Uma honra ajudar Cintra e o Sporting
Joguei nos três grandes em Portugal, bem como em vários outros clubes em mais cinco países diferentes, mas nunca escondi o carinho que tenho pelo Sporting, que sempre disse ser a minha mãe e o meu pai no futebol. Num momento particularmente difícil da vida do clube, tentei ajudar a atual Comissão de Gestão. E aproveito este espaço para resumir a minha atuação nas últimas semanas.
No dia seguinte à Assembleia Geral destituitiva, um domingo, estive na CM TV. Quando o programa terminou, estava eu na garagem e ligou-me o empresário de um dos jogadores que tinha rescindido, a informar-me que estava disposto a resolver a situação com o Sporting. Enviei logo aí uma mensagem a Sousa Cintra, que me ligou mais tarde. Expliquei-lhe a situação, e marcámos uma reunião, no dia seguinte, após o Portugal-Irão do Mundial.
Encontrámo-nos em casa dele. Nessa mesma noite, coloquei-o em contacto com o empresário que me tinha ligado antes. Sousa Cintra perguntou-me se eu conhecia os outros agentes e se eu podia dar uma ajuda para contactá-los. Disse que sim, conhecia quase todos. O primeiro foi o de Bas Dost – curiosamente, um dos que não conhecia. Nessa semana, até sexta-feira, conseguimos reunir-nos com todos eles, à exceção do de William, que já estava a negociar com o Betis, e o de Battaglia, que estava na Argentina e com quem falámos por telefone. Tínhamos fé que poderíamos chegar a acordo para que quase todos pudessem voltar, apesar de muitos terem algum medo de represálias e também terem propostas milionários em cima da mesa.
Chegou-se a um ponto em que eu já não era necessário e que tudo se resumia a negociações e paciência entre as partes. Passei os contactos dos empresários às pessoas da SAD do Sporting e fui para Madrid, de férias, no dia 5 de julho. No dia seguinte, o Dr. Luís Marques ligou-me a dizer que o empresário do Battaglia iria para Madrid e pediu-me para me reunir com ele. Como José Peseiro queria contar com o jogador, informei o agente que o que estava em cima da mesa era o regresso e não uma saída, que era o que ele pretendia. O treinador ligou depois ao Battaglia e convence-o, começando aí as negociações para o regresso. Acabei por vir com o empresário a Lisboa, para a primeira reunião cara a cara com o presidente do Sporting. As negociações foram duras, mas foi obtido o acordo para o regresso.
Em relação a Gelson, tivemos várias reuniões com o agente, que nos disse que havia propostas. O presidente sempre disse que queria o jogador de volta, não queria propostas para vendê-lo. Com o passar dos dias começaram a sair rumores do interesse do Atlético Madrid e o presidente ligou-me para saber se era verdade. Enviei uma mensagem para o Miguel Ángel [Gil Marín], que me confirmou e disse que queriam fazer um bom acordo com o Sporting. Pela ligação que tenho aos dois clubes, fiquei em choque.
Acabou por haver uma reunião em Lisboa entre o Presidente Sousa Cintra e o diretor-desportivo do Atlético, Andrea Berta, e o advogado colchonero. Foi a única reunião que houve entre os clubes mas não houve acordo. Miguel Ángel falou comigo vários dias depois, reunimo-nos na terça-feira da semana passada, e voltou a dizer que queria chegar a acordo. Deu-me autorização para apresentar mais uma proposta ao Sporting. Mais uma vez, o presidente Sousa Cintra recusou – e acho que fez bem, pois deixa a decisão final para a direção que for eleita. No dia seguinte, o Gelson foi anunciado pelo Atlético Madrid.
Este foi o meu papel em todo o processo. Fi-lo pelo carinho que tenho ao meu Sporting e pela consideração que me merece o presidente Sousa Cintra, que comanda o clube num momento particularmente complicado. A ele desejo toda a sorte do mundo. Quanto a mim, foi uma honra poder ter ajudado o Sporting e, por alguns dias, estar ao lado deste presidente histórico e um grande homem.
CALDEIRADA DA SEMANA -- Malcolm? Não sei quem é
A transferência mais polémica até este momento neste mercado de verão foi a de Malcom, do Bordéus para o Barcelona, depois de, algumas horas antes, a Roma ter anunciado que tinha chegado a um acordo com o clube francês e que o brasileiro seria seu jogador nas próximas épocas. A caldeirada estava montada e houve declarações de revolta do diretor-desportivo e do presidente dos romanas contra o clube culé. Até aí tudo normal. O anormal, na minha opinião, porque os jogadores nunca entram nestas polémicas, foram estas declaracões do central Manolas antes do jogo de quarta-feira entre Roma e Barcelona para a International Champions Cup. "Malcom? Não sei quem é, não o conheço, antes nem sequer sabia o seu nome. Não tenho razões para o cumprimentar", atirou.
NÓS LÁ FORA -- Parabéns, craques!
A Seleção de sub-19, depois das finais do Europeu de 2003 (que perdeu frente à Itália), 2014 (perdida frente à Alemanha e 2017 (perdida com a Inglaterra). Desta vez os nossos jovens não falharam e conseguiram algo maravilhoso, proclamando-se campeões europeus, ao derrotarem na final a Itália por 4-3, após prolongamento, num jogo emocionante e impróprio para cardíacos. Desde estas linhas, mando muitos parabéns a todos estes jovens craques portugueses, que mais uma vez demonstraram que Portugal, a nível de formação, está entre os melhores do Mundo. Também muitos parabéns ao seu míster Hélio Sousa.
