Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Os quatro heróis da Champions

Os jogos dos quartos-de-final da Liga dos Campeões proporcionaram quatro heróis. Houve desempenhos extraordinários que eu faço questão de sublinhar.

Fazer cinco golos nesta fase da competição só está ao alcance dos melhores jogadores do Mundo. Mas marcá-los a um enorme ‘tubarão’ como o Bayern Munique, e ao seu guarda-redes, Manuel Neuer, que é um dos melhores da atualidade, em escassos 180 minutos, é uma missão impossível. Só que para o ‘Bicho’ não há impossíveis. Cristiano Ronaldo, depois de fazer dois golos na primeira mão, conseguiu mais três, na terça-feira, no Santiago Bernabéu. Ele foi a besta negra do Bayern Munique.

Ronaldo foi o herói, ao ter colocado o Real Madrid nas meias-finais e voltou a fazer história, tornando-se no primeiro jogador a ultrapassar a barreira dos 100 golos na Liga dos Campeões. Incrível.

Mas CR7 também entrou na história por outro motivo. Questionado por uma jornalista, após o jogo, se considerava ser merecedor de uma rua com o seu nome em Madrid ou Munique, a resposta foi contundente. "Só peço que não me assobiem aqui", disse. Nenhum outro jogador conseguiria um hat trick ao Bayern sem o apoio, os aplausos e a confiança dos seus adeptos durante todo o jogo. Mas o ‘Bicho’ é feito de outra massa e parece mesmo que veio de outro Planeta. Obteve três golos, mesmo sendo assobiado no seu estádio pelos próprios adeptos. Que vergonha é a ‘afición’ do Real! Na terça-feira, o Cristiano também foi o herói dos assobios!

Na quarta-feira, o Monaco, dos portugueses João Moutinho, Bernardo Silva e do grande míster Leonardo Jardim, eliminou o Borussia Dortmund e conseguiu a incrível proeza de se qualificar para as meias-finais da Liga dos Campeões. Ninguém podia imaginar que um clube que disputou a terceira pré-eliminatória da Champions conseguiria chegar tão longe nesta prova. Foi inédito. O Monaco fez história e o grande culpado deste espetacular êxito dos monegascos foi o seu líder, Leonardo Jardim. Sem dúvida alguma queo técnico português é o herói da grande surpresa destes quartos-de-final.

Se há um jogador que adoraria vingar-se do presidente e dos dirigentes do seu antigo clube, sem dúvida alguma que era Dani Alves. O brasileiro, assim que assinou pela Juventus, deu várias bicadas aos responsáveis culés: "Durante as minhas três últimas temporadas, sempre ouvi que Alves sairia, mas os diretores do clube nunca me disseram nada cara-a-cara. Foram falsos e mal agradecidos. Não tiveram respeito para comigo. Só me ofereceram a renovação quando a FIFA os puniu. Então, foi quando eu entrei em jogo e assinei uma renovação com cláusula livre. Os que hoje dirigem o Barcelona não têm ideia de como tratar os seus jogadores." E o destino tem destes caprichos... O sorteio dos quartos-de-final colocou Dani Alves no caminho da anterior equipa. Depois de oito anos de êxitos com a camisola culé, voltava a jogar no Camp Nou, mas desta vez como jogador da Juventus. Chegou o momento da vingança. O Barça foi eliminado e o brasileiro vingou-se... e de que maneira! Dani Alves é o herói da vingança!

Saúl, do Atlético Madrid, saiu lesionado no jogo com o Bayer Leverkusen, da primeira-mão dos oitavos-de-final da Champions League, na época 2014/15. O médio sofreu uma entrada duríssima nas costas e ficou três dias no hospital, na Alemanha, com um traumatismo no rim com hematoma. Só voltou a jogar várias semanas depois.

Saúl concedeu uma entrevista a um canal de televisão na última segunda-feira. Fiquei sem palavras, quando o vi emocionado e sem evitar as lágrimas. "Estive dois anos a jogar com um catéter interno. Urinava sangue a cada treino e a cada jogo. Passei momentos horriveis", disse.

É de enaltecer a força mental e a capacidade de superação deste jovem jogador. É um fenómeno. Nestes dois anos não parou de crescer. Realizou exibições de autêntico craque. E tudo em condições de muito sofrimento. Quarta-feira, em Leicester, o Atlético Madrid, empatou 1-1 com outro golo de Saúl e passou às meias-finais da Champions League. Sem dúvida alguma que Saúl é o herói da superação.


CALDEIRADA DA SEMANA 

De volta aos anos 80

Quando cheguei a Espanha, em 1987, só podiam jogar dois estrangeiros por equipa. A pressão que sentíamos nos primeiros meses era tremenda, porque o adepto espanhol não tinha paciência para com os estrangeiros. Tinhas de chegar, ver e vencer para não seres massacrado com assobios. Depois da lei Bosman, o adepto espanhol começou a ser mais paciente. Só que os culés, este ano, voltaram aos anos 80! Não é normal a maneira cruel como estão a tratar o André Gomes. Mais do que uma caldeirada, trata-se de uma grande injustiça o que estão a fazer ao jovem jogador português. André, com dois bons jogos, vais dar a volta! Força, campeão!


NÓS LÁ FORA

Impressionante campeão

"O Manchester United venceu o Anderlecht, por 2-1, já no prolongamento, e apurou-se para as meias-finais da Liga Europa". Foi dentro desta linha que a maioria da imprensa desportiva espanhola e italiana destacou a qualificação dos red devils. Sei que o José Mourinho fez muitos inimigos por aqueles lados. Até quando o treinador português faz história evitam falar nele. Para o Zé, isto é uma vitória sobre eles, mas, como seu amigo e português, gostava de ter visto nas primeiras paginas em todos os jornais desportivos do Mundo títulos como este:"José Mourinho vai disputar nada mais e nada menos do que a sua décima meia-final em competições europeias e isto é um feito incrível". Parabéns, amigo Zé, impresionante campeão!


ÁLBUM DE RECORDAÇÕES

Nervosismo portista

Portugal parou ontem, com o grande dérbi do futebol português. Durante o jogo, recordei a penúltima jornada da época 1985/86, que foi imprópria para cardíacos e pensei também nos atuais jogadores do FCPorto. Na altura, atuava nos dragões e a situação era parecida com a de ontem. Faltavam dois jogos para terminar a guerra. Nós jogávamos em Setúbal, tínhamos de ganhar e esperar que, no dérbi do Estádio da Luz, o Sporting ganhasse ao Benfica para passarmos para a frente e depender só de nós para sermos campeões no último jogo. Durante esses 90 minutos, estava fisicamente no Bonfim,mas a minha mente pairava na Luz. Imaginei, por isso, a ansiedade, o nervosismo e o sofrimento dos jogadores do FC Porto durante o dérbi de ontem.







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