O recorde que ninguém quer bater
Na minha primeira etapa no Atlético Madrid, entre 1987 e 1993, tive uma longa lista de treinadores. O meu presidente Jesús Gil y Gil foi uma personagem única e irrepetível no futebol mundial, fosse para o bem ou para o mal. Tinha coisas de génio e muitas virtudes, mas faltou-lhe uma muito importante que era a paciência. O presidente de um grande clube, quando chegam os momentos menos bons, tem que ter paciência com os treinadores, mas com Gil y Gil isto raramente acontecia, especialmente nos seus primeiros anos à frente do At. Madrid. Por exemplo, na minha primeira temporada, 1987/88, foram três: Menotti, Ufarte e Briones. Em 1988/89, tivemos ainda mais mudanças: Magureri, Briones, Atkinson, Addison e, novamente, Briones. Que barbaridade! Em 1990/91: Peiró, Ovejero e Ivic. O croata qualificou a equipa para a final da Taça do Rei, mas antes do jogo decisivo foi despedido e regressou Ovejero, para ganhar a Taça frente ao Maiorca... Com ele, os treinadores viviam debaixo de uma pressão infernal e sabiam que bastavam dois jogos seguidos sem ganhar para serem destituídos.
