Empurrar a bola para a baliza

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Das primeiras memórias que guardo da velha Luz, foram os assobios ao Nené. Não os compreendi, como depois não compreendi as mesmas reações com o Nuno Gomes e com o Cardozo. Se nunca aceitei aquele juízo do velho 3.º anel, foi, contudo, uma experiência formativa. A criança de oito ou dez anos que se encaminhava com um fascínio singular em direção à rampa de acesso ao estádio, formou-se, em parte, na clivagem entre os anti-Nené e os pró-Nené. Não sei exatamente qual o motivo, mas logo aí escolhi um campo: para mim, o futebol jogar-se-ia com a cabeça e não em exasperantes correrias, desprovidas de sentido. O Nené era melhor do que os outros, pois não só era muito mais rápido, como corria melhor. Por essa altura, eu faria uma jura silenciosa: nunca assobiaria um jogador que tornasse o jogo fácil e que, para mais, o fizesse sem exibições desnecessárias de esforço.

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