Que grande és... amigo Zé!
No último capítulo do meu livro ‘El Português’ está este parágrafo: "Aliás, em toda a minha vida, pelo meu passado no Atlético de Madrid, só fui anti-Real Madrid. Quando o Secretário foi jogar para lá, queria que eles perdessem sempre por 5-4 e que o Secretário fizesse os quatro golos. O mesmo aconteceu com o Figo, o Cristiano Ronaldo, o Pepe, Coentrão e o Ricardo Carvalho. Mas com a chegada do José Mourinho ao Real passei a ter um grave problema. O meu amigo Zé não pode marcar golos. Não pode valorizar-se com derrotas . Precisa de vitórias para continuar a trabalhar e triunfar. Os treinadores vivem de resultados. E enquanto ele estiver no Real, quero que a equipa ganhe. Mas apenas pelo Mourinho. Não pelo clube. Quando se for embora, que o Real volte a perder. Sempre. Compreendo que alguns adeptos do Atlético de Madrid se sintam tristes com estas palavras, mas a amizade está acima de qualquer clube." Um ano e poucos meses depois de sair o livro, ele ganhou a liga espanhola 2011/12 e fiquei feliz ,não por os merengues ganharem o título, mas sim pelo meu querido amigo Zé. Até ali ele tinha sido campeão em Portugal, Inglaterra e Itália; tinha ganho duas vezes a Champions League com o FC Porto e Inter Milão, mas o mais curioso e talvez por ter seguido com lupa a sua trajetória no Real e saber os muitos inimigos que ele tinha em Espanha, o título que mais prazer e satisfação me deu ver o Mourinho ganhar foi aquele com os merengues. Os seus êxitos tocaram na minha veia patriótica muitas vezes e nestes momentos sentia um grande orgulho em ser português. Mas aquele título foi demais. No dia que em Mourinho foi campeão da liga em Espanha estava na minha casa em Madrid e fui ao baú das recordações buscar a minha bandeira portuguesa, tipo lençol, e meti sobre as minhas costas. E recordo isto porque depois do choque e deceção inicial que senti na passada terça-feira, quando vi a notícia de que o Mourinho tinha sido destituído como treinador do Manchester United, com o passar das horas comecei a ver que o planeta Terra estava a falar nele, e algo assim nunca tinha acontecido na história do futebol com uma destituição de um treinador. Toda a imprensa mundial, redes sociais, amantes do futebol de todo os locais, políticos como a primeira-ministra norueguesa Erna Solberg e e empresas aproveitaram o momento para fazerem publicidade, como por exemplo a Pizza Hut que pôs este Twitter: "Olá Manchester United, recebemos o currículo do senhor José Mourinho. Ele candidatou-se ao cargo de chefe. Por favor, podem enviar as referências dele. Obrigado".
