Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

O pior em campo foi o VAR

Depois do erro escandaloso do vídeo-árbitro, que não assinalou falta de Diego Costa sobre Pepe no primeiro golo de Espanha contra Portugal, pensei nas muitas críticas que fiz aos VAR portugueses. Como, por exemplo, esta que escrevi em dezembro neste mesmo espaço:

"Pessoalmente, confiava cegamente que o VAR ia ser uma mais valia em todos os aspetos para o futebol, mas, depois de ver os erros anormais e inexplicáveis que tem havido praticamente em todas as jornadas desde que começou o campeonato português, hoje a minha deceção é brutal. Deixei de acreditar nos VAR portugueses, mas não no VAR, e depois de ver o entusiasmo dos espanhóis nos últimos dias com a confirmação do VAR na próxima época na liga espanhola, ainda mais acredito no vídeo-árbitro. Como conheço bem a mentalidade do povo espanhol e o orgulho que eles têm na sua liga, juntamente com os muitos milhões de euros que entram anualmente no país e nos clubes em publicidade de empresas estrangeiras e na venda dos direitos televisivos do campeonato e Taça para meio Mundo, os árbitros não podem brincar às imagens como os miúdos brincam às escondidas, fazer o ridículo e desprestigiar a melhor liga do planeta como é a espanhola. Não acredito que um árbitro espanhol que faça de VAR na próxima época tenha a coragem de, a ver as mesmas imagens que estão a ver milhões de pessoas em todo Mundo, não avisar o juiz de campo para rever uma jogada polémica porque corre o risco de não apitar nunca mais.

Quando, no dia 6 de agosto de 2017, arrancou o primeiro campeonato em Portugal com vídeo-árbitro, foi um dia histórico para a Liga portuguesa. Já passaram vários meses nesta primeira fase de adaptação do VAR e houve mais coisas más que boas. A melhor, sem dúvida alguma, foi o suspense que não existia e que nasceu dentro do adepto de futebol quando o árbitro revê alguma jogada polémica por indicação do VAR. A minha sensação naqueles momentos é como estar a ver os últimos segundos de um bom filme e que o final pode acabar da maneira que menos esperas, porque estes VAR portugueses já demonstraram nestas 13 jornadas que levamos de campeonato que tudo pode acontecer. Se na imagem que eles estão a analisar aparece 2+2 só têm de somar. Todo o país que está a ver a mesma imagem naquele momento vai dizer que é quatro, mas para eles não existe a lógica e o 2+2 muitas vezes pode ser três ou cinco. Mas aqueles segundos de suspense são maravilhosos.

Por outro lado, hoje a frase que mais se diz em Portugal depois de cada jornada é 'entendo que o árbitro e o fiscal de linha não tenham visto algo tão claro, mas é uma vergonha que o VAR, que está sentado e a ver as mesmas imagens que todo o país, não tenha avisado o árbitro para rever uma jogada tão clara como aquela'. A frase da moda entre os meus amigos, e que já comecei a dizer em direto na CM TV, o canal em que trabalho, é esta: 'Há o vídeo-árbitro para ajudar e avisar os três juízes, e agora falta o VAR para avisar, ajudar e estar atento ao vídeo-arbitro.'

Com esta ferramenta espetacular como é o VAR, obrigatoriamente os erros tinham de baixar automaticamente. As críticas e a pressão diminuíam e os árbitros portugueses em dezembro de 2017 tinham de estar mais tranquilos que nunca, a fazer arbitragens excelentes, mas infelizmente não é assim... A situação é tão grave que, na jornada passada, os árbitros iam fazer greve e na sexta-feira à última hora fizeram marcha-atrás e desistiram. A liga e a federação espanhola têm urgentemente de estar atentos ao que se está a passar em Portugal, especialmente aos erros anormais dos árbitros que estão no VAR, para evitar que dentro de 12 meses o futebol espanhol esteja a viver a mesma situação caótica que vive atualmente a Liga portuguesa. Hoje, por todos estes erros gravíssimos do VAR, muitos portugueses, nos quais eu me incluo, começam a pensar: 'Será que os árbitros estão contra a tecnologia no futebol e cometem erros de propósito para destruir o vídeo-árbitro e voltar tudo como era antes?'"

Assim pensava eu. Nunca imaginei que algo assim podia acontecer no Mundial, onde teoricamente estão os melhores árbitros do Mundo. Na sexta-feira, toda a imprensa mundial, inclusive a espanhola, disse que era falta de Diego Costa sobre Pepe e que o golo tinha de ser anulado. E, se fosse ao contrário e o erro do VAR fosse a favor de Portugal, nós portugueses diríamos o mesmo. Todo o planeta viu que foi falta menos o vídeo-árbitro. O erro do jogo não foi o frango de De Gea no segundo golo do CR7, mas sim do VAR. Jogadores, árbitro e fiscais de linha têm de decidir em décimas de segundo e é normal que cometam erros, mas mais uma vez o pior em campo foi o VAR e logo no quarto jogo do Mundial. Que deceção, que vergonha e que ridículo para FIFA.

CALDEIRADA DA SEMANA
Dedo do meio de Robbie Wiliams

Na cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo, Robbie Williams fez um gesto obsceno, mostrando o dedo do meio para a câmara. Foi um choque em todo o planeta. Acho que melhor que ninguém ele sabia a autêntica caldeirada e escândalo que ia montar com aquele gesto e ia ouvir de tudo, coisas muito bonitas, horríveis e irónicas, e assim foi. Mas se tiver de escolher um comentário seria o feito no Twitter pelo lateral-direito Kyle Walker, que disse que era um 'alô' para Dele Alli, seu colega na seleção inglesa, que no ano passado foi expulso por ter feito o mesmo gesto obsceno numa partida contra a Eslováquia. Kyle Walker esteve genial.

NÓS LÁ FORA
CR7 de aço

Antes do jogo de sexta-feira entre Portugal e Espanha vi esta notícia: "Cristiano Ronaldo aceitou dois anos de prisão com pena suspensa, e terá de pagar 18,8 milhões de euros ao fisco espanhol. Este é o desfecho de um entendimento atingido entre as autoridades fiscais espanholas e a defesa de CR7, de acordo com o 'El Mundo'." Depois dos três golos do Bicho, o título do jornal 'Marca' foi: "Espanha de ferro e Cristiano de aço." Sem dúvida alguma que este fenómeno é mesmo de aço. Com dois anos de pena suspensa, rebenta com aquilo tudo contra a Espanha e no primeiro jogo do Mundial. Sem palavras, Bicho.

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
Pesadelos com Marrocos

A derrota mais humilhante de toda a história da Seleção portuguesa de futebol foi contra Marrocos, no Mundial do México, em 1986. Bastava um empate para passarmos aos oitavos-de-final, mas perdemos o jogo e fomos eliminados. Eu estava lá, tinha sido titular e nunca me senti tão mal animicamente como depois daquele maldito jogo. Quando no sorteio para Campeonato do Mundo da Rússia saiu a terceira bola e vi que Marrocos ficava no grupo de Portugal, voltou o trauma à minha mente. Na próxima quarta-feira jogamos contra eles e, apesar de terem passado 32 anos, voltei a ter pesadelos com Marrocos.

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