Dentro do balneário

Paulo Futre
Paulo Futre

Tiago fez-me chorar no Calderón

A despedida do grande e eterno ‘capitano’ da Roma, na semana passada, foi emocionante. E quando Francesco Totti dava a volta ao estádio, com os ‘tifosi’ romanistas a chorar, foi um momento arrepiante e recordei a única vez que chorei numa despedida de um jogador de futebol.

Ao longo da minha vida admirei vários craques, e quando jogaram o seu último jogo fiquei triste, emocionado, e com uma pena tremenda, mas nunca tinha chorado. Hoje, faz 15 dias do adeus do Estádio Vicente Calderón, eu estava lá, e assim que o árbitro apitasse para o final do jogo entre o Atlético Madrid e o Athletic Bilbao entraria em campo com a Taça de 1992. Para estar mais perto do túnel, a parte final do jogo vi-a tranquilamente na televisão, dentro do balneário, até que chegou o minuto 88. Quando comecei a ouvir o ruído das bancadas ovacionando o Tiago – que fazia o seu último jogo como colchonero – e vi este campeão a chorar, não aguentei e as lágrimas começaram-me a cair.

O Tiago chegou ao Atlético em janeiro de 2010 e tudo o que escrevi sobre ele, em todos estes anos no ‘Los toques de Futre’, na ‘Marca’, dava para um livro. E o Tiaguinho, com a sua humildade e modéstia, sempre me mandava uma mensagem a agradecer, como por exemplo quando escrevi:

– "A chegada de Tiago no mercado de inverno foi fundamental para que a situação da equipa, que era caótica naquela altura, mudasse radicalmente de rumo. O meu compatriota, com o seu excelente rendimento no campo e a sua atitude de líder no balneário, foi crucial para a conquista da Liga Europa, e para que este grandioso clube voltasse aos grandes êxitos"

– "Tiago, hoje tem 32 anos, é um dos melhores médios do Mundo"

– "O Atlético Madrid está viver o melhor momento dos seus 111 anos de vida e o Tiago é um pilar chave nesta já histórica equipa"

– "O detalhe que teve o Tiago renunciando a nada menos que 500.000 euros do salário que tinha na Juventus, para jogar no Atlético Madrid, foi incrível, e se há uma massa associativa que não esquece detalhes deste tipo e que é agradecida sem dúvida alguma que é a ‘afición’ colchonera. O Tiago será amado eternamente por todos os rojiblancos, porque todos sabem que muito poucos jogadores, para não dizer nenhum, fariam algo assim".

Mas, em janeiro , o Tiaguinho ficou um pouco incomodado, quando escrevi isto:

"O Atlético Madrid, em toda sua história, contratou 13 jogadores portugueses. Tirando os jovens Diogo Jota e Moreira – que ainda não jogaram com a camisola rojiblanca – os outros 11 foram: Mendonça, Hugo Leal, Dani, Simão, Maniche, Costinha, Pizzi, Zé Castro, Sílvio, Tiago e o que escreve estas linhas. Como é normal, alguns, por não se adaptarem bem ao clube, ao futebol espanhol ou por qualquer outra razão, não conseguiram ter êxito e tiveram uma nota negativa na sua etapa colchonera; outros estiveram bastante bem e a sua nota esteve entre 7 e 8; alguns foram capitães, líderes no balneário e tiveram 9, mas na minha opinião só um teve 10. Três deles que conseguiram notas altíssimas, foram Jorge Mendonça, o primeiro luso que teve o privilégio de jogar e triunfar no futebol espanhol. Outro que fez história foi o Simão. Nas quatro épocas no Atlético foi fundamental na conquista dos títulos europeus. Simão era um pilar na equipa que conquistou a Liga Europa em 2009/10 (derrotando o Fulham na final) e também na Supertaça da Europa (vencendo o Inter ). O terceiro escreve estas palavras e teve a grande honra de ser Bola de Prata em 1987 com a camisola do FC Porto e a do Atlético. Os três, em épocas diferentes, fomos importantes neste grande clube, mas, na minha opinião, Tiago – pelo rendimento e regularidade – está por cima de todos e foi o único português que conseguiu atingir a nota máxima. A sua etapa no Atlético está a ser incrível."

Tiaguinho: isto é o que eu penso. E a minha opinião só mudará quando um português fizer igual ou melhor do que tu. Eu e o Simão jogávamos em posições diferentes da tua e fizemos mais golos, assistências, penáltis e fintas que tu, mas a nível de regularidade estamos muito longe de ti. E dou-te outra nota 10, pela carreira excelente que fizeste e pelo o profissional exemplar que foste. Para terminar, como colchonero quero agradecer-te as alegrias que me deste e como português sempre tive um enorme orgulho em ti e como teu amigo desejo-te o melhor do Mundo, grande campeão.

CALDEIRADA DA SEMANA - Que vergonha!

O Atlético Madrid, na quinta-feira, depois de saber decisão do Tribunal Arbitral do Desporto TAS), fez um comunicado com frases como esta:
"Consideramos que a decisão de manter a proibição de inscrever jogadores no mercado de verão evidencia um tratamento injusto e discriminatório contra o nosso clube". E têm toda a razão, porque não é normal que o Real Madrid – que estava na mesma situação –possa contratar jogadores no mercado de verão (que é o mais importante) e os colchoneros não. Sou do Atlético Madrid, mas se fizessem esta malandrice a outro clube dizia esta mesma frase: "Que vergonha e falta de respeito."

NÓS LÁ FORA - O quarto canhoto

Há pouco tempo escrevi neste mesmo espaço um texto dedicado ao Bernardo Silva que terminava assim: "O Simões, o Chalana e quem escreve estas linhas podemos dizer que finalmente, depois de tantos anos, já temos companhia, o quarto grande canhoto do futebol português acaba de chegar. Bem-vindo ao clube, Bernardo." Este esquerdino de ouro acaba de assinar pelo Manchester City e, se não tiver nenhuma lesão, com o Guardiola vai continuar a crescer (e de que maneira) futebolisticamente e dentro de quatro anos vejo Bernardo Silva, Dybala e o Neymar a disputarem a Bola de Ouro. Parabéns Bernardo e muita força para esta nova aventura em Inglaterra.

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES - 1987 foi mesmo de sonho

Nos últimos três fins de semanas vivi momentos de grande emoção. Há 15 dias estive em Madrid na despedida do mítico Estádio Vicente Calderón, e recordava o meu primeiro jogo há 30 anos.
Na semana passada fui ao jantar de aniversário dos 30 anos da conquista da Taça dos Campeões Europeus do FC Porto e foi maravilhoso.
E ontem, como não podia ser de outra maneira, enquanto via a final da Champions, a minha mente de vez enquanto recuava 30 anos e estava em Viena. Com tantas recordações maravilhosas de há 30 anos, não há dúvida que o ano de 1987 foi mesmo de sonho.

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