O novo inimigo de Cristiano
Na quinta-feira decorreu a gala da UEFA no Mónaco e quando vi que o Modric ganhava o prémio ao melhor jogador da Europa, pensei no novo inimigo de Cristiano Ronaldo. Durante vários anos, quando chegavam estes momentos da entrega de prémios, CR7 tinha dois inimigos superpoderosos, como os presidentes da FIFA e UEFA. Quem não se recorda da vergonhosa frase "o outro parece um comandante, o outro gasta mais dinheiro em cabeleireiros…", dita pelo então presidente da FIFA, Joseph Blatter. Ou quando Ribéry disse que a sua esposa já tinha escolhido um lugar em cima da lareira para pôr a Bola de Ouro, mostrando que estava muito convencido do que dizia. Tanta confiança só podia ser porque alguém lhe tinha dito algo. O jogador do Bayern não seria tão estúpido para dizer uma coisa assim. Como todos sabemos, o prémio foi ganho pelo Cristiano mas, depois da gala, o presidente da UEFA na altura, Michel Platini, disse estar muito dececionado por Ribéry. Estava dececionado com quem? Quem tinha falhado ao Platini naquele dia?
Ambos faziam de tudo para que Cristiano não ganhasse qualquer prémio. Felizmente, já não estão nos cargos, mas o CR7, com a sua saída do Real para a Juventus, fez um novo inimigo poderoso e vai continuar a ter vida difícil para ganhar troféus individuais.
Nas nove temporadas como jogador do Real Madrid, Cristiano Ronaldo ganhou quatro Champions Leagues (três consecutivas), duas Ligas espanholas, três Mundiais de clubes, duas Taças do Rei, três Supertaças da Europa e outras duas Supertaças de Espanha. Nas nove épocas no Real Madrid, fez 450 golos em 438 jogos e é o melhor marcador da história do clube. O CR7 também é o melhor goleador histórico da Champions League, com 120 golos em 152 jogos, 105 dos quais com a camisola do Real Madrid. Metade deles (60) foram nas eliminatórias e finais, nas quais têm de aparecer os craques, porque é a hora da verdade: fez 20 golos nos 'oitavos', 23 nos 'quartos', 13 nas semifinais e 4 nas finais. Fez também sete hat tricks na Champions, um recorde que partilha com Messi. Foi sete vezes o melhor goleador da Champions e seis delas foi como merengue. Em 2013/14, fez outro recorde histórico: naquela edição marcou 17 golos.
Também foi o único jogador na história da Champions que conseguiu marcar durante 11 jogos de forma consecutiva. E também foi o único que fez golos em todos os jogos da primeira fase de grupos na mesma época, na Champions. Foi em 2017/18, quando marcou ante APOEL, Tottenham e Borussia Dortmund.
O bicho marcou mais de 50 golos em seis das nove temporadas em que vestiu a camisola merengue - só em três não passou este número. Em 2014/15 fez 61, 48 deles na Liga. Que barbaridade! Também tem o recorde de golos no início da Liga. Fez 15 nas primeiras oito jornadas, na temporada 2014/15.
Com a camisola do Real, o bicho foi quatro vezes Bola de Ouro, ganhou três Prémios UEFA para melhor jogador da Europa e três Botas de Ouro. Para uma grande maioria dos adeptos do Real Madrid, Cristiano Ronaldo meteu o clube no mesmo patamar que meteu Di Stéfano nos anos 50 e 60. Também aí Cristiano conseguiu algo único, já que era praticamente impossível estar ao mesmo nível do que o mito argentino.
Mas apesar de ter feito tudo isto pelo Real Madrid e de ser já uma lenda e mito para os adeptos merengues, cada prémio individual que ganhe a partir de agora será um autêntico pesadelo para o presidente do clube espanhol, porque continua a ser muito criticado por vender o génio português à Juventus. Não tenho dúvidas de que o Modric fez uma excelente época e Mundial, mas ganharia o prémio para melhor da Europa se o CR7 continuasse no Real? Na minha opinião nunca ganharia. E se ganhou é porque o novo inimigo do Cristiano tem muita força na FIFA e UEFA. Chama-se: Florentino Pérez.
ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
Não perdemos, mas perdemos o jogo
Por ordem, as nove equipas pelas quais joguei foram: Sporting, FC Porto, At. Madrid, Benfica, Marselha, Reggiana, AC Milan, West Ham e Yokohama Flugels. Mas antes da última aventura no Japão, regressei ao Atlético ao fim de quatro anos, e poucos companheiros encontrei da minha primeira etapa como jogador colchonero. Por esta razão joguei em nove clubes, mas estive em dez balneários e fiz grandes amigos. E no dia seguinte ao mercado fechar, em algumas ocasiões senti uma mistura de sentimentos incríveis: triste por algum amigo ter abandonado o clube e feliz pelos que ficaram. Recordo esta história porque na sexta-feira fechou o mercado e muitos jogadores viveram o mesmo.
NÓS LÁ FORA
Nove clubes e dez balneários
Depois da derrota do Manchester United em casa com o Tottenham, o José Mourinho sabia que ia ser criticado cruelmente em Inglaterra. Só ele podia dizer algo assim: "Ao intervalo, o resultado deveria ter sido 2-0, 2-1 ou 3-0... E depois algo mudou no jogo e, de repente, o Tottenham chegou ao 2-0. Todos sentiam que um golo poderia mudar o rumo do jogo. E depois apareceu o terceiro, que o matou por completo... Do ponto de vista estratégico e tático não perdemos, mas perdemos o jogo." Que génio!
CALDEIRADA DA SEMANA
Dia negro
A Taça dos Libertadores é a Champions League na América do Sul. Esta semana, o jogo da segunda mão dos oitavos-de-final entre o Santos e o Independiente terminou aos 83 minutos. Foi um dia negro para o futebol. Aos 80 minutos, os adeptos da equipa da casa começaram atirar objetos pirotécnicos e tentaram invadir o relvado do estádio. O jogo acabou por ser suspenso por distúrbios. Estamos em 2018 e como pode passar-se algo assim numa competição tão importante como a Taça dos Libertadores?
