A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

Férias para que vos quero

Causou grande espanto que, num momento em que a equipa tem tido maus resultados, Rui Vitória, aproveitando a quadra natalícia, tivesse concedido umas férias prolongadas (seis dias) ao plantel do Benfica. Percebem-se as críticas: para muitos, se a equipa se apresenta em campo com menor fulgor, o que deveria acontecer era precisamente o contrário – mais treinos e maior empenho. Permitam-me discordar do que tenha ouvido de muitos benfiquistas por estes dias.

Rui Vitória fez muito bem ao conceder férias extra aos jogadores. Desde que, em Guimarães, escolheu mudar o sistema de jogo que o treinador do Benfica não tomava uma decisão tão acertada. Em momentos como este, contribuir para a descompressão emocional do plantel é mais importante do que reforçar a carga de trabalho. Uma vez mais, Rui Vitória demonstrou que, mesmo que, por vezes, possamos discordar das suas opções táticas, tem uma perceção correta do que é gerir um grupo de atletas de alta-competição e a pressão competitiva que estes enfrentam. Neste aspeto, o contraste com Jorge Jesus continua a jogar a favor de Vitória – sendo que taticamente poucos terão dúvidas em reconhecer as imensas qualidades do agora treinador do Sporting.

Para lá dos equívocos táticos (responsabilidade do treinador) e dos erros de planeamento da temporada (responsabilidade da estrutura), uma equipa que alterna uma série de bons resultados e melhorias exibicionais no campeonato – ao fim-de-semana – com péssimos resultados nas restantes competições – durante a semana – precisa de promover algum tipo de estabilizador emocional. Até porque a próxima partida do campeonato se vai jogar a uma quarta-feira, até ver, dia aziago para o Benfica 2017/18.

Aliás, a consequência imediata de chegarmos a janeiro apenas com uma competição (o que não acontecia desde a longínqua temporada de 2002/03 com Jesualdo e depois Camacho), é que, no primeiro mês do ano, o Benfica tem a temporada em jogo: com a receção ao Sporting na Luz, seguida de duas difíceis saídas consecutivas ao Minho, primeiro a Moreira de Cónegos e depois a Braga.

Ora, mais do que reforçar o plantel (o que aliás, considerando o tempo de integração das eventuais contratações, só terá efeito lá para o final do mês), ou de trabalho tático necessário para consolidar um sistema novo, que não foi trabalhado no defeso, a prioridade imediata para enfrentar os desafios de janeiro, é oferecer ao Benfica um equilíbrio emocional que não tem tido. Se olharmos retrospetivamente para o que aconteceu nas duas últimas temporadas, Rui Vitória dá todas as garantias de saber gerir os tempos emocionais do plantel. Há, contudo, uma diferença este ano: Vitória já não pode mobilizar o inimigo externo para unir o balneário. Agora, o desafio é outro: contrariar o ceticismo dos adeptos face ao jogar do Benfica.

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