Uma morte anunciada

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"Lopetegui tem culpa que Marcano tenha falhado frente ao Marítimo e que Aboubakar, isolado, não tenha conseguido bater Rui Patrício?"

Foram estas as declarações de Costinha, campeão da Europa em 2004 pelo FC Porto, acerca da contestação a Lopetegui. Concordo com ele a cem por cento. E ainda acrescentaria mais alguns lances, em momentos cruciais, onde os jogadores portistas falharam inexplicavelmente durante a etapa do espanhol como técnico dos dragões.

Recordo-me, por exemplo, dos dois falhanços de Jackson Martínez no Estádio do Dragão e no Estádio da Luz, nos clássicos da época passada frente ao Benfica. O ponta-de-lança colombiano normalmente não perdia tais ocasiões de golo... Outro caso inexplicável aconteceu na penúltima jornada da época passada, diante do Belenenses, jogo em que os dragões disseram definitivamente adeus ao título. Um erro infantil da defesa proporcionou a Tiago Caeiro o golo do empate. Esse lance provocou até a fúria do espanhol, levando-o mesmo a partir o banco de suplentes. E tinha razão. No último clássico, com o Sporting, além do desperdício do Aboubakar, já comentado por Costinha, também não consigo compreender a falha de concentração de Martins Indi no lance de bola parada que originou o primeiro golo de Slimani. São erros difíceis de explicar mas que todos os jogadores de futebol cometem. Isso é visível todas as semanas, pelo que temos de considerar esses lances como normais.

Anormais foram as decisões do treinador espanhol em momentos cruciais, originando que os adeptos portistas começassem, pouco e pouco, a perder confiança nele. A primeira situação grave aconteceu com o Bayern Munique, na segunda mão dos quartos-de-final da Champions League do ano passado. A vitória espetacular, por 3-1, em casa, criou uma esperança enorme na passagem às meias-finais. Só que o basco decidiu fazer experiências no segundo jogo. Apostou numa linha defensiva com quatro centrais: Diego Reyes, Maicon, Marcano e Martins Indi. Era o único jogo em que não podia haver experiências e, como todos sabemos, os bávaros acabaram por vencer, por 6-1.

Já este ano, no penúltimo jogo da fase de grupos, contra o Dínamo de Kiev, em casa, em que bastava um ponto para o FC Porto se qualificar para os oitavos-de-final, o espanhol fez, ao intervalo, algo ainda mais difícil de explicar: tirou Maxi Pereira, mudou o lateral-esquerdo Layún para a direita, passou o central Martins Indi para lateral-esquerdo, recuou o médio-defensivo Danilo Pereira para central e colocou André André em campo. Num encontro importantíssimo, fez uma substituição onde acabou por mexer em cinco posições. Que grande confusão! O Porto tinha o pássaro na mão e, com aquela derrota, hipotecou de forma quase decisiva a passagem à fase seguinte. Por seu turno, na última partida, frente ao Chelsea, em Stamford Bridge, esgotou a paciência de todos os portistas. Lopetegui decidiu entrar em campo sem ponta-de-lança e com um sistema de três centrais, que nunca havia sido testado. Como todos sabemos, o Porto, que estava obrigado a vencer, perdeu e foi eliminado da Liga dos Campeões.

Não me recordava de ver o Porto sem ponta-de-lança, a não ser na final de Viena, em 1987, em que Gomes estava lesionado e tive de jogar eu sozinho na frente. Já passaram 28 anos...

Há erros e erros e estes últimos provocaram uma morte anunciada.

Caldeirada da semana -- Daniel Alves e a imprensa

Tenho uma grande admiração pelo Dani Alves, não só como jogador mas também pelo caráter que tem. Sem papas na língua, diz sempre o que sente. Mas, desta vez, passou o limite. Esta semana, o lateral brasileiro do Barcelona utilizou a rede social Instagram para criticar fortemente a imprensa espanhola, considerando-a mesmo "um lixo". Estas declarações, muito polémicas, acabaram por fazer um barulho enorme, levando mesmo a direção ‘culé’ a emitir um comunicado, dizendo que não concordava com as palavras do seu jogador. Grande caldeirada!

Nós lá fora -- Ronaldo intransferível

Quando cada vez mais se fala da continuidade de Cristiano no Real Madrid a partir da próxima época, o novo treinador dos merengues, Zinedine Zidane, disse que "Ronaldo é mais que intransferível, é a alma desta equipa". Depois de Benítez, que nunca proferiu sequer uma frase parecida, e dos assobios injustos que tem recebido ultimamente, estas palavras de carinho mostram a sensibilidade de alguém que sabe o que é jogar no Santiago Bernabéu e que sabe o que é ser o melhor do Mundo, como foi o francês. Que saudades tenho de ver jogar Zinedine Zidane.

Álbum de recordações -- A primeira derrota

Hoje o FC Porto joga no Estádio do Bessa, com o Boavista. Recordo-me que foi lá que perdi o meu primeiro jogo oficial com a camisola azul e branca, em 1984. Naquele momento percebi o duro que era a derrota naquele grande clube. O ambiente no balneário tornou-se incrivelmente pesado. Parecia um funeral e, também como eu costumo dizer, quando o FC Porto perde toda a cidade chora. As vezes que perdi com a camisola do Porto foram horríveis, não só após o jogo, como nos dias seguintes. Felizmente, foram poucas.

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