Muito mais do que um clássico

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Depois do empate do FC Porto, na semana passada, no Estádio do Bonfim, frente ao V. Setúbal, fiz esta pergunta a mim próprio: - Na liga portuguesa, quantas equipas ganharam o campeonato depois de estarem a oito pontos do líder? Na Península Ibérica, tenho bons amigos jornalistas que são também historiadores de futebol e adoro ouvi-los. Posso estar horas na conversa que não me canso. É um privilégio falar com eles, já que sabem tudo relacionado não só com o futebol nacional, mas também internacional. Sinto uma grande admiração por eles.

Se perguntas a estes ‘craques’, por exemplo, qual foi o resultado do Sporting-Belenenses de 1961, tens a resposta em cinco segundos. Dizem-te o resultado, quem fez os golos e os minutos em que foram marcados. Com uma chamada telefónica para um deles, em poucos segundos teria a resposta à minha questão. Mas não liguei para ninguém.... Esta era a minha grande oportunidade de me sentir um historiador!

Na quinta-feira, iniciei as minhas pesquisas no Google e comecei pela época 1995/96, o primeiro ano em que a vitória começou a valer três pontos... Nenhuma equipa conseguiu ganhar o campeonato depois de estar com uma desvantagem de 8 pontos. Com 7 pontos de diferença do líder só em duas ocasiões, nestes 20 anos, aconteceu o pequeno milagre. O primeiro foi o Sporting em 1999/00. Depois de um dececionante início de liga, o italiano Giuseppe Materazzi foi despedido e chegou para o seu lugar Augusto Inácio. Os leões, à sétima jornada, estavam a 7 pontos do líder que era o Benfica. Fizeram uma recuperação espetacular e acabaram por ser campeões naquela época. E a segunda foi o ano passado e também com os dois gigantes de Lisboa como protagonistas. Só que desta vez quem recuperou os 7 pontos de desvantagem e acabou por ganhar o campeonato foi o Benfica.

Na sexta-feira, comecei a pesquisar de 1995/96 para trás, mas sabia que era uma perda de tempo. Se com a vitória a 3 pontos nenhuma equipa tinha recuperado uma desvantagem de 8 pontos, recuperar esta diferença valendo 2 pontos a vitória, era necessário ter existido um verdadeiro milagre, o que não aconteceu .

Em 1976/77 esteve quase. O Sporting dispôs de uma vantagem de 6 pontos sobre o Benfica e as águias acabaram por ganhar o campeonato. Pelas minhas pesquisas em toda a história do futebol português, nenhuma equipa ganhou o campeonato depois de estar a oito pontos do líder. Mas , ontem, tive de perguntar aos verdadeiros historiadores... e confirmaram-me que as minhas pesquisas estavam corretas e que fizera um bom trabalho.

Automaticamente, troquei o chip de historiador, recuei no tempo e voltei mentalmente a entrar no balneário do FC Porto. Na época 1985/86, no primeiro jogo da segunda volta, jogávamos no Estádio da Luz. Se perdêssemos aquele clássico ficávamos a 4 pontos do Benfica e dizíamos praticamente adeus ao título. Naquela altura, com a vitória a valer 2 pontos, necessitávamos de um milagre para recuperar os 4 de desvantagem.

Eu tinha 19 anos, estava no balneário do FC Porto, ia ser titular e sentia-me mais assustado que nunca. Estar tão longe do líder em janeiro é um autêntico pesadelo para uma grande equipa. Felizmente, conseguimos empatar e acabámos por ganhar o campeonato.

Hoje, no Estádio do Dragão, a tensão, o nervosismo, a ansiedade e o medo dentro do balneário do FC Porto serão iguais ou muito parecidos aos sentimentos que vivi, eu e os meus companheiros, naquele dia em Lisboa. Para os jogadores do FC Porto, o clássico de hoje é muito mais que um clássico. Eles sabem melhor do que ninguém que, se são derrotados esta tarde pelo o Benfica, ficam a 8 pontos das águias e perdem o campeonato no dia 6 de novembro de 2016. Viverão um autêntico pesadelo até ao último dia da liga. Para os craques do Nuno Espírito Santo, hoje é um clássico de vida ou morte.

CALDEIRADA DA SEMANA -- Playboy ou Kaká

Quando um jovem jogador chega ao balneário de uma grande equipa, muitas vezes, por uma ou outra razão, tem de escolher o seu grupo. Alguns passam por situações desagradáveis, como foi o caso de Alexandre Pato quando chegou ao Milan. O brasileiro fez, aliás, esta semana declarações curiosas sobre o assunto. "Estava sentado no balneário entre Ronaldo e Maldini e em frente tinha o Kaká. Num dos primeiros dias, o Ronaldo mostrou-me uma revista ‘Playboy’ e perguntou-me se queria entrar no seu grupo ou se preferia ir para o grupo de Kaká, mostrando-me alguns objetos religiosos"... Grande caldeirada para o jovem Pato!

NÓS LÁ FORA -- Cristiano Ronaldo

Na semana passada, o ‘Bicho ‘ esteve mais uma vez em plano de grande destaque. Depois da lesão que sofreu no último Campeonato da Europa, voltou e – de que maneira! – ao seu melhor. Marcou três golos frente ao Alavés e assinou mais uma grande exibição. O melhor do Mundo está de volta!!! Muitos parabéns, grande campeão!

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES

Sempre fui um jogador de grandes jogos e adorava os clássicos. Na minha etapa ao serviço do Atlético Madrid, amava jogar contra o Barcelona no Vicente Calderón... mas também no Nou Camp!

Atuar perante 120 mil culés dava-me uma ‘pica’ do outro mundo e naquele mítico estádio fiz dos melhores jogos da minha carreira. Num deles abri o livro de tal maneira que saí do campo aplaudido por todos os adeptos do Barcelona. Nunca tive medo daqueles palcos, porque a adrenalina e a pressão que sentia nos muitos clássicos que joguei entre o FC Porto-Benfica, e vice-versa, era igualmente de tensão máxima.

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