Mais uma vergonha na FIFA

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Feliz, mas também estupefacto e indignado. Foi assim que me senti durante a Gala da FIFA, na passada segunda-feira. Fiquei feliz pelo Cristiano Ronaldo, considerado o melhor jogador do Mundo pela quarta vez. Mas também estupefacto porque, como amante do futebol, pensava que nunca mais se iria repetir o que aconteceu na Gala de 2005. Steven Gerrard, que era um dos nomeados para a Bola de Ouro, juntamente com Ronaldinho Gaúcho e Franck Lampard, não figurou no melhor onze da FIFA...

Recordo que, na altura, referi que só podia haver duas razões que justificariam tal vergonha. Ou enganaram-se a contar os votos ou a pessoa que controlava as votações era do Manchester United ou do Everton e odiava o jogador do Liverpool. Aquela situação ilógica, escandalosa e humilhante para um craque que estava entre os três melhores do Planeta não podia repetir-se. E assim foi... até à última segunda-feira. Infelizmente, doze anos depois, tudo voltou a acontecer.

Quando o Mundo se deparou com o melhor onze da FIFA, a polémica começou nas redes sociais e nos programas desportivos, principalmente em Espanha. A pergunta era óbvia: Como é possível que Griezmann seja o terceiro com mais votos para o troféu de melhor jogador e não figure no onze ideal da FIFA?

A resposta a esta questão, levantada principalmente pelos adeptos franceses e pelos adeptos do Atlético Madrid, é simples: o critério da votação e a contagem destes votos continuam a ser uma autêntica mentira. Contar 25 mil votos não deve ser nada fácil, mas também não deve ser nada difícil fazer alguma malandrice...

Como adepto do Atlético Madrid, sinto-me ainda indignado. Na terça-feira, no meu espaço ‘Los toques de Futre’, no jornal ‘Marca’, escrevi estas linhas que também devem ser partilhadas convosco, especialmente pelos portugueses-colchoneros, que não são poucos. "Depois de tantos anos de armadilhas e escândalos, nas Galas da FIFA, durante o reinado de Joseph Blatter, na segunda-feira foi a primeira entrega de prémios aos melhores do ano desta nova FIFA, comandada pelo novo presidente Gianni Infantino. Fiquei muito feliz quando Blatter deixou a FIFA e não tenho dúvidas que tudo vai mudar para melhor. Mas parece-me que onde ainda não houve mudanças foi nos artistas, que controlam as votações para o melhor onze da FIFA. Continuam a prejudicar os jogadores do Atlético Madrid. Hoje, continuo sem entender muitas destas injustiças, como por exemplo o que aconteceu na Gala de 2015, quando Thiago Silva e David Luiz foram eleitos para o onze titular da FIFA, depois da temporada normalíssima que fizeram e da derrota do Brasil, por 7-1, com a Alemanha no Mundial 2014. Na minha opinião, contaram mal os votos, porque ninguém podia imaginar que ambos estivessem no melhor onze e não figurasse lá o Diego Godín, que foi o melhor central daquele ano.

Meses antes, houve outra grande injustiça com outro jogador rojiblanco. Foi uma vergonha que Koke, um pilar fundamental do campeão da liga espanhola e vice-campeão da Europa, não figurasse entre os quinze centro-campistas candidatos ao onze da FIFA. Mas as injustiças para com os jogadores do Atlético continuaram. O ano passado, depois do excelente início de época de Griezmann, demonstrando que já estava entre os melhores jogadores do Planeta, o francês ficou fora da lista dos 23 candidatos à Bola de Ouro 2015. E a última grande injustiça aconteceu na segunda-feira, com a não inclusão de Griezmann no melhor onze da FIFA.

Em 2007, estavam quatro avançados, Cristiano, Messi, Drogba e Ronaldinho no melhor onze e este ano seria lógico que tomassem a mesma opção, repetindo o critério. O Luis Suárez foi o melhor goleador da liga espanhola, fez uma grande época e também merecia estar no onze, pelo que o sacrificado tinha de ser um médio-centro e nunca o Griezmann. Os artistas que controlam as votações da FIFAPro, com os seus erros na contagem dos votos ou com a sua má-fé, voltaram a insultar o futebol, a faltar ao respeito a um grande clube, como é o Atlético Madrid, e a humilhar o terceiro melhor jogador do Mundo. Espero que o presidente Gianni Infantino, na Gala do próximo ano, já se tenha visto livre destas personagens da sua organização".

CALDEIRADA DA SEMANA -- Piqué e os árbitros

Gerard Piqué tem feito declarações pouco ponderadas sobre os árbitros. Há muito tempo não via um jogador do Barcelona tecer este tipo de considerações.

Em Portugal, não falar dos árbitros quando ganhas e criticares quando perdes é o pão de cada dia. Mas em Espanha, não. Ele joga na melhor liga do Mundo, mas, ultimamente, parece que está a atuar na liga portuguesa... Em 2011, quando o Barça ganhava facilmente todos os jogos, disse esta frase : "Nós não falamos dos árbitros, só de futebol"... Nos últimos quinze dias, inverteu o discurso: "Já vimos o que passou no Real Madrid-Sevilha. " Já sabemos como funciona isto"ou "cada semana os árbitros dão-me mais razão".

NÓS LÁ FORA -- Sem palavras

Segunda-feira foi outro grande dia para o futebol português. O ‘Bicho’ conseguiu mais um prémio de melhor jogador do Mundo e eu já não tenho mais palavras para elogiar este autêntico mito, esta lenda viva. Impressionante! Brutal! Espetacular! Maravilhoso! Gigantesco! Incrível! Excelente! Único! Todas estas palavras já ficam curtas para elogiar o percurso que está a fazer o Cristiano Ronaldo. Enquanto não inventarmos outras expressões, a expressão correta para definir este fenómeno é: "Sem palavras, Cristiano!"

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES --Este dia chegará

Em 1987, quando cheguei a Espanha, os três presidentes dos grandes clubes eram muito carismáticos e adorados pelos seus adeptos, mas também eram tremendamente polémicos. O que empatasse ou perdesse, fazia declarações incendiárias contra tudo e contra todos e o clima ficava insuportável. Recordo-me destes episódios, porque, depois das críticas do Piqué aos árbitros, o diretor-executivo do Barcelona, Oscar Grau, com o presidente Bartomeu a seu lado, disse que já tinham pedido aos capitães de equipa para não fazerem mais declarações sobre os árbitros. Esta frase era proibida nos grandes clubes nos anos 80 e 90. Tenho esperança que, um dia, o mesmo aconteça no futebol português!

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