Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Jorge Jesus, um treinador top dos tops

Nos meus 18 anos como profissional de futebol joguei em nove clubes de seis países, tive treinadores geniais, outros muito bons, alguns regulares e outros, muito poucos, maus. Joguei em todos os sistemas de jogo e conheci os dois extremos radicais da tática. Tive alguns técnicos do ‘polo norte’, ultradefensivos, para quem o mais importante era a organização defensiva da equipa, com os 11 jogadores atrás da linha da bola e a sair para o contra-ataque assim que a recuperássemos – dificilmente conseguíamos ter mais de 30 por cento da posse durante os 90 minutos. Por outro lado, só tive um do ‘polo sul’ e foi o míster Carles Rexach, o homem de confiança e adjunto de Johan Cruyff na etapa do holandês como treinador do Barcelona. O último treinador que tive na minha carreira foi o Rexach, no Japão. A nossa equipa era o Yokahama Fluggers e o nosso sistema era tal qual o do ‘Dream Team’ de Cruyff. Acabávamos sempre os 90 minutos com 80 por cento ou mais de posse de bola. Os três defesas sofriam uma barbaridade, mas para os avançados, como era o meu caso, era um prazer. Divertia-me imenso a jogar num sistema como aquele, ultraofensivo.

Quando me retirei, em 1998, se pensasse seguir a carreira de treinador sem dúvida alguma que ia buscar um pouco de todos eles, mas as minhas referências seriam os treinadores que mais me marcaram, como foram o Artur Jorge no FC Porto, o Luis Aragonés no Atlético Madrid, e também o Fabio Capello no AC Milan.

Tudo isto me passou pela cabeça quando esta semana li esta notícia: "O italiano Alberto Aquilani, que jogou no Sporting em 2015/16, deu uma entrevista à ‘La Gazzetta dello Sport’, na qual abordou as meias-finais da Liga dos Campeões, em que a Roma, o seu primeiro clube, vai defrontar o Liverpool. Mas o médio, que atualmente representa o Las Palmas, em Espanha, acabou por falar do seu futuro e elogiou alguém do seu passado...
Aos 33 anos, Aquilani diz que no futuro gostava de ser treinador. E a sua referência é... Jorge Jesus! O jogador tece rasgados elogios ao técnico português, que diz ser top. ‘Nos clubes por onde passei e na seleção encontrei muitos treinadores extraordinários, mas tenho como referência Jorge Jesus, com quem trabalhei em Lisboa. Acreditem em mim: ele é top, tal como as suas ideias sobre futebol’, garantiu o médio."

Já tinha ouvido e lido declarações de muitos jogadores que ainda estão no ativo, e de outros que já estão retirados, a dizerem que o melhor treinador que tiveram foi o Jorge Jesus. Mas o nível de treinadores que teve o Alberto Aquilani na sua carreira foram muitos e de grandíssima qualidade, como por exemplo: Fabio Capello, Cesare Prandelli, Luciano Spalletti, Rafa Benítez, Kenny Dalglish, Roy Hodgson, Luigi Del Neri, Massimiliano Allegri e Vicenzo Montella. Aquilani foi internacional por Itália 38 vezes, fez 5 golos e disputou com a camisola transalpina o Euro’2008 e o Mundial’2014 e teve selecionadores como Marcelo Lippi, Cesare Prandelli ou Roberto Donadoni.

Alguns destes nomes foram considerados em algum momento das suas carreiras os melhores técnicos do Mundo. Mas, para Aquilani, a sua grande referência é o JJ. Impressionante...

Sempre disse que o Jorge Jesus é um dos melhores treinadores portugueses de sempre. A partir de agora, vou ter de dizer que o JJ é um dos melhores treinadores do Mundo. Quando o Aquilani diz "acreditem em mim, ele é top", só me resta dizer: "Eu acredito em ti, Alberto, e o Jorge Jesus é mesmo um treinador top dos tops." A única coisa que lamento é nunca ter sido treinado por ele!!!


NÓS LÁ FORA -- Júlio César

Não é português mas jogou em Portugal três anos. Tenho um grande respeito por este guarda-redes que chegou a ser considerado um dos melhores do Mundo quando estava no auge da sua carreira. Falo do ex-guardião do Benfica, Júlio César, que esta semana disputou o seu último jogo com a camisola do seu Flamengo, contra o Atlético Mineiro. A sua despedida foi num Estádio Maracanã esgotado. No final do jogo deu a volta ao relvado enquanto era aplaudido pelos adeptos. Sem dúvida alguma que foi um momento arrepiante e emocionante. Desde estas linhas quero dar os parabéns ao Júlio César pela carreira espetacular que fez e desejar-lhe o melhor do Mundo para o futuro.

CALDEIRADA DA SEMANA -- Iniesta não merecia isto

Esta semana o homem mais querido e amado de Espanha fez chorar muitos espanhóis. Fiquei estupefacto quando li esta notícia: "Andrés Iniesta anunciou que vai deixar o Barcelona no final da temporada, após 22 anos no clube. A família, o treinador, o presidente e os companheiros de equipa acompanharam esse momento ‘difícil’, com muitas lágrimas. Houve no entanto dois craques da equipa que não estiveram na conferência de imprensa: Messi e Luis Suárez. O Barcelona explicou que essas duas ausências se deveram a questões pessoais." Messi e Luis Suárez só têm perdão se o seu tema pessoal for algo de saúde de um familiar, mas enquanto não se souber que tema pessoal foi, digo uma coisa: o enorme Iniesta não merecia esta falta de respeito de ambos...

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES -- A um passo da grande final

O sorteio das meias-finais da Liga Europa meteu o meu Atlético Madrid no caminho do Arsenal e, por outro lado, o Marselha – uma equipa pela qual também tenho muito carinho, já que joguei lá – no caminho dos austríacos do RB Salzburgo. E depois dos jogos de quinta-feira da primeira mão de ambas eliminatórias, com o empate 1-1 dos espanhóis em Londres e a vitória por 2-0 no mítico Vélodrome dos franceses, tudo aponta a que a grande final desta edição de 2017/18 da Liga Europa possa ser entre duas das nove equipas em que joguei durante a minha carreira profissional. Oxalá seja assim!
 

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