O músculo de Cristiano aguentou
O Campeonato da Europa de França começa no dia 10 e Portugal joga o seu primeiro jogo a 14, contra a Islândia. Com o Cristiano Ronaldo nas melhores condições físicas volto a sonhar que podemos ganhar o Europeu. Mas as últimas cinco semanas não foram nada fáceis. Nestes últimos jogos, cada vez que o CR7 driblava, saltava ou sprintava tive sempre o coração nas mãos. Felizmente o sofrimento acabou no dia 28 de maio depois da final da Champions League e da maneira que todos nós portugueses desejávamos: sem lesão do nosso craque.
Mas nunca poderei esquecer o pessimismo que me entrou por todo o corpo a 20 de abril quando começaram os rumores de que o Cristiano Ronaldo tinha tido uma lesão muscular. Era a 34.ª jornada da liga espanhola e o Real Madrid tinha ganho ao Villarreal, em casa, por 3-0.
Naquele momento pensei no Campeonato do Mundo de 2014 e na tendinite no rotuliano de grau elevado que tinha o CR7. Numa situação normal tinha de repousar, mas podia ser campeão da Europa e tinha de forçar ao máximo e jogar com dor. Ganhou a Champions League, mas chegou ao Brasil com o joelho destroçado e o Mundial foi um desastre para Portugal. Quando o melhor jogador do Mundo não está bem a Seleção fica condenada ao fracasso.
A situação, em finais de abril, era similar àquela de 2014. O génio tinha possibilidades de ganhar a liga espanhola, a Champions Legue e individualmente a Bota de Ouro e tudo faria para estar em campo nestes últimos jogos que, no fundo, eram todos finais. Era o momento da verdade e um campeão como o Cristiano, mesmo que não estivesse nas suas melhores condições físicas, não podia perder estas finalíssimas. Ia arriscar tudo. Como profissional de futebol tive várias microrruturas. É uma lesão falsa e traiçoeira porque pensas que estás bem, mas se forças a máquina o músculo pode rebentar. Se o músculo do Cristiano rebenta diria adeus ao Euro de França.
Para piorar as coisas o português chegou àquela jornada 34 com 31 golos. Estava na frente para ser o melhor goleador da liga espanhola e ganhar uma vez mais a Bota de Ouro. Luis Suárez era o segundo, com 26 golos, e aproveitou bem a ausência do Cristiano. Naquele dia fez quatro golos na Corunha e nos dois seguintes, contra Gijón e Bétis, fez mais cinco tentos. A duas jornadas do fim da liga, o uruguaio tinha quatro golos de vantagem e o bicho nestes dois jogos ia arriscar tudo para apanhá-lo e ganhar o ‘Pichichi’ e a Bota de Ouro.
E a meio gás o fenómeno fez quatro golos e não teve nenhuma recaída da lesão. Só que o Suárez acabou por fazer mais cinco e acabou por ganhar estes dois prémios individuais e o Barcelona a liga.
E a semana passada em Milão jogou-se a final da Champions League entre o Real Madrid e o meu Atlético de Madrid. Era a última prova de fogo para o músculo do Cristiano. Era o último jogo de alto risco para o CR7. Eu estava no estádio San Siro e quando o bicho marcou o penálti da vitória da sua equipa fiquei com uma telha e azia do outro mundo. Mas dez minutos depois de terminar o jogo mudei o chip e comecei a pensar no Euro de França. O Cristiano tinha jogado 120 minutos com um calor incrível e tinha passado o teste.
A preocupação e o sofrimento destas últimas semanas acabaram em Milão e com os dias de descanso que ele teve esta semana tudo aponta no sentido do bicho estar num grande nível físico e anímico no Europeu.
O Cristiano, ao longo dos anos, tem-nos habituado a ser o melhor e se ele está em boas condições físicas todos os portugueses têm que sonhar que pode ser possível ganhar. Se o melhor jogador do Mundo está bem os seus companheiros da Seleção ganharão confiança e Portugal pode ser mesmo campeão da Europa. Desde estas linhas quero desejar muita força para o selecionador Fernando Santos e todos os seus craques!
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