Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

O motor e o capitão da nossa Seleção

O Campeonato do Mundo que Portugal fez no Brasil, em 2014, foi uma deceção para todos nós. O Cristiano, devido ao problema que tinha no tendão rotuliano, não conseguiu estar nas suas melhores condições físicas e é óbvio que existem duas Seleções diferentes: uma com e outra sem Ronaldo. Com o nosso capitão nas suas máximas condições, acredito que somos capazes de vencer qualquer seleção. Mas com o nosso craque em baixo de forma, tal como aconteceu naquele Mundial, deixamos de ser temíveis. O Cristiano, umas semanas depois de ter chegado do Brasil, e ainda com a tristeza de ter sido eliminado na primeira fase, fez estas declarações: "Apenas temos 10 milhões de pessoas em Portugal, é difícil encontrar jogadores de top", referindo-se à grande dificuldade que é conquistar um Europeu ou mesmo um Mundial com a camisola das quinas.

E, no fundo, ele tem razão: é quase impossível competir com países que têm populações muito maiores do que a nossa. Como o caso da campeã do Mundo. A Alemanha, com 80 milhões de habitantes, ou o Brasil, com perto de 200 milhões, têm soluções que parecem nunca acabar. Não parece casualidade que as duas seleções, em conjunto, já tenham nove Mundiais conquistados. Se pensarmos na Itália, com 60 milhões de habitantes e quatro estrelas na sua camisola, tudo parece encaixar. A matemática nunca mente.

Penso que o Cristiano fez aquelas declarações num momento em que via o futuro da Seleção muito negro, tal como, de resto, uma grande maioria dos portugueses. Podemos ter o melhor jogador do Mundo, mas se o meio-campo, que é o coração da equipa, não funcionar, então não há milagres.

João Moutinho e Raul Meireles, os motores da Seleção durante vários anos, estiveram irreconhecíveis no Mundial. Tinha chegado o momento de começar a mexer nalgumas peças, especialmente no meio-campo. Porém, em agosto de 2014, quando o Cristiano fez as tais declarações, que jogadores jovens portugueses estavam preparados para assumir a titularidade nesse sector da equipa tão decisivo? O único ‘jovem’ que estava preparadíssimo tinha... 33 anos e era o Tiago, que já tinha dito adeus à Seleção. Porém, na altura daquela situação crítica, após a derrota frente à Albânia, decidiu voltar e com a sua experiência e classe foi importantíssimo e uma das chaves na qualificação para este Euro 2016.

Ainda assim, o futebol é maravilhoso e não nos deixa de surpreender. Parece mentira que hoje, 21 meses depois do Mundial do Brasil, tenhamos tantos jogadores em condições de agarrarem o nosso meio-campo e todos eles de grande qualidade.

Sem dúvida que será este o sector onde o selecionador Fernando Santos vai ter mais dores de cabeça para escolher os jogadores que vão estar em França. Por exemplo, os quatro que jogaram a titulares na terça-feira contra a Bélgica – Adrien, João Mário, André Gomes e Danilo – cresceram enormemente nos últimos meses e estão mais do que preparados para assumir a titularidade. Como eles, outros craques jovens como William Carvalho, André André, Renato Sanches, Rúben Neves ou Bernardo Silva já demonstraram que estão prontos para a luta e isto sem esquecer os mais veteranos, mas sempre de grande classe, como Moutinho, Raul Meireles, Miguel Veloso e obviamente o Tiago, que deve reaparecer brevemente depois da grave lesão.

O que é certo é que, seja quem for que estiver nos 23 definitivos, a concorrência no meio-campo português vai ser tremenda. Aliás, como não acontecia há muito tempo, e isto é excelente para a equipa. Não tenho a mínima dúvida de que neste momento, se há uma pessoa que está feliz com estes jovens craques... é o nosso capitão, Cristiano Ronaldo. Se o motor da equipa funciona perfeitamente, e se o Cristiano se apresenta em boas condições, não há outra hipótese que não seja sonharmos com a vitória neste Euro 2016.

Caldeirada da semana - José María Giménez

Uma das notícias mais relevantes da semana em Espanha foi esta: "O Real Madrid está interessado em Giménez, jovem central do Atlético de Madrid, e estaria disposto a pagar os 65 milhões de euros que o uruguaio tem na cláusula." O Real Madrid não desmentiu, mas mesmo assim penso que o presidente dos merengues, Florentino Pérez, não vai romper o acordo de cavalheiros que os clubes celebraram em 2011 e entrar numa guerra com o seu eterno rival. Se esta operação acontecesse, acabaria a paz na capital espanhola que existe há vários anos entre as duas ‘aficiones’ e poderíamos ter aqui uma caldeirada mesmo muito perigosa.

Nós lá fora - Neville e Nuno

O Valencia rescindiu com Neville. O técnico inglês chegou em dezembro para substituir o Nuno Espírito Santo e piorou os números do técnico português. Deixa a equipa em 14.º lugar, a 6 pontos da descida de divisão, fora de todas as competições e isto sem esquecer a humilhação dos 7-0 no jogo da Taça frente ao Barça. Não tenho dúvida de que muitos adeptos do Valencia já têm saudades do anterior treinador, que no seu primeiro ano meteu a equipa na Champions e quando deixou o Valencia na 13.ª jornada estava a dois pontos da Liga Europa. O clube está a pagar caro o erro que cometeu em rescindir o contrato com o Nuno.

Álbum de recordações - sensação rara

Ontem foi dia de grande clássico em Espanha. O Barcelona recebeu o Real Madrid. Como joguei muitos anos no Atlético, considero-me um grande colchonero e quero sempre que o Real perca. Se estão jogadores portugueses em campo, como tem sido o caso nos últimos anos, desejo sempre que façam um grande jogo individualmente, mas que percam. Ontem vivi uma sensação rara, porém. Foi uma das poucas vezes em que quis que o nosso eterno rival ganhasse. Por uma única razão: uma derrota deixaria sempre marcas no Barcelona. E vale a pena lembrar que na próxima terça-feira há um Barça-Atlético para a Liga dos Campeões...

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