Dentro do Balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

O dono da Bola de Ouro 2016/17

"Aborrece-me que digam que baixei de rendimento e que, por isso, a equipa baixou de rendimento. Se todos estivessem ao meu nível, estaríamos em primeiro. Parece que estou uma mer..., mas os números não enganam, as estatísticas não enganam." Estas declarações de Cristiano Ronaldo foram proferidas a 27 de fevereiro, a quente, na zona mista, após a derrota com o Atlético Madrid. Era a 26.ª jornada da liga espanhola e o Real tinha dito adeus ao título. Com aquelas palavras polémicas o craque português foi criticado em todo o Mundo e horas depois tentou acalmar o ruído. "Quando disse isso [se todos estivessem ao meu nível, estaríamos em primeiro] referia-me ao nível físico, não de jogo. Não sou melhor do que nenhum dos meus colegas", afirmou.

Mas não conseguiu serenar os ânimos e as críticas continuaram. Era um momento negro e frustrante para um campeão como é o Cristiano. A nível coletivo já tinha perdido o campeonato e a Taça do Rei e a nível individual ninguém, naquele momento, apostava que o português pudesse ganhar a Bola de Ouro 2016/17. O troféu parecia já ter dono: Leonel Messi, que estava a viver um momento de sonho.

Naquela mesma jornada 26, o Barcelona ganhou ao Sevilha (2-1) e Messi fez o primeiro golo, deixando uma vantagem de 12 pontos sobre o Real. Nas três rondas seguintes os culés ganharam por goleada, marcaram 15 golos, só sofreram um e Leo fez mais seis tentos. O argentino estava em grande, o Barça parecia invencível e tudo apontava que iam ganhar novamente todas as competições... como no ano passado.

Naquele momento via o treinador do Barcelona, Luis Enrique, a fazer poucas rotações e o trio de ouro – Messi, Neymar e Luis Suárez –, homens que fazem a diferença e ganham títulos, já tinham feito uma barbaridade de partidas em 2016. Jogavam sempre. E ainda tinham de viajar aos seus países de origem para disputarem dois jogos de qualificação para o Mundial’2018. Muitas vezes (e especialmente no final da época) as viagens longas podem cansar mais fisicamente que o próprio jogo e eles não são máquinas.

Na altura escrevi estas linhas no jornal ‘Marca’, no meu espaço ‘Los toques de Futre’: "Há dois anos os culés também estavam a fazer uma época excelente. Por esta altura também já estavam na final da Taça do Rei e nos oitavos-de-final da Champions League, eliminando facilmente o Manchester City. Tudo indicava que seria outro ano de êxitos para aquele Barcelona, mas chegou o mês de abril e a gasolina acabou nos últimos dois meses, que é onde se decide tudo. Fisicamente caíram a pique e nos quartos-de-final da Champions foram eliminados pelo Atlético Madrid. Na final da Taça perderam contra o Real e a Liga terminou com outra deceção, quando inacreditavelmente empataram os últimos três jogos e perderam o campeonato. O último foi em Camp Nou contra o meu Atlético Madrid e aquele empate deu nos o título."

E chegou o mês de abril e o Barcelona, tal como aconteceu em 2014, ficou sem gasolina. Foram eliminados da Champions e no campeonato, nos últimos três jogos, perderam oito pontos e tudo pode acontecer. Com o Real a quatro pontos e o Atlético a três... se não recuperam física e animicamente da eliminação também poderão perder a liga.

Menos de dois meses depois daquela frase do Cristiano a situação mudou radicalmente. Hoje é o Messi e o Barcelona que estão em crise e o nosso génio português, com o seu caráter ganhador e de ferro, deu a volta à situação. E de que maneira! A exibição que fez o bicho na terça-feira foi mágica e memorável. Sozinho destroçou o Wolfsburgo e com os seus três golos meteu o seu clube nas meias-finais. Para muitos foi uma das maiores exibições individuais na história do Real Madrid. Para muitos outros, onde me incluo, depois do golo que fez em Barcelona e que deu a vitória ao Real e deste jogo impressionante com os alemães... não tenho dúvidas que se faz um bom campeonato da Europa em França, o dono da Bola de Ouro 2016/17 será o Cristiano Ronaldo.

Caldeirada da semana: Dani Alves outra vez

O Barcelona era o grande favorito para ganhar novamente a Champions, mas na quarta-feira, na segunda mão dos ‘quartos’, perdeu por 2-0 e foi eliminado pelo Atlético Madrid. Foi uma noite negra para os culés. Será uma ferida que tardará em cicatrizar e uma vez mais o Dani Alves passou os limites. O brasileiro, pouco mais de 24 horas depois da deceção, meteu um vídeo no Instagram com uma peruca imitando a sua namorada e disse: "É só um jogo de futebol. Não acontece nada, a vida segue". Esta brincadeira de mau gosto caiu como uma bomba em Barcelona e muitos culés ficaram e estão indignados. Grande caldeirada que provocaste, Dani!

Nós lá fora: Fábio Coentrão

Depois do calvário que passou entre lesões e momentos menos bons no Real Madrid, Fábio Coentrão começava a ser o jogador que todos conhecemos no Monaco de Leonardo Jardim e estava a fazer uma boa época, em que tudo apontava vir a ser uma peça importante no Euro de França. Mas em fevereiro voltaram o azar e as lesões. Primeiro foi um problema no pé esquerdo que o afastou dos relvados por várias semanas e agora recebemos a péssima notícia que teve uma rotura muscular que o obriga a ser operado e perder o Euro. Grande galo. Força para este momento horrível que estás a passar, campeão!

Álbum de recordações: Grande Cholo Simeone

Na quarta-feira o meu Atleti teve outra noite de sonho, eliminando o máximo favorito para ganhar a Champions nos quartos-de-final como em 2014. Não há palavras para o trabalho que o Cholo Simeone está a fazer desde que chegou ao clube, em dezembro de 2011. Recordo-me que o Atlético estava a quatro pontos da descida e tinha sido eliminado da Taça por uma equipa da 2.ª Divisão B. O clube era um caos e o Cholo deu a volta à situação. Já ganhou todos os títulos e só lhe falta a Champions que injustamente perdeu por um minuto em 2014. Hoje está a três jogos do sonho, e se há algum treinador que merece a Champions, este é o Cholo Simeone!

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