À 5.ª jornada
Ninguém é campeão à 5.ª jornada’, insistiu Rui Vitória no lançamento do jogo contra o Braga e repetiu no rescaldo da partida. É uma verdade de La Palisse, mas há quem o esqueça e se deixe entusiasmar em excesso por lideranças precoces.
Apesar de tudo, à 5.ª jornada, é possível dizer de que matéria se fazem os campeões em provas longas: um plantel de qualidade, a dose justa de sorte e, indispensável, um treinador competente taticamente e capaz de fazer uma gestão psicológica adequada dos diversos momentos da época. É preciso saber perder e motivar a equipa para as partidas seguintes, mas, igualmente fundamental, é necessário saber gerir as vitórias, não embarcar em euforias e, muito menos, em vertigens egocêntricas.
Muito provavelmenteeste campeonato – como o anterior – será disputado até maio, num sprint final. Mas quando se olhar para trás e for feito o rescaldo da época, a equipa vencedora será aquela que revelou maior qualidade, que teve alguma estrelinha e, claro está, o melhor treinador fará diferença. Ou seja, o líder que mostrar competência tática e no treino e tiver a inteligência emocional para gerir o balneário e as emoções de cada jornada.
É por isso essencial que o Benfica, agora que lidera – num contexto muito adverso, com um sem-número de lesões –, tenha no treinador alguém que saiba manter a prudência emocional e se revele capaz de trabalhar os problemas táticos que persistem, designadamente quando a equipa perde ou não tem a bola. Se assim for, talvez se prove que a diferença estava mesmo no treinador.
