Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Parabéns ao planeta benfiquista

Em primeiro lugar quero felicitar e dar os parabéns ao presidente Luís Filipe Vieira, a Rui Vitória, ao meu querido amigo Rui Costa e a todos os benfiquistas pela conquista do tetra e do seu 36.º título da Liga portuguesa.

Retirei-me do futebol em 1998 e em todos estes anos, no momento que um clube se consagra campeão nacional, sempre recebo uma chamada de algum amigo ou conhecido jornalista para dar a minha opinião sobre o campeão e o campeonato. Ontem era um dia desses, mas assim que terminou o jogo na Luz antecipei-me e desliguei o telemóvel.

O meu nome completo é Paulo Jorge dos Santos Futre e, ontem, o Jorge Santos ia entrevistar o Paulo Futre pela primeira vez.

Jorge Santos – Viste todos os jogos em direto na CM TV dos três grandes clubes neste campeonato. Assim, nesta primeira parte da entrevista quero que me dês a tua opinião sobre os estrangeiros que chegaram este ano a Portugal – e foram muitos –, também sobre as contratações que fizeram os candidatos ao título e dessas quem colocavas no top 5?

Paulo Futre – Em quinto lugar colocava o Alex Telles, lateral-esquerdo do FC Porto contratado ao Inter Milão, pois tirando o erro grave e infantil que cometeu ao ver o segundo amarelo na primeira mão dos ‘oitavos’ da Liga dos Campeões, frente à Juventus, deixando a sua equipa com dez jogadores ainda no primeiro tempo, o brasileiro adaptou-se muito bem ao clube, fez uma grande época e demonstrou todo o seu potencial. Os quarto e terceiro lugares deixava para os jovens canhotos do Benfica : Zivkovic e Cervi. Podes ser um craque em outras equipas, mas isso não basta para triunfares com a águia ao peito. Para chegar, ver e vencer no Estádio da Luz, à parte o talento, tens de ter uma confiança extrema em ti mesmo e um caráter ganhador. O sérvio e o argentino demonstraram que têm essas virtudes e se continuam a crescer, como tudo indica, dentro de uns anos o Benfica será obrigado a vender ambos por cifras milionárias aos tubarões da Europa. Em segundo lugar coloco o defesa-central Felipe. Sem dúvida alguma que o FC Porto acertou em cheio com esta contratação. O brasileiro jogou com o dragão ao peito, mas durante toda a época mostrou tratar-se de um autêntico leão no campo. São destes centrais que gostava de ter na minha equipa. Felipe demonstrou que tem nível para estar em qualquer plantel dos melhores clubes da Europa. Quanto ao número um da lista, é fácil. Só podia ser Bas Dost. O jogo do Sporting começou agora mesmo em Santa Maria da Feira, enquanto escrevo estas linhas, e o holandês ainda não marcou, mas até esta altura o ponta-de-lança dos leões já conseguiu 31 golos em 29 jogos e isto são palavras maiores. Chegar a um novo clube, cidade, país e fazer tantos golos, só está à altura de um craque. Nota 10 para Bas Dost!

JS – Ainda no que diz respeito a estrangeiros, a quem davas a pior nota?

PF – Muitos deles não estiveram ao nível que esperávamos, mas como estive na mesma situação de muitos deles várias vezes, tantos foram os países onde joguei, sei que o primeiro ano nunca é fácil e penso da mesma forma que os adeptos italianos pensavam nos anos 80 e 90. Para eles, o primeiro ano dos estrangeiros era de adaptação e não de qualquer crítica. Por essa razão, se tenho de criticar algum jogador, seriam os que já tinham estado em Portugal, como por exemplo Elias e Markovic. Ambos já conheciam o futebol português, vieram viver para a mesma cidade e falharam completamente. E apesar de ser um grande fã do Óliver Torres, reconheço que nesta segunda aventura no FC Porto o espanhol não esteve tão brilhante como no primeiro ano. Aliás, na parte final da Liga esteve muito longe do seu melhor nível.

JS – À parte Markovic e Elias, queria saber a tua opinião sobre outros ‘flops’ que foram contratados no verão pelos três grandes e que poucos meses depois, no mercado de inverno, foram convidados a sair do seu clube. Mas vais ter de me responder a esta pergunta (e muitas mais) na próxima semana, porque não tenho mais espaço nem para uma letra mais nesta página…

Que difícil é ser jornalista. Fiz duas perguntas a mim mesmo e com as respostas esgotei os carateres da página. Por este caminho vou estar aqui todas as semanas até agosto, a falar do campeonato 2016/17. O melhor que tenho a fazer é despedir este Jorge Santos, que é um jornalista horrível, e tentar que para a próxima semana uma das grandes canetas e mentes do jornalismo desportivo de Portugal, como é o meu grande e querido amigo José Manuel Freitas, me faça as perguntas que faltam sobre a Liga e controle o espaço. Mas para conseguir isso, esta semana, nos programas da CM TV não o posso enervar como gosto. Tenho de estar mais tranquilo e não vai ser nada fácil. Veremos se tenho sorte e o Zé no próximo domingo está aqui dentro do balneário comigo…

CALDEIRADA DA SEMANA - O pesadelo do Football Leaks

Depois das revelações feitas pelo jornal alemão ‘Der Spiegel’, com base no Football Leaks, que a FIFA vai avançar com uma investigação à transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United e às comissões de Mino Raiola, agente do médio francês que poderá ter recebido 48 milhões de euros, dos quais 25% são referentes a 25% do valor global da transferência (27 milhões), aos quais se juntam mais 19,4 milhões de serviços de intermediação.
Este Football Leaks, mais que uma caldeirada, começa a ser um autêntico pesadelo para todos os clubes e profissionais que vivem do futebol...

NÓS LÁ FORA - Quarta final europeia

Disputar dez meias-finais em competições europeias e chegar quatro vezes à final como conseguiu o José Mourinho é um feito incrível e só está à altura dos melhores treinadores da história. A frase "as finais não se jogam, ganham-se" tem tudo a ver com o Zé. Ele ganhou as três que disputou: a Taça UEFA com o FC Porto, em 2003, e a Liga dos Campeões com os dragões e com o Inter Milão, em 2004 e 2010, e no dia 24 com o seu Manchester United pode conquistar a Liga Europa contra o Ajax.
Parabéns amigo Zé e o melhor do Mundo para a final de Estocolmo.

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES - Ricardinho

Depois da minha aventura como diretor desportivo do Atlético Madrid comecei a colaborar com vários meios de comunicação em Espanha, Qatar e nos últimos anos em Portugal. E um dos programas de televisão que mais prazer me deu fazer foi em 2012 com o melhor jogador do Mundo de futsal de 2010. Ontem entrei no YouTube e voltei a ver a reportagem e fiquei de boca aberta quando vi que 176.873 pessoas já tinham visto aqueles 11 minutos.
Desde estas linhas quero dar os parabéns ao mágico de todos mágicos da história do futsal pela sua quarta Bola de Ouro. Que orgulho tenho em ser português e amigo deste autêntico génio que se chama Ricardinho!

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.