Dentro do Balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Sofrimento pelo Atlético... e por CR7

No dia 24 de maio de 2014, na final da Champions League disputada em Lisboa, o futebol foi muito cruel com o Atlético de Madrid. Já passaram dois anos, mas aquele horrivel minuto 92 – que paralisou e congelou durante vários segundos os corações de todos os adeptos colchoneros – continua a estar muito presente. A ferida foi tão grande que ainda não cicatrizou. Faltava um minuto para que o meu Atlético de Madrid ganhasse ao seu eterno rival Real Madrid e se consagrasse campeão da Europa. Simplesmente 60 segundos para tocar na glória. Mas todo o mundo colchonero se derrubou com aquele golo do Sérgio Ramos ao cair do pano. Nunca esquecerei o momento que o andaluz cabeceia a bola para o fundo da baliza de Courtois e empata o jogo. Naquele instante todos sabíamos que aquele golo do Real era um golpe mortal para a moral dos craques rojiblancos e ao mesmo tempo daria muita força mental aos jogadores merengues para os 30 minutos do prolongamento. E assim foi. Nunca esquecerei aquele maldito minuto 92.

Recordo-me que naquela final em Lisboa eu era o embaixador do Atlético de Madrid e as horas que se seguiram ao jogo, sem dúvida alguma, foram as mais dolorosas que vivi enquanto adepto colchonero. A tristeza e o pesadelo durou vários dias.

Dois anos depois o destino quis que a final da Champions League seja novamente entre os dois clubes gigantes da capital espanhola. Desta vez a finalissima será em Milão. Lá estarei e espero que o resultado seja diferente, que o futebol faça justiça com o Atlético de Madrid.

Por outro lado está aí o Europeu e no sábado, em San Siro, estarei a sofrer por dois motivos: pelo o Atlético e também para que o Cristiano não se lesione.

Desejo que o Bicho seja o melhor jogador em campo, que marque cinco golos e que o Atlético ganhe 6-5 e especialmente que não tenha nenhuma lesão para chegar ao Europeu de França a cem por cento e nas melhores condições. Se o génio chega bem fisicamente ao estágio da Seleção seria uma grande injeção de moral e de confiança para os outros 22 jogadores começarem a acreditar e a sonhar que podem chegar à gloria e serem campeões europeus. A influência que ele tem na mente dos seus companheiros é brutal. Quando o CR7 não está bem, por qualquer motivo, seja ele físico ou psicológico, a Seleção fracassa sempre, como aconteceu nos Mundiais da África do Sul (em 2010)e do Brasil (em 2014) ou no Europeu da Áustria e Suíça (em 2008). Quando o fenómeno está bem fisicamente e moralmente a música é completamente diferente como todos vimos no Euro de Portugal, em 2004, quando chegámos à final. Também na Polónia e Ucrânia, em 2012, em que disputámos as meias finais e no Mundial de 2006, na Alemanha, em que ficamos em quarto lugar.

Com o Cristiano a cem por cento, nas suas melhores condiçoes fisicas, juntamente com a grande qualidade de todos os seus companheiros de Seleçao, que são um misto de experiência com juventude e irreverência, acredito que sim, acredito que temos equipa para ganhar.

CALDEIRADA DA SEMANA - "Jogo duplo"

Foi de forma muito triste que vi as notícias sobre a operação da Polícia Judiciária em alguns clubes da Segunda Liga. A viciação de resultados, seja ela para apostas desportivas ou para favorecimento de clubes em detrimento de outros, é algo que nunca fez sentido na minha cabeça, ainda hoje não faz e por isso mesmo só tenho de dar os parabéns pelo trabalho da nossa polícia. Que sejam todos eles apanhados. E que tenham as devidas sanções. É esse o meu desejo, pois este não é – seguramente – o futebol que me apaixonou em miúdo e ainda me apaixona hoje em dia.

NÓS LÁ FORA - Portugueses de Sevilha

Os portugueses Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras conquistaram na passada quarta-feira a terceira Liga Europa seguida ao serviço do Sevilha. Uma final em que fizeram uma "remontada" incrível e venceram o Liverpool de Jurgen Klopp por 3-1. Desde estas linhas quero endereçar os meus parabéns aos três craques portugueses. Fizeram história!

ALBUM DE RECORDAÇÕES - Taça de Portugal

Hoje joga-se a final da Taça de Portugal entre o FC Porto e o Sporting de Braga. Uma final que é sempre mítica, uma festa muito especial na qual tive o privilégio de participar por duas vezes. A primeira vez, ao serviço do FC Porto, perdemos por 3-1 e fiz o único golo da minha equipa. A segunda, pelo Benfica, em que ganhámos por 5-2 ao Boavista e onde realizei uma das melhores exibiçõesda minha carreira. Hoje será certamente um jogo interessante, com grandes jogadores, dois excelentes treinadores e, acima de tudo, com a perspetiva de um futebol de qualidade. Que ganhe o melhor e acima de tudo que seja uma grande festa no Jamor.

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