madrid tive o privilégio de sair por três vezes pela porta grande de um campo rival e uma delas foi precisamente no Camp Nou. Foi maravilhoso ter sido aplaudido por 120 mil adeptos. Uma sensação incrível!

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade