Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Sem palavras, Cristiano!

Em 2012, Cristiano Ronaldo foi campeão de Espanha, levando o Real Madrid às costas na conquista daquele título, apontando golos e marcando a diferença sempre nos momentos decisivos (como por exemplo na vitória em Camp Nou, que decidiu o campeonato). Fez um espetacular Euro’2012 na Ucrânia e Polónia, levando Portugal às meias-finais. Mas, injustamente, não conquistou a Bola de Ouro. Messi tinha ganho apenas a Taça do Rei naquela época e ficou com o prémio máximo individual. Depois daquela entrega, o marcador em Bolas de Ouro entre estes dois génios, fenómenos e extraterrestres do futebol, ficou injustamente em 4-1 a favor do argentino.

O panorama estava negro para o Cristiano, pois se não tinha ganho aquela Bola de Ouro dificilmente voltaria a ganhar. Eram os tempos da FIFA corrupta, comandado pelo seu presidente e companhia. As armadilhas e escândalos naquelas galas da FIFA eram de tal maneira vergonhosas, que pessoalmente deixei de chamar Bola de Ouro e comecei a chamar Troféu Joseph Blatter. Porque era ele e todos os corruptos a seu lado que decidiam quem seria o melhor jogador do Mundo, e eles detestavam o nosso craque.

No ano seguinte, 2013, CR7 fez outro ano de sonho. Em 11 meses já tinha feito 66 golos, quatro deles à Suécia com a camisola das quinas no playoff para o Mundial do Brasil, e superado o seu recorde de 63 golos, que tinha conseguido em 2012. Faltavam poucas semanas para a gala e os seus dois rivais para a Bola de Ouro eram Messi e o francês Ribéry, que, entre ambos, tinham marcado 64 golos. O ‘Bicho’ tinha mais dois do que os eles juntos. Só CR7 podia ganhar o troféu, mas tudo indicava que ia precisar de um milagre para o conseguir.

Foi naquele ano que Joseph Blatter, que era ainda o presidente da FIFA, fez estas declarações sobre o Cristiano: "Parece um comandante, gasta mais dinheiro em cabeleireiros…" E também foi o ano que Ribéry disse superconvencido que a sua esposa já tinha escolhido um lugar em cima da lareira para pôr a Bola de Ouro. O jogador do Bayern não é estúpido e para afirmar algo assim antes da gala e para ter aquela confiança que ia ganhar, só podia ser porque alguém importante lhe disse... Este alguém era o presidente da UEFA, Michel Platini, que não aguentou a sua frustração por ter ganho o Cristiano. Depois da gala disse estar muito dececionado, porque o seu compatriota Franck Ribéry deveria ter sido o vencedor.

Hoje ainda faço estas perguntas: Quem foi o herói que dececionou Platini? Naquele dia, quem falhou aos presidente da UEFA e da FIFA? Com a perseguição descarada a CR7 pelos máximos responsáveis do futebol mundial, como conseguiu Cristiano fazer aquele milagre e ser Bola de Ouro em 2013? Quem fez que aquele sistema de votos vergonhoso, misterioso e corrupto da FIFA, que sempre se enganava na contagem, funcionasse bem pela primeira vez ?

Em 2014, os três nomeados eram Messi, o alemão Manuel Neuer e o Cristiano, que tinha ganho a Champions League com o Real Madrid. Antes da gala, Platini voltou à carga e disse: "Quem tem de ganhar a Bola de Ouro este ano é um alemão, porque ganharam o Mundial." Mas o sistema voltou a falhar e, justamente, o CR7 voltou a ganhar.

Nos últimos anos a Bola de Ouro felizmente saiu da FIFA, voltou a ser só da ‘France Football’, como era antigamente, e voltou a transparência. Na quinta-feira o Cristiano Ronaldo ganhou mais uma. Incrivelmente, e depois daquele panorama negro, empatou a cinco com o Messi e meteu justiça no marcador. Mas para CR7 chegar a esta situação e cometer esta proeza, além de ter de fazer um ano melhor do que o seu grande rival futebolístico Messi quando ganhou em 2013 e 2014, também tinha que derrotar o ex-presidente da UEFA, Michel Platini, o ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, e todo o seu sistema corrupto. Conseguiu-o. Não sei quem inventou e há quantos anos existe esta frase mítica "ganhou contra tudo e contra todos". Parece que foi escrita para o Cristiano Ronaldo, porque o ‘Bicho’ ganhou mesmo contra tudo e contra todos. E termino com a mensagem que lhe enviei há uns dias por WhatsApp: "Sem palavras, Cristiano!"


Caldeirada da semana - O caso Benzema

Benzema não foi convocado para o Euro’2016 e, antes de começar a prova, montou uma autêntica caldeirada na sociedade francesa, que dura até hoje, com esta frase: "Deschamps deixou-se influenciar pela pressão de uma parte racista de França". Esta semana, o presidente da federação, Noel Le Graet, voltou a defender Deschamps, acusado de racismo, e incendiou muito mais os ânimos. "É preciso ser cego ou surdo para não entender a dificuldade em convocar Benzema. Hoje temos muitos jogadores com talento no ataque e a sua ausência preocupa-nos muito menos do que preocupava há uns anos", referiu.


Nós lá fora - A promessa cumprida

O Shakhtar Donetsk, do treinador português Paulo Fonseca, necessitava de
um pequeno milagre para se qualificar para os oitavos-de-final da
Champions League, já que no seu grupo estavam
dois tubarões, Manchester City e Nápoles. No balneário de um clube profissional, quando o objetivo é muito difícil de atingir, existe todo o tipo de promessas. A do Paulo Fonseca soubemos qual era antes da 5.ª jornada, quando ele disse: "Se passarmos, vou mascarar-me de Zorro ". O Shakhtar passou à seguinte fase e o Paulo cumpriu a sua promessa. Muitos parabéns, míster!


Álbum de recordações - Julio Salinas

Quando cheguei ao Atlético Madrid, em 1987, o nosso ponta-de-lança era o Julio Salinas, muitos anos titular da seleção espanhola. Fazíamos uma boa dupla. E recordo-me do grande Julito, porque, na sexta-feira, publicou no Twitter sobre o CR7, merecendo muitas críticas: "Que sejas muito bom não significa que sejas o melhor, já que tivestes o azar de coincidir com Messi, o maior de sempre. E sinceramente não acho que estejas entre os melhores". Julito, como jogaste no Barça, na primeira frase estiveste correto e entendo. Mas tinhas de ficar por aí. Na segunda frase chegaste mesmo ao ridículo, amigo.


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