A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

A defesa do Benfica

Da defesa titular no tetra sobra apenas um jogador, o capitão Luisão. O facto é conhecido. Não se pense, contudo, que as saídas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelof e, ainda, de novo, as lesões de Grimaldo (e também de Jardel), preocupam essencialmente pelo impacto que têm na forma como o Benfica defende. Na verdade, num clube que joga 90% dos seus jogos em ataque organizado, estas alterações profundas na defesa têm mais efeito sobre a forma como a defesa participa no ataque do que, propriamente, sobre o desempenho defensivo da equipa. Até porque, a este respeito, o Benfica tem em Fejsa um jogador com uma inteligência rara na reação à perda da bola e na forma como se reposiciona em transição defensiva.

Há um ano, a disputa pela baliza era entre Ederson e Júlio César. Dois guarda-redes com um ótimo jogo de pés e que permitiam a construção desde trás, de facto, com onze jogadores. Com a titularidade de Ederson – que tem uma amplitude de movimentos única e irrepetível –, a defesa passou, além do mais, a poder jogar mais subida, queimando espaço no meio-campo, enquanto o guarda-redes controlava de forma magistral a profundidade. Ederson era (ainda) mais importante a atacar do que a defender. Hoje, com Júlio César intermitentemente no estaleiro, a baliza será disputada por Varela (que tem um jogo de pés sofrível) e um jovem belga acabado de atingir a maioridade?

Se Jardel a sair com a bola não tem a qualidade de Lindelof, nas laterais o problema é mais agudo. Sem Grimaldo e sem Nélson, a equipa não fica comprometida defensivamente, mas a participação dos laterais no jogo ofensivo é muito diferente. A Eliseu já falta fôlego para pisar terrenos interiores e André Almeida nunca será um lateral ofensivo. Mas se, na temporada transata, Jardel, Eliseu e Almeida eram, eles próprios, planos b muito competentes, o mesmo não se pode dizer das alternativas a estes jogadores.

Surpreende por isso que, quatro jornadas passadas do campeonato e com o primeiro jogo da Champions a avizinhar-se, não tenha havido nenhuma contratação para resolver os problemas atacantes da defesa do Benfica, enquanto se vai especulando sobre mais alas e avançados (posições para as quais há uma manifesta crise de abundância). Até quinta-feira à meia-noite, ainda podem surgir novidades, mas teria sido sempre preferível resolver o problema atempadamente.

2. Em Vila do Conde, o Benfica empatou e empatou bem. Uma vez mais, ficou demonstrado que contra equipas que procuram jogar futebol no campo todo e que atuam subidas, o Benfica tem dificuldades para afirmar o seu jogo. Um problema que não é novo e que se repete desde que – vai para oito temporadas – jogamos com um meio-campo a dois e, frequentemente, em inferioridade numérica na zona central. Menos mal que, ao contrário dos nossos rivais, perante um insucesso, o clube não ganhou o hábito de se escudar nas arbitragens ou noutros fatores que não o futebol jogado.

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