Dentro do Balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Os melhores a produzir craques

Na quinta-feira, dei uma grande entrevista para o diário espanhol ‘El País’ que sairá antes do Campeonato do Mundo da Rússia. A maioria das perguntas, como não podia deixar de ser, foram sobre o que poderá acontecer no Mundial, especialmente sobre o primeiro jogo do Grupo B, que será entre Espanha e Portugal.

Houve uma questão que me pôs a pensar vários segundos. "O Cristiano Ronaldo disse depois do Mundial do Brasil que Portugal é um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes e que assim seria sempre complicado encontrar jogadores de top. Realçou ainda que conquistar um Europeu ou um Mundial seria sempre um objetivo difícil de alcançar. Mas que, ainda assim, não perdia a confiança de que um título seriam sempre capazes de ganhar. Isto aconteceu dois anos depois, com a conquista do Europeu de França, em 2016.O que aconteceu nestes últimos quatro anos para que, na lista de 23 jogadores que o vosso selecionador convocou para o Mundial da Rússia, ficassem de fora jogadores portugueses que atuam em grandes equipas e autênticos tubarões da Europa, como Barcelona (casos de Nélson Semedo e André Gomes) ou Inter Milão (caso de João Cancelo), entre outros clubes e jogadores? No teu tempo, quando jogavas no estrangeiro, e no tempo dos teus compatriotas que saíram de Portugal a seguir a ti, que foram muitos, nunca podia acontecer. Eram sempre convocados para representarem a Seleção, a não ser que tivessem uma lesão gravíssima ou estivessem com gesso. O que mudou para que Fernando Santos se dê o luxo de deixar craques de grandes clubes europeus fora da lista dos 23?"

Era uma pergunta interessante de um jornalista espanhol que me fez pensar antes de responder em como estávamos há quatro anos. E recordei que, durante vários anos, o João Moutinho, Raul Meireles e Miguel Veloso foram o motor da Seleção e deram-nos muitas alegrias. No Mundial do Brasil os três estiveram irreconhecíveis, mas tinham de jogar já que a concorrência era praticamente nula. O Rúben Amorim era um bom suplente e o jovem William Carvalho tinha feito uma época espetacular, mas estava ainda um pouco verde para assumir a titularidade da equipa das quinas. O motor da Seleção naquele Mundial podia gripar e gripou mesmo porque não tínhamos mais soluções.

Dois anos depois, no Europeu de França, as soluções no meio-campo, para dar um exemplo, tinham mudado incrivelmente para melhor. Os convocados para aquela posição foram: João Moutinho, Adrien, João Mário, André Gomes, Danilo, William e Renato Sanches. E a história foi outra. Portugal foi campeão da Europa e, dois anos depois, temos jovens craques que podem fazer a diferença em qualquer jogo, como por exemplo Gonçalo Guedes, Gelson, Bernardo Silva, Bruno Fernandes ou André Silva. Por isso, a minha resposta só podia ser esta:

As grandes potências têm muito mais habitantes do que Portugal. A Alemanha tem 80 milhões de habitantes, o Brasil perto de 200 milhões, a Itália tem 60 milhões, Espanha está perto dos 50 milhões, Inglaterra tem 55 milhões, França tem quase 70 milhões. Mas em Portugal, apesar de termos apenas 10 milhões, somos muito melhores do que todos os outros a formar craques. A chave e o pequeno milagre esta aí. Pode haver ciclos em que não saíram tantos como desejávamos, mas nós portugueses somos os melhores na formação.

Esta foi a minha resposta. E, já agora, parabéns a todos os técnicos e olheiros que trabalham na formação de todos os clubes em Portugal. Graças a eles, hoje sonho em ser campeão do Mundo na Rússia.

Caldeirada da semana - Sexta-feira negra

Na sexta-feira, dois jogadores do Sporting, Rui Patrício e Podence, rescindiram os seus contratos com os leões. No mesmo dia, o Parlamento espanhol aprovou a moção de censura apresentada pelo PSOE a Mariano Rajoy, com 180 votos a favor, 169 contra e uma abstenção. Depois de seis anos à frente dos destinos do país, o líder do Partido Popular vai deixar o lugar de presidente do Governo. Mais que uma caldeirada foi uma sexta-feira negra e de autêntico pesadelo para todos os sportinguistas e espanhóis.

Nós lá fora - A proeza do Marco Silva

Depois de treinar o Hull City e o Watford, Marco Silva assinou esta semana um contrato por três anos com o Everton. Muito poucos treinadores no planeta conseguiram um feito assim. Terem no seu currículo que treinaram três equipas num dos melhores campeonatos do Mundo, como é a Premier League, está ao alcance de muitos poucos. O Marco, como português, também fez história, já que foi o primeiro luso que conseguiu esta proeza. Parabéns míster, e muita força para esta nova aventura.

Álbum de recordações - Parabéns, Bicho!

Desde que cheguei a Espanha, em 1987, para representar o Atlético Madrid, que ganhei mania ao eterno rival dos colchoneros, que é o Real Madrid, e quero sempre que os merengues percam. Como bom compatriota, sempre quis que os jogadores portugueses que vestiram a camisola branca fizessem grandes exibições, mas que a sua equipa nunca ganhasse. No caso do CR7 sempre desejei que ele marcasse em todos os jogos 5 golos e que o Real perdesse 5-6. Na semana passada, na final da Champions entre o Liverpool e os merengues era isto que queria, mas não foi assim e ganharam o jogo. Como já me passou a azia, só tenho de dizer: parabéns Cristiano pela tua quinta Champions League. Impressionante, Bicho!

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