O mito que me fez chorar de madrugada

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Na passada sexta-feira a vila de Alcochete recebeu a 3.ª edição do Meeting Desporto, onde estive presente , e foi muito especial para mim por cinco motivos:

1.º Pelo facto de estar de estar a jogar em casa. O Montijo e Alcochete são a minha zona.

2.º Porque o organizador deste evento (Carlos Miguel) , jogou comigo nos iniciados do Sporting.

3.º O moderador do meu painel era, nem mais , nem menos , o diretor de Record, António Magalhães.

4.º Porque um dos meus companheiros de painel era o Bessone Basto, um desportista único, que consegue ter ainda mais histórias do que eu.

5.º Não foi especial, mas sim uma honra enorme, estar no mesmo painel e sentado ao lado do mito e lenda do atletismo mundial, o gigante Carlos Lopes.

Depois da primeira pergunta feita por António Magalhães a Bessone Basto e Carlos Lopes , olhou para mim e disse-me : "Uma vez que o país, desde 4.ª feira, fala da história que contaste na CM TV, com Cristiano Ronaldo e Nani em Manchester, podes contar-nos mais daquela noite na discoteca em Manchester?"

Antes de responder à questão pedi para que me deixassem dizer o seguinte: "Todos nos lembramos onde estávamos a 11 de setembro 2001, aquando do atentado terrorista às Torres Gémeas. Mas também sabemos onde estávamos naquela madrugada de 13 de agosto de 1984, quando este mito que está aqui ao meu lado ganhou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Algo inédito para o nosso país."

Recordo-me que estava em estágio na Suíça, com o FC Porto, e o meu companheiro de quarto era o Jaime Magalhães. Quando o mito cortou a meta, com a emoção, comecei a chorar de alegria. E senti um orgulho imenso em ser português.

O Bessone, antes, na sua primeira intervenção, disse que a política e o desporto nunca andaram de mãos dadas. Recordei-me de que, ao entrar no auditório, encontrei o meu querido amigo Alexandre Miguel Mestre, ex-secretário de Estado do Desporto e Juventude, e fiz esta pergunta a um dos muitos jovens presentes no auditório: "Conheces este senhor [Carlos Lopes] que está aqui ao meu lado? Já ouviste alguma vez falar dele?" O miúdo deveria ter 15/16 anos e respondeu: "Não, não conheço, nem nunca ouvi falar."

Por muito que estivesse à espera daquela resposta, foi um choque tremendo. Não só para mim, mas também para aqueles que estavam no auditório e viveram aquele momento histórico em 1984. Fiz uma pausa de vários segundos e continuei. "Na minha opinião, por tudo o fez por Portugal, a história de Carlos Lopes deveria ser contada na escola primária ou no ensino básico, para que nunca fosse esquecida. Ele foi um exemplo, uma referência e uma inspiração para mim, para a minha geração e para as seguintes. Os feitos de Carlos Lopes jamais poderiam ser esquecidos ,mas infelizmente não é assim."

Esta frase seguinte não disse no auditório mas digo aqui. Senhores políticos: a maioria de vocês, quando Carlos Lopes cruzou a meta em 1984, eram adolescentes e não tenho dúvidas de que muitos – para não dizer todos – ficaram felizes e orgulhosos em serem portugueses. Alguns, como eu, terão chorado de emoção. Como pode ser possível que um miúdo de 15 anos, a sua geração e talvez as anteriores, não saiba quem é o Carlos Lopes? Ou pior: nunca ouviram falar no nome do homem que nos fez chorar de alegria. Que tristeza e deceção senhores políticos!

Mudando de assunto. Estou perto do fim, mas ainda dá para a parte final da minha resposta à pergunta do diretor. Foi mais menos assim: "António, estou revoltado pelo mal que estão a fazer ao Cristiano e como disse na 4.ª feira, metia, meto e sempre vou meter as mãos no lume pelo que está a ser acusado. O que vi naquela noite nunca tinha visto. Eis um detalhe que não contei no programa: Assim que viram o Cristiano entrar na discoteca, o assédio foi de tal maneira que não foi nada fácil chegar à zona VIP. Houve um momento em que pensei que se o ‘bicho’ fosse à casa de banho – era longe da zona onde estávamos – e sem segurança, tudo poderia acontecer..."

No Japão não se brinca

Li esta notícia durante a semana: "O Vissel Kobe, de Andrés Iniesta, anunciou que suspendeu por um mês o defesa Shunki Takahashi por passar a um amigo a informação de que o médio ex-Barcelona não ia participar num dos jogos da equipa. Amigo este que, depois, partilhou a notícia no Twitter."

Parece um castigo exagerado, mas como joguei no Japão, não me surpreende esta atitude do clube em causa, visto que a disciplina é ponto de ordem na cultura japonesa. Lá não se brinca...

O míster do mês

A semana passada, nesta mesma caixa, falei no mérito do Wolverhampton que na época passada estava na segunda divisão inglesa e agora colocou na convocatória da Seleção Nacional, juntamente com o Benfica , o maior numero de jogadores (3).

Esta semana volto a falar no Wolverhampton e no seu treinador, Nuno Espírito Santo, pelo facto de na Premier League, onde estão muitos dos melhores treinadores do Mundo, ele ter sido considerado o mister do mês. Impressionante...

Parabéns, 'Luvas Pretas'

Nos anos 70, 80 e início da década de 90 (até surgir a Lei Bosman), nas grandes ligas europeias, só podiam atuar dois ou três estrangeiros. Tinham de ser craques e serem considerados o melhor estrangeiro numa dessas ligas era uma missão superdifícil. Quando consegui este feito na liga espanhola, pensei que era o primeiro português, mas estava enganado. Recordo esta história porque há poucos dias o ‘Luvas Pretas’ João Alves, em entrevista, disse que em 1978 foi considerado o melhor jogador estrangeiro da liga espanhola, a jogar no modesto Salamanca. Que feito incrível do João Alves!

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