Defesa: a saída de Jorge Jesus do Benfica foi um erro. Talvez só ultrapassado pela ideia peregrina de o querer fazer regressar há um ano, contra tudo o que o Benfica havia dito sobre o ex-técnico. Com o passar do tempo, se dúvidas restassem, fica claro que Jesus tem defeitos, mas é um técnico extraordinário – que não perde uma oportunidade para mostrar a diferença que um treinador faz numa equipa. Agora no Brasil, num futebol coletivamente pobre, mas com um potencial incomensurável, JJ fez em campo o que se esperava dele: encurtou as linhas, deu critério na pressão, e colocou a equipa a "defender com poucos" de forma superlativa. O resto veio por acréscimo e, no seu estilo irresistível, JJ, entre muitas resistências chauvinistas, conquistou o Brasil. É entusiasmante assistir aos jogos do Flamengo e para quem construiu, com lampejos de fotografias de revistas, uma imagem mitificada da equipa liderada por Zico no início dos oitenta, há no sucesso do treinador português uma celebração do futebol da infância. Não é coisa pouca. Que, além do Brasileirão, venha, também, a Libertadores, é o que pedimos aqueles de nós que ficaram do lado errado do Equador.