O Montijo tem algo especial

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Este fim-de-semana joga-se a Taça de Portugal, pelo que era o momento de escrever sobre uma terra muito especial para mim e que sempre esteve muito presente no futebol português e na Seleção Nacional. Durante décadas, o Montijo, a cidade onde eu nasci, e também muitos outros craques, esteve sempre muito bem representada no desporto-rei do nosso país.

José Neto foi o primeiro a jogar num grande clube. Representou o Benfica, onde conquistou quatro campeonatos e foi ainda bicampeão europeu, em 1960/61 e 1961/62. Depois dele, houve outros dois casos de montijenses bem sucedidos, agora no Sporting. O extremo-esquerdo Porfírio (1966/67) e o lateral-esquerdo Celestino, que foi um jogador importante na década de 60 para os leões, tendo contribuído para a conquista do Campeonato Nacional de 1969/70.

Nenhum destes três montijenses chegou, contudo, a internacional.O primeiro herói da terra a conseguir tal proeza foi o Custódio Pinto, também nos anos 60. Durante várias épocas foi ele o capitão do FC Porto e vestiu a camisola das quinas por 13 ocasiões. No Campeonato do Mundo de Inglaterra, em 1966, "O cabecinha de ouro ", como era chamado, fez parte da convocatória. Era o primeiro Mundial em que Portugal participava e um dos 22 Magriços pertencia ao Montijo. Incrível!

O irmão dele, Manuel Pinto, jogador do V. Guimarães seguiu-lhe depois as pisadas, o que aumentou ainda mais o orgulho da terra. O nível futebolístico dos meninos nascidos ou criados no Montijo não parou de crescer. À exceção da década dos 70, a cidade viria a estar sempre representada na seleção principal.

Nos anos 80 e 90, fui eu e o Fernando Mendes (grande lateral-esquerdo e único jogador que atuou nos cinco clubes campeões nacionais: Sporting, Benfica, FC Porto, Boavista e Belenenses) os representantes da nossa terra. E no Mundial do México, o segundo que Portugal disputou, o Montijo voltou a marcar presença. Eu sei que foi um Mundial horrível e constituiu mesmo uma vergonha para todos os portugueses, mas eu estive nos 22 convocados...

Na década seguinte, foi a vez do grande guarda-redes Ricardo, uma lenda viva da Seleção e figura incontornável do Euro’2004 e do Mundial’2006... E, como não podia ser de outra maneira, o Montijo tinha de estar presente no Europeu de França. O último que vestiu a camisola das quinas, e o representante da terra nesta década, é o melhor amigo do meu sobrinho Cláudio desde a infância. Como o conheço de muito pequeno, é como se fosse da minha família.

Este menino é hoje o grande orgulho de todos os montijenses. O enorme craque, campeão da Europa, é o Cédric Soares.

A cidade da outra margem do rio Tejo tem atualmente 50 mil habitantes. São, por certo, muito poucas (para não dizer nenhuma) as cidades portuguesas com esta população a conseguirem, ao longo da sua história, dar seis internacionais à Seleção Nacional, com presença em Campeonatos do Mundo e da Europa.

Quando estava no auge e ganhei a ‘Bola de Prata’ em 1987, a grande maioria dos meus conterrâneos falava no meu nome quando visitiva outras cidades, tanto em Portugal como no estrangeiro. "Nasci no Montijo, na terra do Futre", diziam.

Depois do Europeu de França, saí duas vezes da Península Ibérica e, em ambos os casos, disse a frase a várias pessoas. "Nasci no Montijo, na terra onde se criou o campeão da Europa, Cédric". O Montijo tem algo especial e aquela terra maravilhosa continuará a criar craques para o futebol português e mundial nas próximas décadas. O ciclo será eterno.

CALDEIRADA DA SEMANA -- Faustino Asprilla

Faustino Asprilla, na minha opinião o melhor jogador colombiano de todos os tempos, disse esta frase polémica sobre o seu compatriota James Rodríguez. "Do que tenho visto de James, que é alguém que respeito e é meu amigo, é que está a ser prejudicado pela amizade que tem com Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Na Seleção, ele tem os mesmos gestos quando não recebe a bola." A crítica não me teria surpreendido se fosse proferida por um antigo grande jogador. Mas o Asprilla foi muito mais que isso e, de certeza, que fez muitas vezes os mesmos gestos do James e do Cristiano quando não lhe passavam a bola no momento certo.

NÓS LÁ FORA -- Craque é sempre craque

O genial jogador português continua a dar grandes espetáculos por esta Europa fora! A última grande exibição do Quaresma não foi no estrangeiro, mas sim no seu país. Em Faro, no último domingo, fez duas assistências com a camisola das quinas ao peito, diante da Letónia. Foram dois momentos espetaculares e que se revelaram cruciais para a vitória de Portugal. Este fenómeno tem feito da sua carreira uma autêntica aventura.Na Turquia é um ídolo, e agora vê o seu nome associado ao clube de André VillasBoas.Não me admiraria nada que o próximo destino seja a China...

Parabéns, grande campeão!

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES -- 'Don Vicentini'

Ontem, na capital espanhola, foi dia de dérbi madrileno entre o Atlético de Madrid e o seu eterno rival, Real Madrid. Para os adeptos colchoneros era um jogo com uma carga emocional fora do comum, pois foi o último a ser disputado no Estádio Vicente Calderón. Carinhosamente, sempre chamei ‘Don Vicentini’ a este palco tão especial para mim. Passei ali uns dos melhores momentos da minha vida. Este autêntico templo do futebol deixará de existir dentro de poucos meses. Até ao último dia da sua vida, vou tentar estar sempre presente em todos os grandes jogos. Ontem, foi um deles e lá estive eu no meu ‘Don Vicentini’.

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