Equívocos e emoções

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O Benfica até podia ter vencido o Setúbal, mas isso não invalida que tenha feito uma exibição medíocre e desprovida de ideias. Como quase sempre acontece nestes casos, a explicação para o comportamento da equipa é uma combinação de equívocos táticos e má gestão emocional.

Sem Jonas em campo, o Benfica perde golos e, pior, fica sem alguém capaz de ligar meio-campo e ataque. Até à chegada de Rafa, a equipa parece não ter um sucedâneo à altura do brasileiro e, em casa, contra uma equipa de tração atrás, Rui Vitória preferiu inventar uma solução tática alternativa. Com maus resultados: Pizzi, desposicionado, andou perdido em campo e atrapalhou mais do que construiu. Como se não bastasse a ausência de jogo interior, o que se passou nas alas não foi melhor. Em quatro jogadores, só Grimaldo teve nota positiva. Cervi, Sálvio e Nélson Semedo tiveram o condão de tomar, quase sempre, as opções erradas. Foi fácil ao Setúbal bloquear o Benfica.

Depois, a gestão emocional do jogo. No futebol, as equipas tendem a ser um prolongamento do estado de espírito dos adeptos. A euforia gerada em torno da estreia em casa traduziu-se em alguma soberba. O jogo já estava ganho antes de começar e a equipa, a partir de certa altura, foi incapaz de lidar com a realidade do encontro – que se foi tornando mais difícil. Na segunda parte, o futebol do Benfica foi desgarrado, sem clarividência e movido a ímpetos de voluntarismo. A equipa deixou-se arrastar pelo antijogo do Setúbal e uma arbitragem entre o ardiloso e o incompetente fez o resto.

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