O ódio ao Real e os erros do VAR

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Quando cheguei ao Atlético de Madrid, em 1987, tinha 21 anos e a primeira frase que ouvi da boca dos líderes da equipa – do capitão Arteche e dos outros pesos-pesados do grupo – foi "em todos os jogos temos de suar a camisola até à última gota ,mas contra o Real Madrid temos de suar sangue". O sentimento anti-Real Madrid ou mesmo o ódio que sentiam os jogadores formados no clube respirava-se por todo o balneário. Um ano depois, em 1988, o nosso presidente Gil y Gil rescindiu contrato com o Arteche e meteu-me como capitão. Ou melhor: obrigou-me a ser capitão. Podia ser um motivo de orgulho e dizer esta frase para mim: "Que espetáculo, tenho 22 anos, sou português e vou ser o capitão de um plantel de 25 jogadores e 23 deles espanhóis. Que maravilha!" Mas não... e disse esta frase – um milhão de vezes – ao presidente: "Você quer-me matar". Não houve marcha-atrás. Para mim era um pesadelo, porque naquele balneário estavam dois titulares da seleção espanhola, Tomas e Goikochea. E muito pior do que isto era que metade do plantel vinham da formação colchonera, estavam há muito tempo no clube e todos sonhavam em ser capitães da equipa do seu coração... Apesar de ter uma boa relação com a maioria, os primeiros dias, semanas e meses não foram nada fáceis para mim. Quatro anos depois estamos em estágio na pré-temporada e saiu esta conversa com três companheiros que já o eram em 1988. "À parte da tua idade, porque eras um menino, sabes qual era a nossa maior revolta quando soubemos que ias ser o capitão?", questionaram. "Ser português", respondi. "Não, porque como jogador e adepto do Atlético Madrid o capitão tem de sentir as cores desta camisola, para assumir esta responsabilidade tem de conhecer a cultura do clube, tem de conhecer o sentimento Atleti e tem de ser anti-Real Madrid", disseram. "Têm razão, estava há um ano no clube e nunca poderia ser capitão, mas mesmo que estivesse há dez seria igual, porque para vocês só os jogadores que são formados no clube, como é o vosso caso, podem ser capitães. Por muitos anos que estejam aqui jogadores espanhóis formados noutras equipas – como alguns que temos hoje –, nunca irão odiar o Real Madrid como vocês. E o mesmo se passa com os estrangeiros. E falo por mim: hoje tenho uma grande azia ao Real, mas é impossível chegar ao vosso nível."

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