A necessidade e o engenho

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E se, afinal, o plantel do Benfica não for demasiado grande? Há umas semanas, ninguém no seu perfeito juízo se lembraria de tal coisa. Com várias opções para cada posição, o Benfica vivia uma crise de abundância e a questão era saber como acomodar tanto talento no banco e tantos egos no balneário. Mas, como tem acontecido com demasiada frequência nos últimos anos, um surto de lesões encurtou as opções de Rui Vitória de forma drástica.

De tal forma que, esquecendo o excesso de extremos, em todos os outros setores têm surgido oportunidades há pouco inimagináveis: José Gomes a estrear-se, aos 17 anos, na equipa principal na sexta, para, um dia passado, em jogo treino, marcar os quatro golos dos A contra a equipa do escalão a que pertence (os juniores!); uma rotação sem fim na dupla de centrais e um ataque inédito. Detenhamo-nos neste ponto.

Em Arouca, o Benfica apresentou-se sem uma referência atacante e, hoje, contra o Besiktas não se sabe ainda como será (até porque, entre o momento em que escrevo e a hora do jogo, é possível que alguém se lesione). Bem sei que isto pode parecer uma heresia, mas um dos Benficas mais entusiasmantes dos últimos anos foi o que se viu, ainda que a espaços, na sexta-feira. Lá está, com muita mobilidade e sem ninguém fixo no ataque.

É sabido que a necessidade aguça o engenho. Com tantas lesões, Vitória viu-se obrigado a apostar numa solução de recurso; agora, em alguns jogos, talvez valha a pena ponderar num ataque sem ponta de lança de raiz. No Benfica pós-lesões, haverá engenho para juntar os talentos de Rafa e Jonas na frente?

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