O drama de Álvaro Domínguez
A Medicina Desportiva melhorou muito nos últimos 30 ou 40 anos, mas parece que o Borussia Moenchengladbach continua na década de 60 ou 70 do século passado. Nunca podia imaginar que, nos dias de hoje, ainda se pudesse passar algo tão horrível na alta competição como aquilo que o Álvaro Domínguez está a viver. Quando o ex-jogador do Atlético Madrid anunciou, há duas semanas, a sua retirada do futebol, aos 27 anos, foi um choque para mim, pois tenho um grande carinho por ele.
Fiquei chocado quando ele explicou , numa entrevista ao diário espanhol ‘Marca’, o filme de terror que passou na Alemanha. Continuo sem palavras... Na terça-feira, no meu espaço ‘Los toques de Futre’, no mesmo jornal, escrevi estas linhas que pretendo partilhar convosco.
Quando um miúdo chega aos iniciados do Atlético Madrid, tem dois grandes sonhos: ser um dia titular na primeira equipa e tornar-se capitão. É algo muito difícil de concretizar. Em toda a história do clube, muito poucos jogadores da formação conseguiram realizar estes dois sonhos. O nosso atual capitão, Gabi, alcançou tal proeza, mas só houve mais dois jogadores da formação colchonera que o conseguiram com menos de 23 anos, e isto são palavras maiores. Um deles foi o Fernando Torres e o outro, precisamente, o Álvaro Domínguez, que ganhou duas edições da Liga Europa e uma Supertaça Europeia. Foi um importantíssimo pilar para a equipa, que, na altura, era dirigida por Quique Flores.
Em 2012, foi transferido para o Borussia Moenchengladbach, mas ficou no coração de todos os colchoneros, que, tal como eu, não escondem a tristeza com a história de um jogador que abandona a carreira aos 27 anos, porque corria o risco de ficar inválido. "Em maio de 2015 deixei de jogar devido às dores que sentia nas costas. Fizeram-me uma ressonância magnética e disseram-me para não me preocupar, que me infiltravame que passava, sem nunca me revelarem a gravidade da minha lesão. Ainda emmaio, antes de um jogo contra o Hertha, fiquei com a parte dorsal bloqueada. Nem podia andar. O médico infiltrou-me e disse-me que isto podia acontecer a qualquer jogador. Eu confiava totalmente nele, mas a verdade é que não podia sequer subir as escadas do avião", refere, na entrevista
Domínguez prossegue a descrição deste filme de terror: "A única coisa que me aliviava a dor era estar na cama. No campo era um profissional e fora dele um inválido. Com o passar do tempo, tive de começar a pedir aos meus amigos que me fizessem as compras e a comida (...) Depois de dez jogos, decidi procurar uma solução fora do clube. Fui ao dr. Wohlfahrt Müller, que é um especialista. Quando ele viu todos os exames médicos (radiografias, ressonâncias, etc.) disse-me que tinha de ir para a sala de operações... Tinha três hérnias lombares selvagens...
Reuni-me com o treinador, o médico e o vice-presidente e expliquei-lhes a gravidade da lesão e que podia ter ficado paralítico. Eles, ainda assim, pediram-me que deixasse a operação para o Natal. Neguei, porque não podia nem andar, e fui operado... "
E a história chega ao fim... sem um final feliz. "Na segunda operação, disse aos médicos que não pensasse que era jogador profissional e que me tirassem a dor. Puseram-me duas próteses, sabendo que nenhum futebolista conseguia jogar assim. Mas aliviaram-me a dor e agora posso levar uma vida normal. Quando disse aos responsáveis do Borussia que ia retirar-me, o diretor-desportivo respondeu-me que talvez não tivessem dado a suficiente importância à lesão, mas o médico não reconheu o erro e nunca me pediu desculpa. Eu ofereci a minha saúde pela equipa e eles só pensavam em poupar seis semanas do meu salário",
Que vergonha de gente!!! Álvaro, sinto muito por tudo o que tens passado. Tens de continuar a denunciar estes incompetentes, por por todas as barbaridades que te fizeram. Tudo o que precises da minha parte, estarei aqui.
A entrevista termina desta forma: "Adorava continuar ligado ao futebol"... Quero, por isso, dizer ao presidente Cerezo e ao diretor-geral Miguel Angel Gil que, se há um ex-jogador colchonero que merece ter um cargo na estrutura do clube, esse é o Álvaro Domínguez.
Caldeirada da semana -- Liga chinesa
Depois da oferta de 23 milhões de euros de uma equipa chinesa por Carlos Tévez, a Sky Sports avançou com esta notícia:"O Hibei Fortune junta-se ao leilão por Leo Messi. A equipa treinada por Manuel Pellegrini, velho conhecido da liga espanhola, oferece ao argentino um contrato de cinco anos por um valor de 500 milhões de euros, o equivalente a 100 milhões de euros limpos por temporada" Enfim, mais do que uma caldeirada é uma loucura. Cada vez tenho menos dúvidas que dentro de poucos anos os melhores jogadores do Mundo estarão a jogar na China... E a liga chinesa será a mais vista do planeta.
Nós lá fora -- Cristiano Ronaldo
O ‘Bicho’ continua a orgulhar todos os portugueses. Recebeu esta semana a quarta Bola de Ouro! É obra... Já não tenho palavras para descrever o que o nosso génio continua a fazer. Até o próprio Zidane já diz que o Ronaldo pode vir a ser o melhor jogador de sempre do Real Madrid. Parabéns, grande campeão!
Álbum de recordações -- AC Milan
Estamos a chegar ao Natal e os rossoneri, antes desta jornada, estavam em terceiro lugar a sete pontos do líder, que é a Juventus (ontem, empataram a zero com a Atalanta). Parece que o AC Milan, pouco a pouco, está a sair do pesadelo que viveu nos últimos anos. Há várias épocas que este gigante italiano, onde tive o privilégio de jogar e ser campeão, nem à Liga Europa vai. Mas, por este caminho, no próximo ano podem estar na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais tarde ou mais cedo, voltarão aos êxitos e a ganhar títulos como sempre fizeram em toda a sua grandiosa história.
