A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

Elogio da coerência (e do aborrecimento)

Os jogos de preparação criaram um problema a Fernando Santos. As boas exibições de Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Gelson e Gonçalo Guedes antes da partida para a Rússia vieram baralhar as contas do selecionador. Para quem aposta (quase) tudo nos equilíbrios da equipa e na capacidade de Cristiano criar desequilíbrios, acomodar na ideia de jogo – que tão bons resultados tem dado – todo este talento e irreverência não era fácil.

E, como se tem visto no Mundial, a Seleção ficou numa espécie de terra de ninguém. Continua a não encantar, mas também não revela os equilíbrios que a caracterizaram no Euro. Sintomaticamente, depois de um jogo falhado com Marrocos, ontem, Fernando Santos regressou ao sistema do passado. Com resultados assim-assim.

Na hierarquia de talento individual, Bernardo, Gelson, Guedes e Bruno Fernandes vêm logo depois de Cristiano. Mas Quaresma dá mais profundidade do que Bernardo (e não necessita de tanto apoio para atacar), André Silva é mais forte nas disputas de bola do que Guedes e Adrien parece regressado à forma de há dois anos. Com eles em campo, a Seleção ganhou em coerência com a ideia de jogo do selecionador o que perdeu na capacidade de criar desequilíbrios. Com o Irão, Portugal entrou bem no jogo e vimos, de novo, a Seleção personalizada de Fernando Santos. Uma equipa que, no Mundial, na relação entre eficácia e cinzentismo estético não tem adversários à altura.

Durante a primeira meia hora, mesmo sem assustar um ultra-equilibrado Irão, Portugal conseguiu ter mais posse e controlar a partida com bola (até ao momento em que William deixou de gozar de alguma liberdade de movimentos). Depois de um golo de mágico de Quaresma, e é aí que reside a estranheza, a equipa sofreu mais do que o habitual a defender e saiu mal a construir desde trás. Quando em vantagem no marcador, uma vez mais, foi quando Portugal ficou mais intranquilo.

E agora que o Mundial entra numa fase diferente? Claramente o contexto tornou-se, de novo, mais propício ao jogar de Portugal. Uma seleção que se tem mostrado vitoriosa e mais letal quando pode ser mais aborrecida, não tendo de assumir a iniciativa, e lhe é permitido aguardar pelo erro do adversário. Precisamente o que temos de fazer, já no sábado, com um Uruguai forte a defender (ainda não sofreu golos) e, essencialmente, muito contundente a marcar.

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