A Luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

Com um ano de atraso

É demasiado cedo para se saber qual será o destino do Benfica 2018/19. Em todo o caso, na preparação desta temporada está a ser feito o que devia ter sido feito há um ano: investimento em jogadores com o perfil adequado para colmatar lacunas evidentes no plantel.

A questão do perfil dos jogadores é central. Faz todo o sentido continuar a aposta estratégica no Seixal. Aliás, tendo em conta as notáveis campanhas dos juniores com João Tralhão e dos juvenis com Renato Paiva, há boas razões para estarmos otimistas quanto ao retorno desportivo e financeiro das próximas fornadas de talento vindas do Caixa Campus. Contudo, sem uma mão-cheia de jogadores no plantel que juntem qualidade e maturidade, dificilmente o João Félix, o Florentino ou o Gedson terão possibilidades de afirmação.

Uma equipa competitiva precisa de encontrar um justo equilíbrio entre aposta na formação e aposta em jogadores já feitos. Aliás, sem os últimos, por paradoxal que possa parecer, os jovens talentos terão menos oportunidades para se revelarem. Esse foi o primeiro equívoco da temporada passada, quando o penta estava claramente ao nosso alcance.

Por muito incertos que sejam os desfechos competitivos, no futebol há uma verdade insofismável: a melhor forma de vencer é pagar a jogadores de qualidade. Até porque perder tem custos financeiros significativos. É essa a lição de 2017/18: o Benfica não investiu e tem em sério risco a entrada numa Champions cada vez mais milionária.

Mas, para além da chegada de Castillo e Ferreyra, e até de Vlachodimos e Conti, representarem um investimento que tinha de ser feito, sobram também sinais de que podemos estar face à construção de um plantel que pode oferecer maior versatilidade tática. Com estes jogadores, o desafio passará a ser combinar Zivkovic, Krovinovic, Jonas e Pizzi com Ferreyra, potenciando o jogo interior como complemento à profundidade nas alas que, por vezes, é de forma excessiva o ADN do Benfica dos últimos anos.

Nota – Já aqui o escrevi: sempre me pareceu má ideia contratar jogadores que rescindiram com o Sporting. Para além da questão ética (não podemos criticar o que foi feito por, sublinho, Sousa Cintra em 1993 e, agora, responder na mesma moeda), a debacle competitiva do Sporting traduzir-se-á num agudizar do empobrecimento do futebol português, que penaliza Benfica e Porto. Mas, para além disso, há a componente financeira. O Benfica, para contratar jogadores do Sporting, teria de pagar um prémio adicional para que permanecessem em Portugal, num contexto muito adverso. Foi, por isso, com satisfação que li, no ‘Negócios’, Domingos Soares de Oliveira a garantir que "não estudou o impacto de contratar ex-jogadores do Sporting". Como quero acreditar que o Benfica do século XXI não é dado nem a pequenas, nem a grandes loucuras, fico mais descansado.

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