Treinadores que sabem motivar

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"É hoje. Tem de ser hoje que o homem me vai dar moral." Isto era o que eu pensava sobre Artur Jorge quando fui treinado por ele no FC Porto. Depois de grandes exibições, ficava sempre à espera que ele me viesse elogiar. Mas nada. Foi assim durante os três anos em que trabalhámos juntos. Nem mesmo nos jogos em que eu ganhava quase sozinho. Havia sempre qualquer coisa. Havia sempre um defeito. "Estiveste mal aqui, fizeste assim e devias ter feito assado." Isso deixava-me louco, mas com aquela vontade de jogar cada vez melhor para que um dia ele fosse obrigado a dizer-me que eu tinha estado bem. No dia em que me ia embora para assinar pelo Atlético de Madrid, fui despedir-me dele. E nesse momento explicou-me o motivo daquela forma de lidar comigo: "Sabes porque é que nunca te elogiei? Porque tudo o que faças é pouco para ti. Tens condições para ser o melhor jogador do Mundo e podes fazer muito mais." Era a forma que ele tinha de me motivar. E resultou.

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