Diferente

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Sabemos bem onde estávamos no verão passado, quando o planeamento da temporada parecia um equívoco e a equipa teimava em não ter uma ideia de jogo. Mas, também não me esqueço de que, logo no primeiro jogo em casa, Rui Vitória lembrava que sabia o que era ser adepto, pois vinha ao Estádio da Luz desde os 5 anos.

Bem sei que o tempo não está de feição para visões românticas do futebol, até porque se o Benfica ganha hoje (também nas modalidades) é por ter uma estrutura profissional, que substituiu o amadorismo que imperou durante anos. Mas, apesar disso, talvez seja bom recordar a diferença que faz vencer um campeonato com um grande treinador – benfiquista como nós e que não se coloca no centro do mundo –, quando comparado com vencer campeonatos com um grande treinador, que só perde com a bazófia que não consegue refrear.

Tenho memória de muitos campeonatos conquistados, mas este teve um sabor especial: porque a temporada se iniciou sob o espectro do desinvestimento; por termos ressuscitado depois de dados como mortos e enterrados; pela forma como os adeptos estiveram com a equipa e só se libertaram verdadeiramente nos festejos incontidos de domingo; acima de tudo, pelo modo como Rui Vitória soube inventar jogadores quando tudo parecia perdido, manter o grupo unido e motivado face a uma ofensiva que raiou o delirante e porque é completamente diferente ter um treinador que é um homem decente. Um critério que o deixa isolado, com todo o mérito, em primeiro. A grande distância, por exemplo, de um vendedor de pipocas.

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