Piqué, a grande desilusão

Adicione como fonte preferencial no Google

Na última segunda-feira, às 16 horas, desliguei o telemóvel antes de começar uma reunião. Duas horas mais tarde, voltei a ligá-lo e passei a ouvir, de forma incessante, o som da chegada mensagens... Eram 48 e quase todas oriundas de Espanha.

Uma delas era do meu filho Paulinho e dizia. "Liga-me urgente, pai". Assustei-me a sério, fiquei sem ar e liguei-lhe de pronto. Só consegui respirar quando ouvi a primeira frase e percebi que não era nada grave. "Pai, a ‘Marca’ meteu a tua crónica de hoje ‘em aberto’ no site, há pouco mais de uma hora, e já foi partilhada por quase 5 mil pessoas. O meu Twitter já está a arder e já vi vários comentários de catalães a arrasarem-te". Eu respondi-lhe: "Tu achas que o meu coração merece que te ligue urgentemente por uma notícia destas? Se escrevi isto é porque sabia que os catalães iam arrasar-me. Diz-me só uma coisa. E os colchoneros? O que dizem nas redes sociais?", perguntei.

"Estão todos contigo, pai. E muitos metem mais lenha para a fogueira contra o Piqué", respondeu-me, ao que eu concluí. "Então ri-te e diverte-te, filho".

Na noite em que o Atlético Madrid foi eliminado pelo o Barcelona, nas meias-finais da Taça de Espanha, fiquei sem sono e escrevi o texto que saiu no meu espaço, ‘Los toques de Futre’, no jornal ‘Marca’, que também deve ser partilhado convosco:

"Se há um profissional de futebol que não conheço pessoalmente mas que estimo muito, e pelo qual sinto uma grande admiração, ele é Gerard Piqué. Admiro a impressionante carreira que está a fazer, porque só os grandes craques podem conquistar um Mundial e um Euro pelo seu país e ganhar a Champions por duas equipas diferentes. Como pessoa, também o admiro, porque nunca se esconde e dá sempre a cara. Não tem medo da opinião pública. É direto, corajoso e adoro as suas frases irónicas."

Nas últimas semanas, ele dececionou-me bastante. Em 2011, quando o Barça ganhou facilmente quase todos os jogos, disse: "Nós não falamos dos árbitros, só de futebol". Mas quando o Barcelona foi prejudicado em Bilbau ou Villarreal, não esperava ouvir aquelas queixas de Piqué. Foi uma surpresa pela negativa, embora admitisse, a certa altura, tratar-se de uma estratégia do clube, até porque a maioria dos árbitros e assistentes não estão ao nível da melhor liga do Mundo.

No jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Taça, em San Sebastián, o Barcelona ganhou, por 1-0, e a arbitragem foi muito contestada pelos adeptos e jogadores da Real Sociedad. No dia seguinte, Gerard teve um ‘encontro digital ‘com os seus fãs e perguntaram-lhe o que pensava da atuação desse árbitro. Pensava que a sua resposta tivesse sido algo do género: "Ficou demonstrado o que afirmei há uns dias, que os árbitros devem melhorar". Mas na realidade foi outra e fiquei estupefacto: "Deixemos agora este tema, que está muito quente", disse. A minha deceção foi brutal. Deu a mesma resposta de todos os perdedores e medíocres. Chora quando é prejudicado, mas já não quer falar no assunto cada vez que é beneficiado!

No tal jogo com o Atlético Madrid, a única pessoa do Planeta que não precisava ver qualquer repetição do golo mal anulado a Griezmann era precisamente Piqué. Ele sabia que o francês não estava em fora-de-jogo, porque foi ele a colocá-lo em posição legal. Faltavam 30 minutos para o final da partida, o Barça estava com um a menos e as possibilidades de o Atlético operar a reviravolta na eliminatória aumentavam consideravelmente.

Foram 180 minutos impressionantes, mas o grande protagonista da eliminatória foi o árbitro assistente pelo seu erro escandaloso. Depois do jogo, tinha uma pequena esperança que Piqué dissesse que "há que fazer algo rapidamente, os árbitros devem melhorar o seu nível urgentemente", por exemplo, mas a pessoa, que sempre dava a cara e nunca se escondia, desapareceu como um fantasma. Com esta atitude, que nada tem a ver com o teu caráter de grande campeão, começas a ser um fantasma... medíocre.

CALDEIRADA DA SEMANA -- Luis Enrique

Se pudessem, Messi, Suárez, Neymar, Iniesta e todos os outros craques culés, juntamente com o seu líder, Luis Enrique, nem passavam pelo balneário, depois da derrota, por 4-0, em Paris. Iam diretos ao avião para evitarem as perguntas cruéis por parte da imprensa. Mas não podiam e tinham de dar cara... O técnico do Barcelona, segundo uma jornalista espanhola, tentou agredir um jornalista na ‘flash interview’. Mais do que uma caldeirada! Foi uma noite negra e infernal para o míster culé!

NÓS LÁ FORA -- Os 7 magníficos

As eliminatórias das competições europeias começaram esta semana e as nacionalidades dos 48 treinadores que estão nos oitavos-de-final da Champions League e nos 16 avos-de-final da Liga Europa são: 5 italianos e espanhóis, 4 alemães, argentinos e franceses, 3 turcos, 2 romenos e holandeses, e 12 de outros tantos países diferentes. E há um país, com 10 milhões de habitantes, que lidera esta lista com os 7 magníficos. Tenho muito orgulho neles e desejo ao Nuno Espírito Santo, Rui Vitória, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Paulo Bento, Paulo Sousa e José Mourinho, muita, muita sorte!

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES -- Onze nacionalidades na equipa

Nos anos 80 e princípios de 90, nas grandes ligas só podiam jogar dois jogadores estrangeiros. Quando fui campeão da Europa com o FC Porto, estive reunido com vários clubes de top. Pareciam interrogatórios que a polícia faz aos suspeitos. Queriam saber tudo sobre mim. Os estrangeiros tinham de fazer a diferença. Não podiam falhar. Recordo-me destes tempos, porque o Granada, na sexta-feira, entrou na história da Liga com este onze titular: Héctor (Espanha), Ochoa (México), Adrián Ramos (Colômbia), Ingason (Islândia), Gastón Silva (Uruguai), Hongla (Camarões), Wakaso (Gana), Andreas Pereira (Brasil), Foulquier (França), Uche Agbo (Nigéria) e Carcela (Marrocos). Onze nacionalidades diferentes. Impressionante!

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade