O adeus de um grande campeão

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A decisão da retirada é dos momentos mais cruéis. Para um futebolista, o dia em que decide arrumar as botas é simplesmente horrível!...

Quando estava em Inglaterra, e era jogador do West Ham, queria continuar a jogar, queria continuar a fazer grandes jogadas e a marcar golos… Mas o meu joelhinho, depois de três operações, já não estava para grandes andamentos e apontava no sentido contrário.Com 30 anos, depois de 15, como profissional, tocou-me aquela terrível decisão.

Em dezembro de 1996, vários dias depois de ter anunciado a minha primeira retirada dos relvados, fui a um programa desportivo da SIC. Quando estou a ser entrevistado, o presidente do Atlético Madrid, Jesus Gil y Gil, telefona e entra em direto. Fala no seu estilo inconfundível, para o país inteiro ouvir, e faz-me um convite irrecusável: "Paulo, quero que sejas a imagem internacional do Atlético Madrid e também fazer-te a homenagem que mereces no Estádio Vicente Calderon..."

Cheguei ao Atlético Madrid em 1987, tinha 21 anos, e lá permanecia até 1993. Senti um orgulho incrível ao ouvir aquelas palavras em direto do presidente colchonero e a minha decisão só podia ser uma, aceitar, como assim o fiz.

Semanas depois, a 19 de jam neiro de 1997, num jogo para o campeonato entre o Atlético Madrid e Real Madrid, recebo a homenagem mais bonita da minha vida. O clube atribui-me a insígnia de ouro e brilhantes, a distinção máxima que um futebolista pode receber de um clube espanhol. A cerimónia foi no círculo central do Estádio Vicente Calderón, completamente cheio, cinco minutos antes de começar o dérbi!

Entro no relvado com o presidente e com os meus filhos, Paulinho e Fábio, que, na época, tinham oito e sete anos, e perseguido por toda a imprensa. Câmaras de filmar por todo o lado e mil e um flashes dos repórteres fotográficos.... Quando os meus ouvidos voltam a escutar aquele cântico da ‘aficion’ colchonera, quatro anos depois de abandonar o clube ‘Paulo, Paulo, Futre, Futre’... Foi incrível!

Não consigo explicar por palavras as sensações únicas e maravilhosas que vivi naquela noite de inverno em Madrid. Quando cheguei a casa, depois do jogo, vi as imagens da homenagem e fiquei paralisado por alguns segundos.

O meu primeiro dérbi foi no Santiago Bernabéu e teve um resultado histórico. Ganhámos, 4-0, fiz duas assistências, um golo e, a partir daquele dia, comecei a ser o inimigo número 1 para os adeptos do Real. Por esta razão, o mais normal era que os três ou os quatro mil adeptos merengues presentes começassem a assobiar e a insultar como sempre fize ram. Com o ruído que havia no Estádio não me apercebi de nada na altura. P or isso fiquei em choque quando vi as imagens dos adeptos do Real a aplaudirem-me! Foi a última sensação forte e inesperada que senti naquele dia inesquecível!

Recordo-me desta história porque esta semana chegou a hora de o Luisão dizer adeus, aos 37 anos. Este campeão chegou ao Benfica em setembro de 2003, com 22 anos. Pelo que me dizem, e não tenho nenhuma dúvida, meses depois de chegar a Lisboa já era um dos líderes do balneário e assim continuoudurante 15 anos, tornando-se o grande capitão e um autêntico líder do plantel dentro e fora do campo.

Jogou a barbaridade de 538 partidas e ganhou 20 títulos, 6 Campeonatos, 3 Taças de Portugal, 4 Supertaças e 7 Taças da Liga. Se para um jogador nacional, seja em que país for, tem um mérito impressionante terminar a carreira num grande clube com estes números de jogos e títulos, para um estrangeiro como o Luisão muito mais mérito tem. E digo por experiência própria, porque fui 11 anos estrangeiro naEuropa e Ásia.

Luisão foi homenageado esta semana pelo seu presidente, equipa técnica e companheiros. Mas, por tudo aquilo que ele fez, faltou o calor dos adeptos benfiquistas. Se há um jogador que merece viver as sensações únicas, como eu vivi naquele 19/01/1997 em Madrid, ele é Luisão. No relvado de um Estádio da Luz cheio a aplaudi-lo e a gritar pelo seu nome. Muitos parabéns, Luisã, pela carreira espetacular que fizeste!

CALDEIRADA DA SEMANA -- Até Blatter votaria em CR7

Em agosto, depois da gala da UEFA, escrevi: "Não tenho dúvidas de que o Modric fez uma excelente época e um excelente Mundial, mas ganharia o prémio ao melhor da Europa se o CR7 continuasse no Real? Na minha opinião, nunca ganharia. E se ganhou é porque o novo inimigo do Cristiano tem muita força na FIFA e na UEFA. Chama-se Fiorentino Perez ". Na segunda-feira, foi a gala ‘The Best’. Pior ainda. Acho que nem o ex-presidente da FIFA Joseph Blatter, que odiava o Cristiano, tinha coragem de dar o prémio para o melhor golo do ano a Salah, depois daquela obra de CR7 à Juventus. Voltaram as galas da vergonha!

NÓS LÁ FORA -- Brilhante, André!

André Silva está a ter um início de época de sonho na liga espanhola. Em seis jornadas, o internacional português fez 6 golos, e antes daronda deste fim de semana, era o melhor marcador do campeonato. Logo na primeira jornada, três dias depois de chegar a Sevilha, fez um hack trick, frente ao Rayo Vallecano, em Madrid. Na quinta ronda, marcou frente ao Levante, e, na 6.ª, fez algo que todos os goleadores, sejam eles espanhóis ou estrangeiros, sonham fazer quando jogam contra o Real Madrid. Na quarta-feira, o Sevilha jogou no Sanchéz Pizjuán, com os merengues, ganhou, por 3-0, e o nosso craque. Brilhante, André!

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES -- Milan, um desastre

Como sempre digo, foi uma honra ter jogado no AC Milan. No dia que assinei contrato com os rossoneri, e que ia ser um dos seis estrangeiros (em 1995 só podiam estar três estrangeiros em campo) do plantel, senti um orgulho incrível, porque aquela equipa, na época liderada pelo presidente Berlusconi, era a número um do Mundo. Ganhei um grande carinho pelo clube. Nestes últimos anos, o AC.Milan tem sido um autêntico caos e tudo indica que este ano será pior ainda. Antes da jornada deste fim de semana, o AC Milan era o 14º classificado, apenas 2 pontos acima da ‘linha de água’. Que desastre!

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