O meu ídolo merecia o título
Quando a Seleção Nacional de futsal ganhou ao Azerbaijão e se qualificou para as meias-finais do Campeonato do Mundo, na Colômbia, fiquei ainda mais esperançado que Portugal ia conquistar o torneio e que o melhor jogador do Mundo, Ricardinho, teria o merecido prémio, semelhante ao que o outro melhor jogador do Mundo, Cristiano Ronaldo, conseguiu no Europeu de França.
Sou um grande amante de futsal. Durante a minha infância e parte da adolescência passei os dias a jogar futebol de salão (como se chamava na altura) no parque do Montijo. Como tinha habilidade, aos 13 anos já representava os seniores do Cancela, que, na época, era a melhor equipa do distrito de Setúbal. Ganhavam quase sempre os grandes torneios.
Todos os jogadores das camadas jovens do Sporting estavam proibidos de jogar futebol de salão, mas eu tinha tanta paixão e prazer pelo jogo, que, durante dois anos, ignorei esta regra do clube e continuei no Cancela. Neste período, contraí várias entorses e, quando chegava ao Estádio de Alvalade, apresentava sempre a mesma desculpa. Dizia que tinha caído nas escadas da minha casa. Como a utilizei várias vezes, os diretores do Sporting deixaram de acreditar nestas histórias. Sempre que sabiam que tinha estado no futebol de salão, punham-me de castigo no centro de estágio durante várias semanas, só para não ir ao Montijo.
Além de tudo isto, existia também a proibição do meu pai, que me dava broncas. Por estas duas razões, tive de terminar a minha carreira nos pavilhões. Tinha 15 anos e custou-me imenso, pois adorava jogar futebol de salão e sabia que nunca mais poderia fazê-lo.
Não podia jogar, mas a minha paixão pelo o futebol de salão, e mais tarde pelo futsal, continuou até hoje. Ao longo dos anos, tive dois ídolos em épocas diferentes. Ambos esquerdinos.O primeiro foi o Paulo Roberto. Em 1989, dois anos depois de ter chegado ao Atlético de Madrid, começou a liga espanhola de futsal e fiquei de boca aberta quando o vi jogar pela primeira vez. Torcia pelo Interviú, porque era de Madrid, mas, passado pouco tempo, mudei para El Pozo Murcia, porque era a equipa do Paulo Roberto. Tratava-se de um verdadeiro génio e que hoje é considerado um dos melhores jogadores da história do futsal .
E o segundo também já está no olimpo deste desporto. É o meu querido amigo Ricardinho. O Mágico, pelos seis golos que fez no segundo jogo do Mundial, contra o Panamá; pelo que fez na terceira partida, com aquele ‘cabrito’ maravilhoso sobre o seu adversário, na jogada do 5.º golo de Portugal contra Usbequistão ( sem dúvida que foi um dos momentos mais geniais de toda a competição); pelos dois golos espetaculares na vitória, nos oitavos-de-final, por 4-0, contra a Costa Rica; e pelo golo monumental com a parte de fora da tíbia, contra o Azerbaijão, que acabou com a vitória de Portugal, por 3-2, num lance que foi uma autêntica obra de arte e um dos melhores golos do Mundial. Por todos estes motivos, e muitos outros, este estava a ser o Mundial do génio Ricardinho, que merecia mais do que ninguém o título de campeão do Mundo.
No intervalo do jogo das meias-finais, Portugal estava a perder, por 4-1, com a Argentina, mas eu tinha uma pequena esperança de que íamos operar uma reviravolta histórica. Infelizmente, não foi assim. O Mágico e os seus companheiros não tiveram um bom dia e perderam o jogo. Naquela madrugada, fiquei triste por Portugal ter perdido e, especialmente, por causa do meu ídolo...
Depois, voltou o otimismo. O Ricardinho disputou três Mundiais. O primeiro foi em 2008, no Brasil. Portugal não passou à segunda fase. Em 2012, na Tailândia, melhorámos e chegámos aos quartos-de-final. Neste, na Colômbia, demos mais um passo e chegámos às meias-finais. No próximo, temos de dar o passo seguinte e seremos campeões. Ricardinho terá 35 anos, uma idade nada exagerada, pois a maioria dos jogadores de futsal termina a carreira entre os 38 e 40 anos.
Talvez seja a última oportunidade para ganhar algo tão grande com Portugal e terminar a carreira como Deus manda. O fenómeno Ricardinho, por tudo o que fez pelo futsal a nível mundial, merece mais este título do que qualquer outro jogador. Muita força, ídolo!
Caldeirada da semana -- Animais voltaram
As imagens que os canais de televisão transmitiram, na época passada, dos hooligans holandeses do PSV a humilharam os mendigos em Madrid ainda estava presente na mente de qualquer ser humano. Foi das imagens mais revoltantes que vi até hoje, relacionadas com o futebol. Mas, infelizmente, os animais voltaram a Madrid. Desta vez, foram os hooligans do Bayern Munique. A polícia espanhola finalmente reagiu e os animais estão agora a ser investigados, podendo o clube alemão ser penalizado. Esperemos que seja o primeiro passo para que estes animais comecem a ter um comportamento mais digno!
Nós lá fora -- Nani
Quando uma equipa está num momento complicado, e entra numa dinâmica perdedora, necessita mais do que nunca que os seus grandes jogadores apareçam.O Valencia estava nesta situação e o craque apareceu.Neste último fim-desemana, os chés perdiam, 1-0, em casa do Leganés, e o Nani, com a sua qualidade e caráter, ganhou o jogo sozinho. Fez o golo do empate e a assistência para o segundo tento. Três pontos de ouro para o Valencia , num momento difícil, graças ao português que esteve em grande. Parabéns, campeão!
Àlbum de recordações -- Rummenigge
O CEO do Bayern Munique, Karl-Heinz Rummenigge, fez declarações polémicas na época passada: "Em jogos como o Atlético de Madrid-PSV viu-se a diferença de qualidade destas equipas em comparação com a Juventus, que agora está eliminada. Temos que discutir esta situação na UEFA", disse. Semanas depois, foi eliminado pelo meu Atlético de Madrid na Champions, pois aquela frase mexeu no orgulho dos colchoneros. Quarta-feira, em Madrid, houve novo confronto e, na véspera, Rummenigge mudou o discurso, afirmando que o Atlético era um dos melhores clubes da Europa. Passou de arrongante a cínico e pagou bem caro com outra derrota.
